Aparição

2 maio

Qual não foi o meu susto ao dar de cara com você quando fiz a curva num corredor do supermercado? Três anos! A gente vive na mesma cidade, possivelmente frequenta as mesmas festas, as mesmas casas noturnas e bares, e eu nunca tive o prazer (ou desprazer) de encontrar você  em nenhum desses lugares. Lembro que você simplesmente sumiu, assim, sem deixar nenhum rastro.

desencontro

Nem chegou a ser um relacionamento sério, você me descartou como quem se desfaz de um brinquedo depois de enjoar da brincadeira. Infelizmente me marcou demais, porque eu estava numa fase péssima. Tinha acabado de sair de mais um rolo da minha vida, e ainda acreditava que “a dor do amor é com outro amor que a gente cura”. Ao invés de me recolher, não: me joguei nos seus braços achando que você podia consertar tudo, e você acabou jogando uma pá de cal pra selar a minha vida amorosa desgraçada. Qual era o meu problema?

Eis que num domingo à tarde, de cestinha na mão fazendo compras, passei por você e fiquei intrigada, será que era? “Eu acho que vi uma pessoa, vamos voltar pro outro corredor, preciso ter certeza”, comentei com uma amiga que estava me fazendo companhia. Ela achou um pouco estranho e quis saber quem poderia ser, quando contei, até ela ficou surpresa.

Fui atrás de você e de sua namorada, parei a poucos metros olhando uma prateleira de chocolates. Era mesmo. Você olhou pra mim de relance, com cara de paisagem. Falei com minha amiga, demos um migué, saímos daquele corredor. O que me indignava era não ter te encontrado antes, uns dois anos atrás, em outras situações mais propícias a esses encontros – e, claro, como qualquer garota que foi chutada, poder mostrar o que você estava perdendo. Numa paráfrase barata dos Beatles, “but now these days are gone, I’m MORE selfed assure / Now I find, I’ve changed my mind and opened up the doors”, ou pelo menos eu acho.

Ainda tenho dúvida se você não me reconheceu ou disfarçou muito bem. Confesso que prefiro que você não tenha me reconhecido mesmo, seria mais um sinal de que eu realmente mudei e não sou mais a menininha daquele tempo. Você, no entanto, não mudou quase nada, apesar de ser agora um completo estranho. Seu fantasma trouxe algumas lembranças apenas, não foi mais capaz de mexer em alguma ferida. Acredito que ela já tenha cicatrizado.

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