Feminista, eu?

22 maio

Vi um comentário de uma amiga que dizia o seguinte “nem curto muito o feminismo, mas também não curto hipocrisia”, num texto que fala como se sente uma mulher nos dias de hoje, do blog PapodeHomem. Em compensação, uma outra conhecida minha, super feminista – militante, eu diria -, me disse uma vez “na realidade, se vc não é favorável ao machismo (nem ao feminismo, suponho), então é feminista. Não precisa de nada além de acreditar que eles possam ter igualdade de direitos”.

Essas duas coisas me fazem pensar. Se intitular feminista hoje tem uma conotação negativa, assim como se dizer comunista lá em 1900 e bolinha um dia teve. Acho que as pessoas imaginam uma feminista como uma mulher gritando e bradando, levantando bandeiras o tempo todo e fazendo protestos. Não sou cega, sei que há protestos, há mulheres mais engajadas na luta, que tentam fazer o mundo pensar de outra forma, que se exaltam nas manifestações e acabam presas. Logo, nesse cenário, é até vergonhoso se dizer feminista, então entendo quando minha amiga compartilha aquele texto e faz aquele comentário. As pessoas tendem a achar que você é do Femen e vai ser presa na Ucrânia sem sutiã durante um protesto.

Acho que esses protestos são exagero e que eles são a forma errada de tentar chamar a atenção, mas isso é opinião minha e ninguém é obrigado a concordar. Eu não sairia por aí fazendo isso. O meu protesto acontece mais sutilmente, em rodas de amigos, conversas de bar, ou em algum conversa com um cara que sai comigo. Apenas conversando, argumentando, tentando fazê-los refletir, e quem sabe, mudar. Mas sei também (e elas também devem saber) que mudar a mentalidade de mais de 2 mil anos em algumas décadas é muito difícil.

Mas também, como mulher, concordo que existe uma cultura machista que nos impõe padrões de beleza para agradar aos homens (e não vou ser hipócrita a ponto de negar que sou uma vitima desses padrões. Mas estou bem assim e fechemos esse parêntese), uma cultura que muitas vezes nos trata como objeto sexual, nos inferioriza com salários mais baixos e que nos chama de incompetentes para ocupar “cargos masculinos”, além de nos tratar como fúteis e tentar afirmar coisas que não são verdade sobre o gênero  (“amizade de mulher não é verdadeira” e “mulher é ruim de volante”).

Acho que o feminismo está em ser crítica a ponto de não se submeter a fazer o que o homem quer porque ele diz ter “necessidades físicas”. Em não achar a menor graça quando alguém buzina para você na rua ou grita “gostosa”. Em exigir respeito na rua, na balada, no trabalho – algo muito diferente de “se dar ao respeito” porque isso também é uma visão machista. Em ter consciência que muita coisa é assédio, e que ele pode se manifestar a qualquer hora do seu dia, inclusive até as últimas consequências, e que, infelizmente, a gente tá sujeita a isso e tem que tomar cuidado. Feminista, acho que sim, mas nem tanto.

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