Epifania de Frango

25 mar

Ele não tem cara de empadão de frango. Mas no meio da minha janta numa sexta-feira à noite antes de ir a uma festa da faculdade, de repente, “não mais que de repente” diria Vinicius de Moraes, eu lembrei dele. Parei com o garfo no ar e fiquei olhando pro nada, meus movimentos se tornando mecânicos e estranhamente lentos. A mínima lembrança daquela pessoa que um dia fora querida me deixou entorpecida. Se eu dissesse que lembro como eram seus beijos estaria mentindo, mas ainda me lembro de seu olhar meio de lado, com um sorrisinho malicioso na boca.

Na época em que não demos certo eu o xingava de canalha e de todos os sinônimos possíveis para esse adjetivo. Mas hoje já não sei se era bem assim, e nem posso dizer se a culpa foi mesmo dele. Se é que existe um culpado. Olho para trás e não consigo mais sentir aquela raiva que me dominara inicialmente. Só tenho lembranças boas, ao mesmo tempo em que sinto um vazio. Pena não ter dado certo.

Ele mudou de estado, eu sei, mas ainda é estranho não o ver mais nas festas da faculdade. E se um dia eu o encontrasse de novo, inesperadamente, apesar de já estar esperando? Qual seria minha reação? E a dele? Deu tempo de repassar na mente toda a nossa história, o que foi e o que devia (e podia) ter sido. Quando me dei conta, estava já tomando o último gole de meu refrigerante.  Olho no relógio. Vou pra festa. E beber pra esquecer.

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