A mais simples

9 ago

– Amiga, se arruma logo que o Renan vai passar aqui pra buscar a gente em meia hora.

– Meia hora?! Como assim? Aonde a gente vai?

– É uma baladinha chique.

Saí correndo pra me arrumar. Nem deu tempo de fazer as unhas. No cabelo, uma chapinha rápida, e prendi metade dele bem alto para poupar tempo, penteado bem básico. Uma maquiagem, também rápida. Coloquei brincos enormes de strass (os mais lindos que tenho ou já tive até hoje) e meu melhor vestido, um tomara que caia preto, de renda. Meu único par de sapatos de salto que combinava com a roupa (pretinho básico de bico fino) ainda tinha resquícios de alguma festa anterior e eu não tinha tido tempo de limpar. Não estava no seu melhor estado (nem no pior também), mas no escuro quem ia ver?

The old Double Seven, crédito: On The Inside

The old Double Seven, crédito: On The Inside

Cheguei no lugar com minha amiga e nunca me senti tão mal. Primeiro que era um aniversário de alguém que eu não conhecia, mas minha amiga me levou porque ela estava hospedada na minha casa – e também porque conhecia pouca gente: uma parte era a turma do ex-namorado dela que tinha chamado a gente, a outra só Deus sabe. Segundo que um amigo do ex dela, com o qual eu já tinha ficado e tinha sido péssimo, estava lá. E por último, mas o que mais pesou: eu estava com a minha melhor roupa e estava me sentindo um lixo, mal vestida e feia. Eu já tinha ido a outras baladinhas chiques e me senti bem, normal, mas naquela eu me senti horrível. As meninas, muito mais bem vestidas do que eu, com sapatos lindos e maxi colares maravilhosos,  me olhavam de alto a baixo, como me avaliando, com aquele ar nojentinho de desprezo.

Eu sentada no sofazinho chique do lounge, com um copo de vodka, gelo e alguma coisa na mão, só reparava nos sapatos impecáveis, e olhava para o meu pretinho velho de guerra, pensando que precisava de um novo (aliás vou ter que confessar que depois desse episódio comprei trocentos sapatos novos e sandálias, antes nem ligava tanto). Mas uma outra pessoa olhava para mim, e não era por causa do calçado ou do look mais simples.

Loiro, alto, de olhos azuis: ele mesmo, o amigo do ex da amiga. Fazia mais de um ano que a gente nem conversava, não tinha rolado uma química legal e tudo ficou por isso mesmo. Na primeira interação, houve uma troca de farpas, daí ele saiu de fininho, como um cão arrependido com as orelhas caídas e o rabo entre as patas, e voltou pra turma dele. Mas toda hora ele voltava, passava por mim e parava pra puxar papo, daí a gente conversava numa boa, e tudo bem. Minha amiga até achou estranho ele vir falar comigo, tão orgulhoso que é “e com tantas gurias se jogando em cima dele”. Até me assustei quando ela disse isso, mas comecei a reparar e os olhares se tornaram meio ameaçadores “como pode ele estar atrás dessa ridícula?”.

Lá pelas tantas, vou ao banheiro. Nada demais, se o carinha não tivesse resolvido ir atrás de mim. Os toiletes masculino e feminino eram no mesmo corredor, meio escondido do resto do lounge. Foi atrás e ainda ficou me esperando na saída. Me parou e puxou conversa, e só saiu quando uma garota de vestido amarelo, que estava na turma, passou e ficou olhando feio pra gente. Ele deu um migué, foi ao banheiro, e eu voltei pra balada. Um pouco mais tarde, essa mesma garota, já bastante bêbada, o agarrava pelo pescoço chorando, e ele bem sério desviando o rosto. E olhava pra mim. Fingi que não era comigo, disfarcei, fiquei longe. Pensou se a moça percebe e arma um barraco?

Dentro do mesmo camarote, outra garota, mas de um outro grupinho, também tentou investir. Ficou um tempão conversando com ele no sofá, pendurada no pescoço dele também. E nada. Depois de um tempo ele se levantou e largou a menina sozinha. Adivinha o que ele fez? Veio direto falar comigo. Se eu ficasse com ele, era encrenca na certa, eu ia apanhar e não seria de uma só. Mas não, eu táva de boa e tinha noção do perigo.  Fiquei na minha. Claro, o ambiente era totalmente desfavorável.

Qual a moral da história? Que não adianta se produzir que nem um pavão que não necessariamente o cara vai olhar pra você? Principalmente se você tinha a intenção de chamar a atenção dele; arrume-se para você, para se sentir bem, e não para os outros (olha eu sendo contraditória!).  Ou que não adianta se jogar no pescoço do cara que ele vai dar bola justamente pr’aquela que não tá dando bola pra ele porque é um alvo difícil? Ou tudo isso junto? Fomos embora, e eu com sensação de alívio por sair sem levar uma porrada de alguma guria ciumenta.

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10 Respostas to “A mais simples”

  1. Thayse 16 de agosto de 2013 às 14:12 #

    Sempre assim: rola aquele encantamento por pessoas que nunca estão nem aí pra gente e o mesmo pode acontecer conosco! Gostei do texto 😀

    Ah, a estampa galaxy é complicada de pensar misturando outras estampas, mas dá pra tentar pensando nas cores e investindo em coisas mais neutras! Espero que você consiga usar mais a sua saia, hehe


    Beijos
    Brilho de Aluguel

  2. Fernanda Faleiro 12 de agosto de 2013 às 13:53 #

    Realmente não adianta se arrumar demais se o principal você deixar de lado… O interior.
    Adoro me arrumar e quando sei que terá uma festa, começo a pensar na roupa 1 mês antes, mas tudo tem que ser em conjunto.
    Adorei o texto.

    Beijos

    • batomesalto 12 de agosto de 2013 às 21:04 #

      Também faço isso, pensar antes na roupa, tudo combinando… Sempre bate aquele crise de não saber o que vestir… mas essa realmente foi de última hora!
      Obrigada pelo feedback! Volte mais vezes! 🙂

  3. jenleoncio 11 de agosto de 2013 às 23:02 #

    Isso me fez me lembrar uma vez que eu fui numa balada e me senti muito mal! hahahah
    Especialmente por todos estarem muito arrumados e eu nem tanto (sem salto, porque eu não posso!)
    Mas eu sempre tento pensar que não é só porque você ta super bem arrumada, ou um pavão, que alguém vai te notar! Acho que a gente tem que se sentir bem e confortável independente de roupa. Ai assim, os olhares vão chegar! Infelizmente eu aprendi isso depois da balada que eu fui e ter me sentido mal! hahaah
    Beijinhos, nega

    • batomesalto 12 de agosto de 2013 às 10:59 #

      Aprendi a mesma coisa depois disso, Jenny!
      Porque eu táva me sentindo mal e mesmo assim alguém olhou pra mim! Então não importa a roupa, importa o que você é. 😉
      Beijos, flor!

      • jenleoncio 12 de agosto de 2013 às 11:30 #

        Aham!!! Extamente!
        Porque sera que a gente só aprendi depois, né? hahahahaha
        Seria mais fácil se for antes! hahaha
        Beijinhos, nega!

  4. luluonthesky 11 de agosto de 2013 às 15:47 #

    Tb estava torcendo por você, mas já vivi uma situação semelhante a sua. A gente aprende que temos que arrumar pra nós mesmas. O primeiro e o último amor é o amor próprio. Obrigada pela visita ao blog. Seja bem-vinda

    Big Beijos

    http://luluonthesky.blogspot.com.br

  5. marielfernandes 10 de agosto de 2013 às 19:23 #

    Tá, meu eu estava torcendo por você.

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