Nota sobre o fim

24 jul

Quando uma estrela morre, seu brilho ainda permanece por milhões e milhões de anos antes de se extinguir. Talvez com um relacionamento que acabou enquanto ainda há amor aconteça o mesmo: a relação já não existe, mas o carinho, a consideração, o afeto… ainda podem perdurar.

Não é todo dia que duas pessoas adultas saem de uma relação ainda amando, mesmo que estejam quebradas e que já não seja possível ficarem juntas. A maioria termina com ódio, mágoa, rancor… fico honrada por sermos uma exceção. Fico feliz que eu vá lembrar de você com um sorrisinho besta no rosto, que pensar em você vá dar um calorzinho no coração. Porque se tem algo que dói só de imaginar é pensar que o tempo que duas pessoas ficaram juntas foi desperdício, que não deviam ter se envolvido, que gostariam de apagar o tempo que estiveram lado a lado. Não me arrependo do que vivemos, e faria tudo igual, e até melhor. Te aproveitaria mais.

Você estava quebrado por causa do fim de um casamento de dez anos, e eu estava quebrada por conta de uma sucessão de pseudo-relacionamentos que me esgotaram. Foi lindo ver duas pessoas incompletas se ajudando, tentando colar os caquinhos uma da outra. Mas sabemos que dois seres pela metade não conseguem segurar um ao outro por muito tempo. Aos poucos nossas cicatrizes começaram a aparecer, e nosso apoio mútuo começou a desmoronar. É clichê, mas um dia a gente aprende que só amor não basta para manter duas pessoas unidas.

Não te culpo. E não me culpo também. Não existem culpados, só duas pessoas que se entregaram ao caos das emoções. E em um mundo tão racional que recalca emoções, desligar o cérebro um pouquinho é bom, mesmo que machuque depois. Porque além de termos conhecido um lado maravilhoso um do outro que não tá à vista de qualquer pessoa, nosso crescimento foi gigante.

Desejo que você encontre a paz que você procura e se torne uma pessoa íntegra novamente. Mas acima de tudo que a gente se abrace com um sorriso se nossos caminhos se cruzarem.

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Excesso de bagagem

2 mar

Estava no aeroporto da vida, me achando pronta para alçar um novo voo quando reparei no caos que consiste meu carrinho de malas. Ele é atulhado com milhões de malinhas, jogadas umas por cima das outras. Para carregá-lo eu preciso fazer malabarismos e evitar que nenhuma delas caia no caminho. Custava eu colocar tudo numa mala gigante, organizada, ao invés de dificultar minha viagem? Seria bem melhor, mas a minha vida amorosa não é assim.

Muitas pessoas passam por essa travessia com uma única mala, grande, por vezes pesada, outras nem tanto. Algumas se cansam de carregar essa mesma mala a vida inteira e acoplam mais alguma, que pode ser uma valise ou apenas uma mala um pouco menor, com rodinhas para ficar mais fácil de carregar. Outras pessoas carregam um mochilão, e tantas outras apenas uma mala de mão. Outras ainda só utilizam o extensor para caber mais coisas dentro.

O conteúdo dessas malas pode ser leve como plumas e lenços de seda, mas também pode ser pesado como concreto ou chumbo. Cada um sabe o que é capaz de carregar, mesmo que dê sobrepeso e a gente tenha que pagar por ele.

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Preciso de um desses ;P

O meu carrinho, percebi, dá excesso sempre. E a cada nova viagem fica mais difícil despachar todas as minhas malinhas, torcendo para que nenhuma seja extraviada no caminho. Pior ainda é esperar todas elas passarem na esteira quando a viagem chega ao fim. Quando acho que não falta mais nada, surge mais uma bolsa ali na esteira.

Sempre aterrisso com uma nova mala depois da viagem, e daí tenho que organizar tudo novamente para tentar encaixá-la nessa pilha, sem esquecer de nenhuma. Algumas já têm um lugar fixo no carrinho, fazendo com que seja mais fácil encaixar o restante. Prefiro deixar as mais pesadas embaixo, escondidas, pra não desmoronar tudo se eu as colocar em cima da pilha.

Algumas ficam tão abarrotadas que o zíper da bolsa estoura e tudo o que tinha dentro vem à tona. Conclusão, tenho que pegar outra sacola que comporte aquele conteúdo pra que não me incomode mais.

O que eu queria mesmo era ter uma mala grande onde pudesse ser colocado maior número possível de coisas, e poder deixar por um tempo todas essas pequenas malinhas no guarda-volumes de algum aeroporto, sem me preocupar com elas, pois estariam em segurança. Haja armário pra tanta coisa! Mas enquanto ela não chega, vou me virando pelos aeroportos, pensando na melhor forma de organizar esse caos, sem que ele me atrapalhe quando eu quiser carregar uma nova bagagem de mão.

Escravos do celular

10 fev

Ultimamente tenho me sentido muito dependente do meu celular (ou smartphone, como queiram). A cada dois minutos desbloqueio e olho para a tela, à procura de alguma notificação, principalmente de mensagem. E não é de crush não. É de qualquer pessoa. Mesmo que eu não tenha enviado mensagem para ninguém nos milhares de apps, estou lá pegando o celular e olhando pra ele.

Também me sinto a trouxona que responde mensagem logo. É que se eu vejo, é porque pude parar pra olhar o celular. E se eu posso olhar, posso responder. Percebi que ando ficando muito tempo online. Ultimamente só desligo a internet (dados móveis ou wi-fi) quando vou dormir, ou quando estou na rua, e isso tem sido pouco, tenho ficado cada vez menos offline.

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Eu, que em encontros com os amigos criticava quando pegavam o celular para olhar as mensagens e respondiam “aham” quando outras pessoas em volta estavam falando, tenho feito igual. Porque chega aquela hora escrota em que todo mundo na mesa pega o celular, e cada um fica no seu mundinho, esquecendo de quem tá ali do lado. Bom, deve estar acontecendo algo MUITO IMPORTANTE no mundo lá fora que eu não posso perder, então quero saber também. Mas o que tá acontecendo nem é tão importante assim, na verdade, e estamos perdendo momentos ao vivo porque priorizamos o virtual e estamos cada vez mais anti-sociais.

Não sei dizer em que momento essa ansiedade toda começou, acho que foi progressivo. Uns meses atrás eu já havia tirado as opções de visualização do whatsapp, mas parece que não adiantou nada. Pelo contrário, parece que piorou. Hoje resolvi desinstalar o messenger. E estou decidida a deixar meu celular morrer de vez e ficar sem isso por um tempo (ele já tá apresentando sinais de falência múltipla).

As pessoas também parecem estar levando “Pics or it didn’t happen” a sério de mais. A selfie é mais importante do que aproveitar o momento. Provar que foi a um evento ou fez uma viagem é mais importante do que viver essas coisas todas. Ver um show através da tela de um celular (ou, pior, de  um tablet, como já presenciei algumas vezes) pra gravar tudo é mais importante do que curtir o show em si.

Quando foi que a tecnologia começou a ser inconveniente e nos causar esses transtornos todos? Será que só eu tenho me incomodado com isso? 7 bilhões de pessoas no mundo, não devo ser a diferentona. Mas onde estão essas pessoas? Porque parece que todo mundo tá na mesma, apenas ainda não se deu conta.

Desculpe o transtorno, precisamos falar sobre sororidade

17 set
Desde sempre nós mulheres somos criadas para enxergar as outras mulheres como rivais. A outra mulher é aquela que vai roubar seu namorado, aquela que vai furar seu olho se você disser que gosta do menino x na 6a série, aquela que vai botar olho gordo nas coisas que você conta, aquela que vai invadir seu território, que vai ter um sapato melhor, uma roupa melhor, um cabelo mais bonito. O incentivo à competição (pela mídia, pela sociedade, por sabe a Deusa quem) vai das coisas mais fúteis até as mais complexas.
Esses dias aconteceu uma coisa que me incomodou, mas na hora não entendi o que estava me incomodando, e até demorei um pouco pra sacar.
Num dia em que meus amigos mais chegados furaram o programa de sexta à noite, me comuniquei com dois conhecidos que sabia que estariam lá, e eles confirmara. Veja que ficar em casa não era uma opção. Então eu fui e encontrei essas pessoas lá. Ambos eram homens e estavam com mais um grupo de homens e mulheres. Meus amigos tentaram me enturmar com as pessoas que eu não conhecia.
Não houve muita resposta de nenhum dos dois gêneros, mas a receptividade das meninas foi um pouco pior. Várias vezes elas viravam as costas pra mim e me excluíam do grupinho, ignoraram completamente minha existência ou qualquer tentativa de aproximação.  Daí, bom, fiquei no meu canto. Pode ter sido um erro meu pré-julgamento sem insistir em puxar assunto também, mas fiquei meio intimidada – e até mal com isso – e limitei meu contato com as pessoas que já conhecia. Acho que eu esperava mais empatia quando elas vissem que tinha uma menina chegando sozinha no grupo, até porque já vi isso acontecer algumas vezes.
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Acho que fiquei inclusive com uma cara bem horrível, porque algumas vezes meu amigo perguntou se eu táva bem e se tinha acontecido alguma coisa. Quem tá mais próximo de mim certamente vai identificar o local e tudo, e quem táva lá provavelmente vai saber qual foi a situação também, mas não é esse o ponto. Não é só comigo que acontece e não foi um caso isolado. É sempre, todo dia, toda hora, em qualquer lugar. É no colégio, na escola de dança, na faculdade, numa festa, num bar, num churrasco. Algumas mulheres ainda acham que a garota nova que chega está lá para tomar seu território, e não é isso, ela só quer fazer parte daquele ambiente, se sentir acolhida. Alguém assiste ou assistiu Gilmore Girls? A Rory sofreu bastante hostilidade da Paris por um bom tempo por conta disso. Vê? Até nas séries acontece, e é uma cultura que se perpetua.
 
Por que ainda agimos assim com outras mulheres? Sei que nem todas tiveram oportunidade de ouvir o que o feminismo tem a dizer, seja por medo, por contra-propaganda, por desinformação, ou só porque “a palavra” não chegou até ela. 
Sei que ninguém é perfeito, e todos os dias estamos nos desconstruindo ante essas visões de mundo, e nos libertando delas, tentando ser pessoas melhores. Mas muitas ainda reproduzem os comportamentos machistas, que na verdade são esperados  e considerados naturais, já que isso está tão enraizado.
Muitas vezes nem percebemos o que fazemos. Que tal pensar um pouco nas próprias ações? Que tal colocar-se no lugar da outra? Que tal ter um pouco mais de empatia? Precisamos, manas, pois estamos apenas por nós mesmas. Isso é sororidade. Eu sei que ninguém é santo, mas falta de caráter independe de gênero. Nós apenas não podemos partir do pressuposto de que a outra é nossa inimiga, porque na maioria das vezes ela não é.

Reticências

4 abr

Se tem uma coisa que detesto em relacionamentos amorosos é aquela fase do limbo. Você não sabe mais o que vocês são, se param ou continuam, se ~a coisa~ vai pra frente, se o outro não quer mais… às vezes a pessoa some, dali a pouco reaparece, que diabo é isso?

Eu nesse sentido penso de um jeito meio negativo, porque sempre interpreto esse distanciamento como falta de interesse. Como que até outro dia, no meio de tantos compromissos, a pessoa tinha tempo pra te mandar um oi e dar uma satisfação por ter desaparecido o dia todo, e agora com os mesmos 300 afazeres nem lembra mais que você existe – e quando você pergunta, responde que estava ocupado? É o famoso “quem quer dá um jeito, quem não quer, arranja uma desculpa“.

Quando eu vejo que a casa começa a ruir, eu tendo a sair de dentro dela e jogo a chave fora para não mais voltar, antes que ela desabe em cima de mim. Eu vejo como uma forma de me proteger da dor de um fim que parece iminente. Mas também pode ser uma auto-sabotagem por medo. No fundo, os dois são o mesmo. Eu apenas não sei lidar. Como tentar consertar os alicerces sem se desesperar? Já tentei algumas vezes e parece que o remendo ficou pior, então eu apenas caí fora e deixei a casa desabar.

Eu não entendo qual a dificuldade em chegar e dizer: olha, não tô mais a fim. Sei que há pessoas que fazem escândalo, ameaçam,  stalkeiam e/ou perseguem… mas felizmente é uma minoria, o restante das pessoas é completamente normal e vai entender. Vamos ficar tristes? Sim. Chorar? Provavelmente. Mas sem maiores complicações, a vida segue.

Costumo ser bem objetiva e sincera quando acontece o inverso, porque não consigo simplesmente enrolar e sumir. Também nunca sei como falar, mas aquilo me incomoda tanto que uma hora sai. Fico com a impressão de que estou enganando o cara e o fazendo perder tempo enquanto ele poderia conhecer outra pessoa, ou estar curtindo com alguém que goste dele e que vai oferecer um “sentimento” (aspas porque não sei como chamar) que eu não correspondo. Não nasci com o dom de ser reticente, e nem de adivinhar o que significa o silêncio alheio. Se a pessoa não falar, eu não tenho como saber. Menos ainda para levar em frente algo que nem sei mais o que é e que me passa uma sensação de que já deu. Mesmo que doa, prefiro muito mais cravar um ponto final.

 

O tamanho do meu guarda-roupa

20 mar

No final do ano passado resolvi desafiar a mim mesma e tentar não repetir roupa até que todo meu estoque de blusinhas acabasse. Infelizmente não sou blogueira de moda e não tive a ideia de registrar o look do dia em cada um desses 76 dias.

Comecei meu autodesafio no dia 1º de janeiro, e tentava colocar as blusinhas, saias e vestidos já usados por baixo da pilha de roupas depois que eu os lavava e recolhia do varal. Meu desafio meio que acabou no dia 16 de março.

Digo “meio” porque as que se esgotaram foram as roupas de verão. Ainda tá fazendo calor onde moro, então resta uma gaveta inteira de blusas meia estação e de mangas compridas. Devo ter usado umas três delas apenas em dias que a temperatura caiu um pouco. Além disso, ainda sobraram dois vestidos e uma saia “de festa” que não tive ocasião para usar e umas três blusinhas pra sair, que não consigo usar no dia-a-dia (em dúvida sobre uso do hífen nesse caso haha). Também não entraram ainda nessa contagem as calças (que usei poucas) e os casacos, obviamente. Talvez renda mais um desafio quando chegar o inverno… vou pensar nisso.

Por que fiz isso? Comecei a reparar que eu escolhia sempre a mesma meia dúzia de blusinhas para trabalhar ou sair, e que arrumando o guarda-roupa eu encontrava blusas e vestidos dos quais nem lembrava mais, mas que eram lindos e deveriam ser mostrados ao mundo. Tenho várias peças que comprei há dois, três anos e usei uma vez na vida. Apesar de serem “velhas”, estão super bem conservadas porque usei pouco. Tive uma fase bem consumista quando morava a duas quadras do shopping. Fora as passadinhas no centro da cidade quando eu tinha aulas perto das principais ruas comerciais…

Na época em que eu morava em república ou dividia apartamento com outras meninas, a gente vivia fazendo troca de roupas em limpezas periódicas. Isso era bem saudável porque tirava do meu armário justamente aquelas peças que eu com certeza não iria usar mais. Agora elas estão se acumulando numa sacola num canto aqui de casa. Não sou estilosa e essas roupas não são de marca, então não compensa tentar vender no Enjoei.com, por exemplo (aliás, eu tentei algumas vezes e o site recusou todas as minhas ofertas). Brechós também pagam uma miséria pelas peças. Doar? Talvez, mas não sei se uma blusa lilás tomara-que-caia teria alguma utilidade para uma pessoa carente.

Eu confesso que não tinha muita noção do tamanho do meu armário e achei que esgotaria as roupas todas bem antes do que realmente aconteceu. Mais de 80 combinações de roupa não é brincadeira. Somando as que ainda sobraram, deve dar mais de 100. Isso seria quase meio ano! Considero um absurdo e espero ficar um bom tempo sem comprar roupas.

Tinderela

13 mar

Ontem à noite resolvi finalmente deletar minha conta no Tinder, depois de meses sem nem abrir o aplicativo. Pode não ser definitivo, e nem é a maior das decisões da vida, mas depois de quase dois anos com meu perfil ativo, não me é mais necessário por enquanto.

Entrei no Tinder porque tinha acabado um “relacionamento” havia poucos meses e não tinha ideia de onde poderia começar a conhecer outros caras. Por indicação de várias pessoas, e porque táva na moda criar uma conta no app, pensei comigo mesma “por que não?”

Entre homens que davam match e puxavam papo de madrugada perguntando “e aí gatinha, onde você mora? O que está fazendo? Quero ir na sua casa, ou você vem na minha” e mandavam fotos seminus pelo whatsapp (sim, pra uma pessoa que ele havia conhecido há cinco minutos), e que pediam nudes também (que aliás nunca enviei e dáva block na hora),  encontrei alguns espécimes que foram além.

Pausa. Eu nunca fui adepta de encontrar uma pessoa aleatória somente para fazer sexo. Sempre achei essa ideia bizarra e dei vários cortes em quem insinuou que queria ~me comer~ em poucos minutos de conversa virtual. Na verdade, quando eu percebi que essa não era a minha vibe, diferente de 90% que usam o Tinder, fiz um favor ao mundo e escrevi no meu perfil “Não faço a mínima ideia de porque estou aqui”. E nada mais. Acredito que isso tenha afastado os mais sedentos por sexo casual.

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Saí com poucos caras, uns dez no máximo. Em dois anos, uma média baixíssima, considerando que muitos amigos meus saíam toda semana com gente que haviam conhecido no Tinder . Com uns três deles  não aconteceu nada de mais e viraram meus amigos. Outros dois queriam namorar sério. Também encontrei perfis de conhecidos, com os quais a ferramenta só “facilitou” as coisas. Faltava um empurrãozinho, que poderia ter surgido de outra forma. Então a finalidade pela qual eu estava ali não fazia mais tanto sentido, né?

Mas o que me motivou a abandonar o app (e minha conta ficou lá sem ser usada por meses até que a deletei) foi um cara que em dois encontros conseguiu me assustar e me fez sair correndo pras colinas. No primeiro encontro ele veio com um papo sobre uso de drogas alucinógenas. Ele também tinha uma garrafa de vinho no carro, e uma taça. Certamente estava nos planos dele me embebedar e me levar pra cama depois do jantar – tentativa frustrada, por sinal. No segundo rolou o seguinte diálogo:

– O que é isso no seu pé? – ele disse apontando pro meu tornozelo.

– Ah, é uma tornozeleira – respondi bem inocente

-Hum, assim fica mais fácil de identificar um cadáver.

-Mas se não quiserem me identificar é só arrancar – Bem ingênua eu respondi. E a coisa continuou:

-Pra que arrancar só a tornozeleira se dá pra cortar os pés da pessoa? – disse ele rindo – E dá também pra tirar a arcada dentária. Mas não é legal fazer essas coisas com a pessoa morta.

Eu fiquei no mínimo enojada. Na hora ignorei. Mas, não bastasse tudo isso, veio uma conversa sobre rituais satânicos envolvendo sêmen, menstruação e o sacrifício de um animal. Pra piorar um pouco o cenário, ele morava num bairro super afastado (e eu tinha enviado minha localização para uma amiga no caso de eu sumir por um tempo maior que o normal) e numa casa que tinha mais portas do que Hogwarts. Fiz ele abrir uma por uma pra eu saber o que ou quem tinha lá dentro. Ele disse que morava sozinho, mas nunca se sabe se vão sair três caras de um dos quartos e te estuprar. Ser mulher envolve ter medo desse tipo de coisa, infelizmente.

Depois que cheguei em casa inteira, me perguntei se estava me auto-sabotando com esse medo todo dele… porque eu costumo me auto-sabotar demais para não me envolver com alguém. Uma amiga depois de uns dias me disse, quando contei essa história: você sabe que sou a primeira pessoa a apontar na sua cara quando você se auto-sabota, mas dessa vez… FUJA!

Por alguns dias ele tentou me chamar pra sair novamente e eu fiquei enrolando. Será que eu devia jogar a real? “Então, te achei meio psicopata e acho melhor não nos vermos mais por questões de segurança”. Disse que éramos muito diferentes e que não ia rolar mais, apenas. Por questões de segurança. Pode ser que ele apenas não fosse sociável e não tivesse modos de conversar com uma pessoa, que não soubesse puxar assunto. Preferi não pagar pra ver. Esse foi meu último encontro tinderesco, depois achei que realmente poderia acontecer comigo uma daquelas histórias do Datena ou do Aqui, Agora.

Conversando com um amigo outro dia, ele me questionou há quanto tempo fazia que não conhecia alguém sem ser no Tinder. Sabe essas conversas filosóficas que te fazem parar pra pensar? Puxei o histórico na memória e reparei que não precisava mais dessa muleta pra conhecer gente. O Tinder talvez tenha sido útil numa época que eu precisava expandir meus horizontes, mas depois se tornou obsoleto. Nada melhor do que conhecer uma pessoa de maneira natural e deixar rolar. E isso pode acontecer em qualquer lugar.

 

 

 

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