O beijo

9 jan

A gente se conheceu num churrasco, vários amigos em comum. Nos tornamos amigos também, e depois de uns meses aquela relação foi ficando mais estreita, a gente saía juntos, dava boas risadas, conversava todos os dias. Parecia que rolava um climinha, mas não acontecia nada. Qual dos dois tinha mais medo? Vieram as férias, viajamos para nossas cidades, bateram saudades. Saudades declaradas, com direito a torpedo SMS vindo de outro estado, questionando quando eu voltaria.

O reencontro foi logo depois das férias, num happy hour. Estava numa rodinha com as amigas (que ele conhecia também), e ele não parava de me olhar. Até elas me disseram isso, e me incentivaram a ir falar com ele. Quando cheguei, o amigo dele até saiu de perto, e ficou espreitando a distância. Inventei algum assunto besta, só para puxar papo mesmo. Não lembro como o diálogo chegou naquele ponto, ele falando algo sobre os carinhas da festa e eu dizendo que não queria nenhum deles, mas terminou com a gente se provocando e ele perguntando, me olhando do alto e com aquela cara de safado que já sabe a resposta: “e quem tu quer, então?” Nem pensei duas vezes, olhei pra cara dele e disse “você”. Ele veio metade, eu a outra metade.

Vai dizer que o tempo não paro-ou naquele momento? E como parou. Não foi um beijinho mequetrefe. Foi longo, intenso. Quando a gente parou, ele olhou nos meus olhos, me deu um beijo na testa e me abraçou. E foi um abraço gostoso, aconchegante. Eu pensei “nossa, fazia tempo que alguém não me abraçava desse jeito”. Depois de tudo isso, o que veio a seguir não fez nenhum sentido.

Ele me solta e diz: “você táva muito a fim?” (epa!)

— Por que, você não táva? (eu não esperava a pergunta e gaguejei um pouco)

—Táva. Não sei. Não queria estragar nossa amizade.

—Já sei, fizemos merda. (escapou!)

—Não, relaxa, pra mim não mudou nada. (como assim não mudou nada, seu insensível???)

—Ai. Não acredito que você tá falando isso.

—Por quê?

—Nada, esquece. (não consegui raciocinar, só pensei nisso pra responder, estava quase desabando)

—Não, fala.

—Nada. Me deixa. (você deveria entender o contrário e dizer algo decente, não simplesmente acatar o que eu dizia, idiota!)

Não lembro do resto do diálogo, nem sei se prestei atenção tamanho o choque que levei. Meu mundo desmoronou em dois segundos. Abaixei a cabeça, ele pediu desculpas e disse pra eu ficar bem. Depois, saiu. Fiquei meio abobalhada e demorei pra encontrar os outros amigos, que até me perguntaram o que tinha acontecido. O resto da noite foi terrível e eu só queria ir para casa. Na madrugada ainda recebi um torpedo com um pedido de desculpas e dizendo que aquilo não ia mudar em nada nossa amizade. Só que pra mim já havia mudado tudo.

O que aconteceu depois? Nada. Ele veio dizer que estava mal por minha causa, por causa dele, “por nossa causa”, disse estar confuso e nunca mais conversamos. Assim, o nome desse post também pode ser “Como perder um amigo”

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Uma resposta to “O beijo”

  1. Johnny 9 de janeiro de 2013 às 20:58 #

    Esse cara é um merdinha… Na verdade, é um moleque… No sentido literal da palavra.

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