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Na encruzilhada

6 jan

Lívia desceu do ônibus com pressa, precisava comer alguma coisa antes da aula. Tinha trânsito àquela hora e não conseguiu sair mais cedo do trabalho. Estava parada na calçada, pensando num sanduíche do Subway, pronta para atravessa a rua, quando ele dobrou a esquina na calçada do outro lado, seguindo na direção que ela iria.

Ele estava de mãos dadas com uma garota, os dois sorrindo e falando muito. Não a viram. Lívia ficou parada alguns segundos, vendo os dois se distanciarem, não querendo ser percebida. Até esperou que atravessassem lá na frente, para ir ao prédio dele, e foi seguindo devagar para não ser vista.

Lívia fazia o mesmo percurso várias vezes por semana, e passava sempre muito próximo ao prédio dele. Evitava olhar para aquele lado, mas nunca mais o havia visto até aquele momento. Quando viu que seguiam pela avenida, ela se manteve na calçada em que estava, oposta.

Passaram reto pela portaria do prédio, continuaram andando mais duas quadras e entraram justamente no Subway. Além do azar de irem ao mesmo lugar em que ela queria ir, Lívia ficou indignada. Um dos motivos é que não fazia nem um mês que tinham terminado.  Claro, ele tem o direito de ficar com quem quiser agora que estava solteiro, mas ela ainda tinha alguma esperança, e essa foi a pedra definitiva de que ele já não queria mais nada. Será que ela sabe de mim? Ou será que eu é que não sabia dela? Canalha, deve ter enganado as duas.

Outro motivo, e que ela achava ainda pior, é que ele nunca saía de casa com Lívia: ela sempre ia na casa dele. Só haviam ido a um bar e uma vez ao cinema, lá no início do namoro. Na metade do relacionamento, ele ia até a casa dela de vez em quando. Mas já nos últimos meses era só filme na casa dele e pediam pizza. Nem até a padaria ele a levava. Deve ser por isso que durou tão pouco.

Lívia se sentia muitas vezes uma mulher-pantufa, ou uma mulher-pijama: que dentro de casa você usa e é confortável, mas na rua tem vergonha. Até tentava tirá-lo de casa, ir a um bar, convidava seus amigos… ele sempre furava. Aliás, nem sabia se ele também tinha amigos, pois nunca foram apresentados. Talvez ele já estivesse com ela… pensou enquanto ia para a aula. Seguiu em frente, e preferiu continuar com fome a encontrar os dois.

Encontro ruim

7 jan

Jaqueline estava na fila do banheiro e uma garota ruiva, de olhos grandes, ficava encarando. “Conheço de algum lugar”. Poucos minutos depois, estava retocando o batom, a menina parou bem a seu lado, encarando novamente. Jaqueline pensou “só faltava essa”, quando a garota lhe deu um empogado “oi”.

– Oi Judi. – e com um sorriso amarelo de quase pânico – Quanto tempo…

– Não se preocupe, o Bruno não está aqui.

– Aaah, que bom. – respondeu mais aliviada em saber que se ex não estava no mesmo bar naquela noite.

– Por que vocês terminaram mesmo? – Desenterrou Judite.

– Ah, bem, você sabe… ele não gostava de mim de verdade e me fez terminar. – disse Jaqueline, com um sorriso triste.

– Eu torcia tanto por vocês. – falou Judi com um ar romântico. – Eu e o japa queríamos muito sair em casal com vocês.

– Legal da sua parte, mas nunca fomos necessariamente um casal.

– E eu ainda tentei insistir depois que terminaram, tentei fazer o Bruno te convidar pra sair com a gente.

– É, ele me chamou algumas vezes – retrucou Jaqueline, com desconforto.

– Você deveria ter ido! – Reclamou a outra, abismada – vocês poderiam ter se reconciliado.

Jaqueline riu e resolver soltar tudo:

– Eu perguntei o que ele queria, me seguindo por aí e me convidando para sair com vocês toda hora… sabe o que ele me disse, Judi? Que queria minha amizade. Como é possível ser amiga de um ex? – Aos poucos subia a raiva. – Ele me chamou de egoísta quando falei que não ia conseguir lidar com a situação se ele quisesse ficar com otura pessoa na minha frente. E adivinha o que aconteceu depois de um tempo?

– O que? – Perguntou Judite, arregalando ainda mais seus olhos gigantes.

– Ele está numa relação poliamorosa com a Drica e mais uma menina! Óbvio que não daríamos certo. Ele sabia que eu jamais entraria num relacionamento assim. – Já estava virando as costas, a outra ainda branca e meio sem reação, mas voltou: – Vai dizer que não sabia?

– Não… – resmungou Judite – quem é amigo dele mesmo é o japa, eu não fico sabendo desses detalhes íntimos.

– Pois é. Ainda bem que ele não está aqui. Seria uma decepção encontrar aquela coisa. – Jaqueline olhou pro chão. Suspirou. Reergueu-se. – Vou lá beber, depois dessa.

Maria e Barbara estavam esperando Jaqueline no balcão, para brindar com cervejas geladas. Ela precisava de uma bebida, ainda estava com raiva.

– Nossa, migs, o que rolou?

Jaqueline não respondeu, levantou seu copo e brindaram. Virou a caneca de chopp na goela e pediu  para as amigas não fazerem perguntas.

LÍNGUA E LITERATURA

PROFESSORA MARIA LÚCIA MARANGON

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