A sorte de um amor tranquilo

12 jun

Eu sempre fui daquelas que decorava frases fofas de músicas e citações de amor para colocar na legenda de alguma foto quando encontrasse A PESSOA. Agora que chegou um dia dos namorados, eu não sei o que escrever… elas não contemplam tudo o que eu gostaria de dizer, e nenhuma delas me parece adequada.

Contrariando todos os conselhos de esconder quando alguma coisa está começando a acontecer (dizem que é pra não atrair energias ruins e pra não ter que lidar com as expectativas dos outros caso não dê certo), logo depois do nosso primeiro encontro eu já saí falando aos quatro ventos que estava apaixonada. Me encantei de primeira e parecia uma adolescente contando pra todo mundo que quisesse ouvir – e quem não quisesse também – que eu tinha conhecido um cara maravilhoso. Até escutei alguns “nossa, você nunca falou de ninguém desse jeito”.

Logo eu queria te encontrar de novo. Não teve essa de “vou esperar ele me procurar”. Eu lembro de ter ido atrás e demonstrado que queria te ver. Não houve joguinhos, e não há. Acredito que a gente seja transparente como a água. Aos poucos você foi ocupando espaço na minha vida, se aproximando, me envolvendo. E me pegou totalmente de surpresa quando me pediu em namoro. Tanto que eu respondi “não sei” quando você ajeitou meu cablo, olhou bem pro meu rosto e perguntou se eu achava que a gente poderia se considerar namorados. E não faço ideia de onde saiu aquela resposta. Ou melhor, sei sim. Do meu medo. Nessa hora a gente lembra de todo o histórico amoroso cagado, de toda a briga com o amor romântico… Meu coração pulava e meu cérebro deu um bug. Eu fechei os olhos, respirei e disse “eu não consigo formar uma frase direito. Calma” – era mais pra mim do que pra você.

Tudo flui… é tudo muito leve e natural. Então não teria por que ser de outro jeito se tudo estava caminhando bonitinho, fofo – aliás, é o que todos me dizem que somos quando nos encontram. Eu sinto que meu coração é como a nascente de um rio, e essa água toda precisava de um leito que a comportasse para fluir. Por vezes ela foi estancada, represada ou desviada. Poucas vezes pôde correr livre. Em você eu encontrei esse leito. Hoje o rio flui de uma forma que não sabia que pudesse fluir, porque eu nunca o vi desse jeito antes.

A gente tem mania de romantizar sofrimento, acha que pra ficar junto de uma pessoa o sentimento tem que ser posto à prova, e tem que resistir, enfrentar dificuldades. E não é bem assim. A saúde mental e emocional agradece se tudo caminhar sem travas, sem ansiedades, sem empecilhos. Eu sei que nem tudo serão flores, mas um começo saudável e tranquilo fazem bem pra bases sólidas. E sei também que as relações são todas diferentes umas das outras, mas a atual é sempre a melhor… afinal as anteriores não teriam acabado se tivessem sido tão boas assim.

E a cada dia nós nos tornamos mais próximos, você me inclui na sua vida, me assume, me dá carinho e amor, cuida de mim. Acho que a beleza disso tudo está nos pequenos detalhes, no convívio, no abraço, no acolhimento, no diálogo. Então eu gostaria de dizer que eu sou grata. Pela sua existência, por ter entrado na minha vida e mostrar que as coisas podem ser leves.

Encarando a mulher-esqueleto

24 abr

A mulher-esqueleto é feia. Por isso a gente a deixa escondida no fundo do mar. Por isso a gente não quer mostrá-la pra ninguém. Temos vergonha dela, medo de que alguém a veja… afinal, o que iriam pensar de nós se a vissem?

Mas a mulher-esqueleto faz parte de nós. Ela é a personificação dos nossos medos, nossos desejos, nossas fantasias, segredos, ansiedades e sonhos mais íntimos. Aqueles que a gente não admite nem pros nossos psicólogos. E por mais que a gente tente esconder, principalmente num relacionamento amoroso, um dia ela aparece. A gente não quer que o outro seja transparente e honesto? Não seria justo se escondêssemos nossa mulher-esqueleto do outro também. Não é justo com o parceiro, mas também é injusto com ela, conosco, com as nossas histórias, nossa bagagem e nossa essência. Temos que olhar para a mulher-esqueleto com carinho. E se o parceiro não a encarar da mesma forma, é porque ele não é digno. Quando o pescador aceita a mulher-esqueleto, ela se torna mulher. 

skeleton_womanEssa é apenas uma das interpretações possíveis para o conto A Mulher-Esqueleto: encarando a natureza da vida-morte-vida do amor, do Mulheres que correm com os lobos. Em sua leitura, eu passei por mais uma etapa no longo e talvez infinito processo de entendimento e cura sobre quem eu sou e o que eu quero.

Não vou mentir que me identifiquei também com o pescador que encara a mulher-esqueleto, a mulher selvagem… e foge. Já corri muito para o meu refúgio, a minha zona de conforto, quando não suportei olhar para a mulher-esqueleto do outro (que às vezes me fazia rememorar a minha própria) embora esse lugar conhecido fosse gelado como o iglu do pescador e solitário. O medo de desemaranhar a mulher-esqueleto e aceitá-la vem simplesmente porque ele tem medo do fim, que está lá na frente. Se tivermos medo do fim, nós nunca vamos criar novos começos. Um novo ciclo tem que começar.

E isso nos leva a uma face da mulher-esqueleto que é oposta a essa característica não- cíclica do pescador. Ao mesmo tempo já me identifiquei com ela, que mesmo emaranhada era fisgada por um pescador, e corria atrás do pescador mesmo ele tentando se esconder. Acredito que isso aconteça porque as mulheres conseguem lidar melhor do que os homens com a natureza de vida-morte-vida dos relacionamentos. Pela minha vasta experiência, quando um homem sai de um relacionamento longo, geralmente traumático, ele não quer encontrar novamente uma mulher-esqueleto. Não sei se esse receio é por não saber lidar com ciclos ou por estar impregnado do amor romântico tradicional, que diz que um relacionamento deve ser pra sempre, do contrário ele não é de verdade.

Eu aprendi que relacionamentos acabam. Não importa se eles duraram dois meses, um ano, dez anos ou 20 anos. Eles dão certo por um período, que pode ser mais longo se as duas pessoas envolvidas souberem conciliar as diferenças, se houver respeito, carinho e harmonia. Até ler esse conto, eu ainda questionava se essa minha conclusão era um pouco pessimista demais, mas, ufa, percebi que é apenas uma forma de encarar e aceitar a finitude e a efemeridade das coisas. Vida-morte-vida.

Mais do que isso, eu também me dei conta de que cansei de ter que lidar com os ciclos de vida e morte dos homens com quem me relaciono. Recentemente eu me dei conta disso, conversei com o universo e entramos num acordo de banir esse tipo de coisa da minha vida. Quero alguém disposto e disponível para um novo ciclo. E ao desenrolar cuidadosamente a mulher-esqueleto, por que não pedir ajuda? Por que não admitir que a gente precisa de carinho, de cafuné, de companhia, de amor mesmo? Precisamos permitir que o outro nos ajude a desenredar a mulher-esqueleto, dar abertura para que o pescador se aproxime, porque talvez ele precise dessa confirmação de que ele é útil e necessário para saber onde está pisando e também se abrir.

E por último, mas não menos importante, acredito que o pescador e a mulher-esqueleto são nossos masculino e feminino sagrados. Todos temos os dois dentro de nós, grande parte das vezes em desequilíbrio. Desde que venho recuperando algumas partes de mim, resgatando a mulher selvagem do fundo do mar, desenredando a mulher-esqueleto do que ela não conseguia se livrar sozinha, o pescador a vem aceitando e eles têm vivido em uma harmonia muito maior do que antes. Pois um não pode existir sem o outro, se ambos são partes de mim. É como se eu mesma estivesse incompleta e procurando algo que estava lá dentro o tempo todo. Esse foi só mais um passo para concluir o casamento da minha mulher-esqueleto com o meu pescador, que se mantiveram afastados, se escondendo e fugindo um do outro por muito tempo.

Fazendo as pazes com o amor romântico

7 nov

Tudo começou com uma costura. Uma linha, uma agulha e um retalho de tecido. O trabalho era para o manto casamenteiro de um grupo de Sagrado Feminino, cuja ideia é resgatar a ancestralidade, iniciar um processo de cura e colocar sua energia nesse pedaço de tecido que depois será unido com outros, e, juntos, poderem trabalhar por todas as mulheres que participaram e por outras que possam se energizar com os retalhos todos.

Com essa costura, primeiro eu entendi a minha dificuldade em firmar laços – literal e figurativamente. Essa já era uma crise velha conhecida, com a qual eu brigo para entender o que é autossabotagem e o que não é.

Depois eu entendi que essa dificuldade vem de depositar meu afeto em pessoas que geralmente não têm perspectivas parecidas com as minhas. E isso sempre partiu de mim mesma, tanto pela autossabotagem quanto pelo fato de estar em guerra com o modelo tradicional de amor romântico há muito, muito tempo.

Eu sempre prezei pela minha liberdade, e tentei experimentar vários tipos de relacionamento, que me proporcionaram maior ou menor liberdade, mas que jamais chegaram perto de um modelo que me satisfizesse plenamente. Não sei se é utopia, idealização, ou se apenas não achei uma pessoa que pensasse como eu e que ao mesmo tempo mantivesse meu coração pulsando apaixonadamente.

Nesse processo tive dois relacionamentos abertos, um dos quais me destruiu completamente como mulher porque era abusivo, e o outro que me fez refletir se era esse mesmo o modelo que eu queria seguir. De modo geral, era uma relação boa, mas chegou um ponto em que “tanto faz”, e eu sempre sei que quando chego nesse ponto é porque não me importo mais. E se não me importo, o que estou fazendo ali, afinal? Talvez o problema não seja o modelo, mas agora acho que já chega.

Naquele primeiro, minha visão sobre o tema casamento ficou completamente deturpado: ele era recém-divorciado e eu acabei rejeitando completamente o amor romântico e acabei interiorizando a ideia de que “relacionamentos acabam, não importa se eles duram 3 meses, um ano, ou vinte anos”.  Até aí, tudo bem, porque tudo na vida é transitório, o problema foi como encarei isso e acabei desacreditando da instituição Casamento. Nessa mesma época eu li Comprometida, da Elizabeth Gilbert (a mesma autora de Comer, Rezar, Amar. Por sinal esse livro é uma continuação). E até acho que já preciso ler de novo porque minha visão sobre ele vai ter mudado totalmente. Nessa mesma época um primo meu se casou e eu não consegui curtir nada daquela que deveria ser uma linda festa de família, afinal eu estava desacreditada de qualquer coisa relacionada a amor romântico.

De um tempo para cá, eu tenho visto como brigar com o amor romântico e rejeitá-lo me faz sofrer em alguma medida. Porque me faz esquecer a minha essência. É importante a desconstrução do amor romântico, dele enquanto perpetuador do machismo em muitas instâncias, o aprisionamento, o ciúme, a castração… mas tem algo nesse pacote que sempre me encantou, e isso reside na emoção, na parceria, na fluidez, na cumplicidade. E eu fui percebendo que sem esses ingredientes é como se minha luz interna fosse se apagando. Eu quero aquelas coisas fofas todas, quero declaração de amor em rede social, quero demonstrar tanto afeto em público que as pessoas digam que somos melosos, quero ter uma música, quero dizer que amo e que estou com saudades, fazer planos… quero poder sentir sem medo de assustar o outro, ser transparente sem esconder nada. São vontades que eu apenas tenho, sem ter que parar para problematizar tudo.

É claro que em vários tipos de relacionamentos você pode ter isso, sim. Não é o que eu to falando. To falando sobre algo que não serve pra mim e que por algum motivo eu acabei atraindo pra que o universo me mostrasse que não combina comigo. Eu, uma pessoa que tem essa frase tatuada “And it’s only love that can break a human being and turn him inside out” (Heart like a Wheel – The Corrs).  Aquela que chora em filmes românticos, que se emociona com músicas românticas e as ouve pra caramba, que chora em livros românticos e fica p* porque aquelas histórias de finais felizes não existem… e que sabe que tudo isso aquece o coraçãozinho e derrete o gelo que insiste em se formar.

Sim! Tudo isso eu organizei no meu cérebro e no meu coração com ajuda da linha e da agulha. Bem que minha mãe sempre dizia que fazer crochê era uma terapia pra ela e eu nunca entendi o porquê. Quando eu contei pra ela sobre o manto, nem precisei explicar muito porque ela entendeu logo de cara o propósito. E para recuperar um pouco mais a ancestralidade das mulheres da nossa família, eu pedi a ela pra me ensinar fazer crochê também – e realmente começamos.

A coroação desse processo todo foi receber o convite para ser madrinha de casamento de uma das minhas melhores amigas, logo após a união dos retalhos. Nos conhecemos desde o colégio – quando ela também conheceu o noivo, que era nosso colega. E quando eles me encontraram, ela lembrou da história do buquê e eu fiquei emocionada por ter contribuído de alguma coisa na preparação desse grande evento… meses atrás eu não sabia o que fazer no meu retalho, e pensei em fazer um buquê com florzinhas de cetim. Fui pesquisar sobre a origem do buquê, os significados das cores, das flores, mandei pra ela e ela se lembrou!

Essa experiência toda não foi só costurar um retalho, participar desse manto me fez sentir acolhida em um grupo, que me incentivou, me empurrou, porque algumas pessoas sentiram que eu precisava desse processo de cura. Eu não pude comparecer nas reuniões para unir os retalhos, mas elas garantiram pra mim que minha energia estava ali vibrando com elas. Eu me senti parte de um grupo que me esperou porque eu tinha um retalho atrasado que precisava de mais tempo para chegar. Elas me ofereceram ajuda, conversaram comigo, tentaram tirar os nós que me travavam… e no fim foi um processo lindo, que me surpreendeu e me trouxe mais compreensões do que eu imaginava.

E eu concluí meu retalho exatamente no dia 31 de outubro, Beltane, a festa da fertilidade aqui no Hemisfério Sul, que simboliza a união entre o masculino e o feminino. Quando fazia exatamente um ano que eu tinha feito parte desse clã que me acolheu. Tudo foi muito simbólico nesse processo: as flores do buquê, a data em que concluí, a fase de desabrochar em que me encontro agora.

A verdade é que eu não fiz só uma costura, eu casei duas partes de mim que estavam separadas havia muito tempo.

Abusivo clássico

9 jan

A gente nunca percebe quando está presa num relacionamento abusivo. É clichê dizer isso, eu sei. Mas os clichês saem justamente da repetição de padrões. Logo eu, tão feminista, tão esclarecida, tão lúcida… coloquei a culpa na minha autoestima – que você conseguia deixar lá no chão constantemente com suas atitudes que não coincidiam o que você falava e me deixavam insegura – coloquei a culpa em mim mesma e no meu ciclo de relacionamentos fracassados… e me perdi na linha tênue entre a autossabotagem e a hora de cair fora. Tudo era névoa.

Eu sabia que tudo aquilo era muito tóxico. Quase radioativo. Eu passava mais tempo chorando e tendo crises de ansiedade, algo realmente não poderia estar bem. E eu preferi achar que o problema era eu, a admitir que o problema era você e a forma como você conduzia nosso relacionamento, a forma como nunca me escutava e sempre tinha milhares de argumentos supostamente racionais para derrubar qualquer coisa que eu dizia, porque eu era sensível.

Mansplaining, gaslighting… e todos aqueles nomes estranhos em inglês que só servem pra definir atitudes babacas dos homens pra reduzir as mulheres… todos eles estavam ali. Logo você, tão desconstruído, tão descolado (até lavava a louça!), falava sobre feminismo, levantava bandeiras do feminismo, bradava contra o Amor Romântico… mas só pra você, quando lhe era conveniente. Eu não podia. Quando me empoderava, lá vinha você com seus argumentos para me fazer sentir culpada, mas a recíproca nunca era verdadeira. Esquerdomacho, outro clichê.

Em algum momento aquilo foi amor, mas depois virou dependência emocional. E se aquele era seu jeito de amar, eu sinto muito por ter que dizer isto… mas espero que mude, porque não é justo receber amor e machucar as pessoas sucessivamente. É egoísta, doentio. Eu saí esgotada, destruída, perdi minhas energias, meu brilho. E não devo ter sido a única que saiu desse jeito das relações com você. Desconfio até que talvez não seja a última.

Fico triste por tudo isso ter acontecido daquela forma, por não ter percebido antes, mas não é mais algo que me afete de fato. Já foi, já juntei os caquinhos, colei-os de volta, não sem ajuda, é claro. E agora me reencontrei e estou em paz comigo, já consigo falar disso tudo abertamente.

Agora entendo um pouco quando a Clementine quis apagar o Joel e tudo que vivera com ele, naquele filme em que eu sempre choro litros, Brilho eterno de uma mente sem lembrança. Apesar de nunca achar que vale a pena apagar tudo, pois olha só quanta coisa teria sido perdida, quanto aprendizado, crescimento, amadurecimento. Mesmo assim você é uma das raras pessoas que eu quis excluir da minha vida. E olha que eu demorei pra fazer isso, mesmo com umas dez pessoas me dizendo quase diariamente “bloqueia!”. Não quero que você saiba de mim, o que faço, aonde vou, com quem… não tem sentido.

Você tinha razão em um ponto, qualquer coisa que viesse depois disso seria fácil. Porque é passando por essas situações horríveis que a gente aprende a valorizar quem cuida da gente de verdade.

 

Nota sobre o fim

24 jul

Quando uma estrela morre, seu brilho ainda permanece por milhões e milhões de anos antes de se extinguir. Talvez com um relacionamento que acabou enquanto ainda há amor aconteça o mesmo: a relação já não existe, mas o carinho, a consideração, o afeto… ainda podem perdurar.

Não é todo dia que duas pessoas adultas saem de uma relação ainda amando, mesmo que estejam quebradas e que já não seja possível ficarem juntas. A maioria termina com ódio, mágoa, rancor… fico honrada por sermos uma exceção. Fico feliz que eu vá lembrar de você com um sorrisinho besta no rosto, que pensar em você vá dar um calorzinho no coração. Porque se tem algo que dói só de imaginar é pensar que o tempo que duas pessoas ficaram juntas foi desperdício, que não deviam ter se envolvido, que gostariam de apagar o tempo que estiveram lado a lado. Não me arrependo do que vivemos, e faria tudo igual, e até melhor. Te aproveitaria mais.

Você estava quebrado por causa do fim de um casamento de dez anos, e eu estava quebrada por conta de uma sucessão de pseudo-relacionamentos que me esgotaram. Foi lindo ver duas pessoas incompletas se ajudando, tentando colar os caquinhos uma da outra. Mas sabemos que dois seres pela metade não conseguem segurar um ao outro por muito tempo. Aos poucos nossas cicatrizes começaram a aparecer, e nosso apoio mútuo começou a desmoronar. É clichê, mas um dia a gente aprende que só amor não basta para manter duas pessoas unidas.

Não te culpo. E não me culpo também. Não existem culpados, só duas pessoas que se entregaram ao caos das emoções. E em um mundo tão racional que recalca emoções, desligar o cérebro um pouquinho é bom, mesmo que machuque depois. Porque além de termos conhecido um lado maravilhoso um do outro que não tá à vista de qualquer pessoa, nosso crescimento foi gigante.

Desejo que você encontre a paz que você procura e se torne uma pessoa íntegra novamente. Mas acima de tudo que a gente se abrace com um sorriso se nossos caminhos se cruzarem.

Excesso de bagagem

2 mar

Estava no aeroporto da vida, me achando pronta para alçar um novo voo quando reparei no caos que consiste meu carrinho de malas. Ele é atulhado com milhões de malinhas, jogadas umas por cima das outras. Para carregá-lo eu preciso fazer malabarismos e evitar que nenhuma delas caia no caminho. Custava eu colocar tudo numa mala gigante, organizada, ao invés de dificultar minha viagem? Seria bem melhor, mas a minha vida amorosa não é assim.

Muitas pessoas passam por essa travessia com uma única mala, grande, por vezes pesada, outras nem tanto. Algumas se cansam de carregar essa mesma mala a vida inteira e acoplam mais alguma, que pode ser uma valise ou apenas uma mala um pouco menor, com rodinhas para ficar mais fácil de carregar. Outras pessoas carregam um mochilão, e tantas outras apenas uma mala de mão. Outras ainda só utilizam o extensor para caber mais coisas dentro.

O conteúdo dessas malas pode ser leve como plumas e lenços de seda, mas também pode ser pesado como concreto ou chumbo. Cada um sabe o que é capaz de carregar, mesmo que dê sobrepeso e a gente tenha que pagar por ele.

malas

Preciso de um desses ;P

O meu carrinho, percebi, dá excesso sempre. E a cada nova viagem fica mais difícil despachar todas as minhas malinhas, torcendo para que nenhuma seja extraviada no caminho. Pior ainda é esperar todas elas passarem na esteira quando a viagem chega ao fim. Quando acho que não falta mais nada, surge mais uma bolsa ali na esteira.

Sempre aterrisso com uma nova mala depois da viagem, e daí tenho que organizar tudo novamente para tentar encaixá-la nessa pilha, sem esquecer de nenhuma. Algumas já têm um lugar fixo no carrinho, fazendo com que seja mais fácil encaixar o restante. Prefiro deixar as mais pesadas embaixo, escondidas, pra não desmoronar tudo se eu as colocar em cima da pilha.

Algumas ficam tão abarrotadas que o zíper da bolsa estoura e tudo o que tinha dentro vem à tona. Conclusão, tenho que pegar outra sacola que comporte aquele conteúdo pra que não me incomode mais.

O que eu queria mesmo era ter uma mala grande onde pudesse ser colocado maior número possível de coisas, e poder deixar por um tempo todas essas pequenas malinhas no guarda-volumes de algum aeroporto, sem me preocupar com elas, pois estariam em segurança. Haja armário pra tanta coisa! Mas enquanto ela não chega, vou me virando pelos aeroportos, pensando na melhor forma de organizar esse caos, sem que ele me atrapalhe quando eu quiser carregar uma nova bagagem de mão.

Resumo de livro

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Arte Literária

“concebida como a arte da palavra materializada pela expressão do pensamento do artista seguindo as vivências relativas a cada época, a cada momento”

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por Cacau Correa

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