Desculpe o transtorno, precisamos falar sobre sororidade

17 set
Desde sempre nós mulheres somos criadas para enxergar as outras mulheres como rivais. A outra mulher é aquela que vai roubar seu namorado, aquela que vai furar seu olho se você disser que gosta do menino x na 6a série, aquela que vai botar olho gordo nas coisas que você conta, aquela que vai invadir seu território, que vai ter um sapato melhor, uma roupa melhor, um cabelo mais bonito. O incentivo à competição (pela mídia, pela sociedade, por sabe a Deusa quem) vai das coisas mais fúteis até as mais complexas.
Esses dias aconteceu uma coisa que me incomodou, mas na hora não entendi o que estava me incomodando, e até demorei um pouco pra sacar.
Num dia em que meus amigos mais chegados furaram o programa de sexta à noite, me comuniquei com dois conhecidos que sabia que estariam lá, e eles confirmara. Veja que ficar em casa não era uma opção. Então eu fui e encontrei essas pessoas lá. Ambos eram homens e estavam com mais um grupo de homens e mulheres. Meus amigos tentaram me enturmar com as pessoas que eu não conhecia.
Não houve muita resposta de nenhum dos dois gêneros, mas a receptividade das meninas foi um pouco pior. Várias vezes elas viravam as costas pra mim e me excluíam do grupinho, ignoraram completamente minha existência ou qualquer tentativa de aproximação.  Daí, bom, fiquei no meu canto. Pode ter sido um erro meu pré-julgamento sem insistir em puxar assunto também, mas fiquei meio intimidada – e até mal com isso – e limitei meu contato com as pessoas que já conhecia. Acho que eu esperava mais empatia quando elas vissem que tinha uma menina chegando sozinha no grupo, até porque já vi isso acontecer algumas vezes.
MOÇA nao somos rivais.jpg
Acho que fiquei inclusive com uma cara bem horrível, porque algumas vezes meu amigo perguntou se eu táva bem e se tinha acontecido alguma coisa. Quem tá mais próximo de mim certamente vai identificar o local e tudo, e quem táva lá provavelmente vai saber qual foi a situação também, mas não é esse o ponto. Não é só comigo que acontece e não foi um caso isolado. É sempre, todo dia, toda hora, em qualquer lugar. É no colégio, na escola de dança, na faculdade, numa festa, num bar, num churrasco. Algumas mulheres ainda acham que a garota nova que chega está lá para tomar seu território, e não é isso, ela só quer fazer parte daquele ambiente, se sentir acolhida. Alguém assiste ou assistiu Gilmore Girls? A Rory sofreu bastante hostilidade da Paris por um bom tempo por conta disso. Vê? Até nas séries acontece, e é uma cultura que se perpetua.
 
Por que ainda agimos assim com outras mulheres? Sei que nem todas tiveram oportunidade de ouvir o que o feminismo tem a dizer, seja por medo, por contra-propaganda, por desinformação, ou só porque “a palavra” não chegou até ela. 
Sei que ninguém é perfeito, e todos os dias estamos nos desconstruindo ante essas visões de mundo, e nos libertando delas, tentando ser pessoas melhores. Mas muitas ainda reproduzem os comportamentos machistas, que na verdade são esperados  e considerados naturais, já que isso está tão enraizado.
Muitas vezes nem percebemos o que fazemos. Que tal pensar um pouco nas próprias ações? Que tal colocar-se no lugar da outra? Que tal ter um pouco mais de empatia? Precisamos, manas, pois estamos apenas por nós mesmas. Isso é sororidade. Eu sei que ninguém é santo, mas falta de caráter independe de gênero. Nós apenas não podemos partir do pressuposto de que a outra é nossa inimiga, porque na maioria das vezes ela não é.
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