Efeito de real

1 jul

Fazia quase um mês que as duas garotas não se viam, e precisavam muito trocar confidências novamente, papo de amiga mesmo. Marcaram o encontro em uma manhã ensolarada de sábado, no centro da cidade, para fazer compras e fofocar. Ao se verem, as amigas trocaram um sorriso e um abraço apertado.

Uma delas feliz da vida porque tinha começado a namorar recentemente, e estava radiante, contando como conhecera o novo amor de sua vida numa festa da faculdade. A outra estava indiferente: mais um de seus romances não havia dado certo e ela dizia à colega que achava que o problema era com ela própria, e não com os homens.

Perto da uma da tarde, depois de andarem muito, entrarem em várias lojas e comprarem o que lhes era de direito – até gastarem mais do que podiam -, bateu a fome e foram comer um lanche no Bob’s.

– Double cheddar, batata frita e um milk shake de ovomaltine. – e quando o atendente lhe entregou a bandeja, pediu – me vê catchup e mostarda, por favor?

Sentaram-se de frente uma para a outra, as sacolas de compras na cadeira ao lado. Começaram um assunto mais leve para não dar indigestão depois daquele fast food delicioso: falar da vida alheia. Uma delas contou um episódio engraçado que tinha acontecido com um amigo em comum e a outra não se aguentou: caiu na gargalhada no meio do restaurante, quando comia as batatinhas. Tentou se controlar e derrubou o sachê de catchup no chão com algumas batatas. Teve a impressão de que todo o restaurante olhava para ela com ar de censura.

Abaixou-se para recolher a sujeira e resgatar o catchup fechado para continuar saboreando seu almoço. Ainda rindo, com a cabeça embaixo da mesa procurando o sachê, notou seu tênis desamarrado e o cadarço preso no pé da cadeira. Amarrou o calçado e quando localizou o pacotinho vermelho, pegou-o.

Depois do almoço, as lojas já fechavam e as amigas decidiram ir embora. Se despediram no terminal de ônibus, cada uma para um lado. Já sozinha, uma delas entrou no ônibus, sentou-se, colocou os fones do MP3 no ouvido, recostou a cabeça na janela, as compras no assento ao lado, e ficou pensando no paradoxo de sentir inveja da amiga por ser bem-sucedida no amor novamente, e ao mesmo tempo se sentir feliz por ela. Coisa estranha.

*Texto fictício escrito para aula de Redação VI, para tentar criar um efeito de real na narrativa. Será que atingi o objetivo? 

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4 Respostas to “Efeito de real”

  1. O que não posso Dizer 5 de julho de 2013 às 10:25 #

    Muito bom!

  2. bloggarotabonita 4 de julho de 2013 às 21:22 #

    gostei do seu texto. é bem a vida do adolescente mesmo, vive muito isso aí.

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