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Nota sobre o fim

24 jul

Quando uma estrela morre, seu brilho ainda permanece por milhões e milhões de anos antes de se extinguir. Talvez com um relacionamento que acabou enquanto ainda há amor aconteça o mesmo: a relação já não existe, mas o carinho, a consideração, o afeto… ainda podem perdurar.

Não é todo dia que duas pessoas adultas saem de uma relação ainda amando, mesmo que estejam quebradas e que já não seja possível ficarem juntas. A maioria termina com ódio, mágoa, rancor… fico honrada por sermos uma exceção. Fico feliz que eu vá lembrar de você com um sorrisinho besta no rosto, que pensar em você vá dar um calorzinho no coração. Porque se tem algo que dói só de imaginar é pensar que o tempo que duas pessoas ficaram juntas foi desperdício, que não deviam ter se envolvido, que gostariam de apagar o tempo que estiveram lado a lado. Não me arrependo do que vivemos, e faria tudo igual, e até melhor. Te aproveitaria mais.

Você estava quebrado por causa do fim de um casamento de dez anos, e eu estava quebrada por conta de uma sucessão de pseudo-relacionamentos que me esgotaram. Foi lindo ver duas pessoas incompletas se ajudando, tentando colar os caquinhos uma da outra. Mas sabemos que dois seres pela metade não conseguem segurar um ao outro por muito tempo. Aos poucos nossas cicatrizes começaram a aparecer, e nosso apoio mútuo começou a desmoronar. É clichê, mas um dia a gente aprende que só amor não basta para manter duas pessoas unidas.

Não te culpo. E não me culpo também. Não existem culpados, só duas pessoas que se entregaram ao caos das emoções. E em um mundo tão racional que recalca emoções, desligar o cérebro um pouquinho é bom, mesmo que machuque depois. Porque além de termos conhecido um lado maravilhoso um do outro que não tá à vista de qualquer pessoa, nosso crescimento foi gigante.

Desejo que você encontre a paz que você procura e se torne uma pessoa íntegra novamente. Mas acima de tudo que a gente se abrace com um sorriso se nossos caminhos se cruzarem.

50 tons de wtf

16 jan

Resolvi perder  quase 2 horas da minha vida pra finalmente assistir o filme 50 tons de cinza. Melhor formar minha própria opinião, certo? No momento em que começo esse texto pausei o filme aos 39 minutos porque acendeu um alerta na minha cabeça e eu precisava expressar isso pro mundo. O enredo tem uma série de problemas. Ok, já aviso que não li o livro (que dizem ser tão ruim quanto, pois o filme foi bem fiel a ele) e depois do que vi certamente não lerei. Se você gostou do livro ou do filme, nem siga adiante na leitura do meu texto.

Imagino que a autora quisesse fazer um conto de fadas moderno, mas até Um Lugar Chamado Notting Hill é mais realista do que isso. A sinopse poderia se resumir em: “um bilionário sadomasoquista se apaixona por uma garota e passa a persegui-la e enviar presentes”.

O primeiro sinal vermelho surgiu quando Grey  demonstra ciúmes do fotógrafo e do colega de trabalho da Anastasia, sendo que ele a tinha conhecido… no dia anterior! Daí ele a convida pra um café, diz que não podem se envolver, e mais tarde ela bebassa na balada resolve ligar pra ele… tenho a impressão de que perdi algo entre esses dois minutos que passaram. O cara surge onde ela tá, já chega brigando com o José que tava dando em cima dela – opa! Outro alerta. O cara é ciumento e possessivo. Anastasia desmaia e o gênio resolve levar a garota inconsciente pra um hotel. Isso não é romântico, gente, é praticamente um sequestro.

“Se você fosse minha não conseguiria sentar por uma semana” WHAAAAAT??

Grey disse isso para a Anastasia, que ele tinha acabado de conhecer e que tinha acabado de acordar numa cama totalmente desconhecida. Até aí ele já deu demonstrações de ser ciumento, possessivo, controlador, e já admitiu que tem gostos peculiares. E ela SABE de tudo isso, mas a personagem é sonsa o suficiente pra levar a história adiante. Esse é outro problema, a personalidade dela é mal construída. Algumas vezes Ana quer mostrar que ele não manda nela, mas acaba deixando isso acontecer. Não faz sentido, ela oscila muito entre dona de si e submissa. Ela tem opinião própria ou não?!

O quarto vermelho

Antes do quarto ainda teve um “Eu não faço amor. Eu fodo. Forte”

Olha, amigo, do mundo que eu venho não se demonstra fetiches no primeiro encontro, justamente para não assustar o seu parceiro/a! Inclusive eu já fugi de gente que veio com papos tipo Christian Grey, e já fiz pessoas abrirem todas as portas do apartamento ou da casa pra mim, para checar o que tinha dentro. Graças a Deus nunca me deparei com um quarto desses, nem com cadáveres. Tudo bem você ir falando isso aos poucos, mas desse jeito foi muito ~a seco~

Anastasia se assusta no quarto vermelho, claro:

“E por que eu faria isso?” [deixá-lo usar os instrumentos]
“Para me satisfazer”
E depois ele diz: “Esse é o único tipo de relação que eu tenho”

Tradução: vai ser assim porque eu quero, e se não gostar, problema seu.  Tá nem aí para o bem-estar e prazer da parceira, que nem sabe do que gosta porque ela é virgem!

O papinho de se deixar controlar pra se sentir segura é totalmente sem noção. Aparecer DO NADA em lugares que ela está (e inclusive na casa dela) dá medo. Galera, perseguição é algo sério, e até a personagem passa um pouco a sensação de desconforto. Essa coisa de enviar presentinhos e presentões… cada vez mais o cara fecha o cerco em volta dela e a torna dependente dele.  Esse negócio de bater nela quando ela faz algo que o desagrada também pega muito mal. Ele disfarça agressão como se fosse prazer, mesmo dizendo que é uma punição. Até uma das cenas finais, onde ela finalmente reconhece que aquela relação é no mínimo estranha. Daí o que acontece? O AGRESSOR VAI LÁ PEDIR DESCULPAS, “ARREPENDIDO”.  Nesse momento ela tem que aprender a dizer NÃO pra ele, porque é uma pessoa que não tem limites.

Sei que muita gente também acha o mesmo que eu, mas ainda me lembro de uma conversa num salão de cabeleireiros uma vez, em que as mulheres comentavam sobre o livro: “nossa, mas esse Christian Grey sabe como tratar uma mulher” O QUÊ?? Chamar de submissa e tratar assim é tratar bem uma mulher??  Gente, isso é o mais puro machismo disfarçado de romantismo. Não julgo quem gosta de sadomasoquismo, mas o jeito que o tema foi tratado é bizarro. Como a personagem poderia saber se gosta se ela era virgem? Ele nem a respeitou, ficou insistindo e ela aceitou pra agradar. Se ela gostou, são outros quinhentos. Ela fez o que ele queria, e ele não precisou ceder nenhum pouco… ao invés disso ele deu um carro pra ela. Como se falta de carinho e respeito pudessem ser compensados com dinheiro e coisas caras.

O match – parte 2

28 ago
mexendo smartphone

Leia a primeira parte clicando na foto

Meia hora depois, Rodrigo, debaixo de chuva, desce do carro com uma garrafa na mão. Não tinha sequer um guarda-chuva consigo. Ainda bem que tinha conseguido estacionar bem em frente à portaria do prédio da garota, logo do outro lado da rua.

Saiu correndo embaixo da chuva e ainda pisou na correnteza que estava se formando na guia. Ensopou os pés e a barra da calça. “Merda!” Se abrigou embaixo do toldo na portaria, pegou o celular no bolso, para ver qual era o apartamento. Um pouco apressado e ansioso, digitou.

– Pronto – uma voz feminina atendeu.

– Oi Gisele, aqui é… – Rodrigo diz empolgado

– Gisele? Aqui não tem nenhuma Gisele – interrompeu a voz.

– Desculpe, interfonei errado. – disse um tanto decepcionado, pois achara linda aquela voz que havia atendido.

Digitou de novo, dessa vez com mais cuidado: B 202.

– Pronto? – a mesma voz.

– Ah… eu interfonei há pouco… Aí é o B 202?

– Sim… – respondeu, intrigada.

– Desculpe, eu estou procurando a Gisele. Foi engano. – desligou.

Não era possível. A moça estava brincando com ele, fingindo que não era a Gisele… interfonou de novo.

– Moço, eu já te disse que aqui não tem nenhuma Gisele. – disse a voz um pouco irritada, sem nem esperar que Rodrigo falasse qualquer coisa.

– Escuta aqui, cara – uma voz masculina raivosa – pare de interfonar aqui essa hora da noite! Aqui não tem Gisele porra nenhuma.

– Já sei… Peço desculpas. Devem ter me mandado o endereço errado.

– Vá se foder! – Desligam com violência.

Rodrigo, desanimado, volta pro carro. Nem se importa com a chuva. A vontade era de jogar a garrafa  no chão e amaldiçoar a tal de Gisele. A garota, com a brincadeirinha, havia arruinado sua noite.

* * Continua * *

 

 

 

 

 

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PROFESSORA MARIA LÚCIA MARANGON

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