Tinderela

13 mar

Ontem à noite resolvi finalmente deletar minha conta no Tinder, depois de meses sem nem abrir o aplicativo. Pode não ser definitivo, e nem é a maior das decisões da vida, mas depois de quase dois anos com meu perfil ativo, não me é mais necessário por enquanto.

Entrei no Tinder porque tinha acabado um “relacionamento” havia poucos meses e não tinha ideia de onde poderia começar a conhecer outros caras. Por indicação de várias pessoas, e porque táva na moda criar uma conta no app, pensei comigo mesma “por que não?”

Entre homens que davam match e puxavam papo de madrugada perguntando “e aí gatinha, onde você mora? O que está fazendo? Quero ir na sua casa, ou você vem na minha” e mandavam fotos seminus pelo whatsapp (sim, pra uma pessoa que ele havia conhecido há cinco minutos), e que pediam nudes também (que aliás nunca enviei e dáva block na hora),  encontrei alguns espécimes que foram além.

Pausa. Eu nunca fui adepta de encontrar uma pessoa aleatória somente para fazer sexo. Sempre achei essa ideia bizarra e dei vários cortes em quem insinuou que queria ~me comer~ em poucos minutos de conversa virtual. Na verdade, quando eu percebi que essa não era a minha vibe, diferente de 90% que usam o Tinder, fiz um favor ao mundo e escrevi no meu perfil “Não faço a mínima ideia de porque estou aqui”. E nada mais. Acredito que isso tenha afastado os mais sedentos por sexo casual.

tinder-moments.png

Saí com poucos caras, uns dez no máximo. Em dois anos, uma média baixíssima, considerando que muitos amigos meus saíam toda semana com gente que haviam conhecido no Tinder . Com uns três deles  não aconteceu nada de mais e viraram meus amigos. Outros dois queriam namorar sério. Também encontrei perfis de conhecidos, com os quais a ferramenta só “facilitou” as coisas. Faltava um empurrãozinho, que poderia ter surgido de outra forma. Então a finalidade pela qual eu estava ali não fazia mais tanto sentido, né?

Mas o que me motivou a abandonar o app (e minha conta ficou lá sem ser usada por meses até que a deletei) foi um cara que em dois encontros conseguiu me assustar e me fez sair correndo pras colinas. No primeiro encontro ele veio com um papo sobre uso de drogas alucinógenas. Ele também tinha uma garrafa de vinho no carro, e uma taça. Certamente estava nos planos dele me embebedar e me levar pra cama depois do jantar – tentativa frustrada, por sinal. No segundo rolou o seguinte diálogo:

– O que é isso no seu pé? – ele disse apontando pro meu tornozelo.

– Ah, é uma tornozeleira – respondi bem inocente

-Hum, assim fica mais fácil de identificar um cadáver.

-Mas se não quiserem me identificar é só arrancar – Bem ingênua eu respondi. E a coisa continuou:

-Pra que arrancar só a tornozeleira se dá pra cortar os pés da pessoa? – disse ele rindo – E dá também pra tirar a arcada dentária. Mas não é legal fazer essas coisas com a pessoa morta.

Eu fiquei no mínimo enojada. Na hora ignorei. Mas, não bastasse tudo isso, veio uma conversa sobre rituais satânicos envolvendo sêmen, menstruação e o sacrifício de um animal. Pra piorar um pouco o cenário, ele morava num bairro super afastado (e eu tinha enviado minha localização para uma amiga no caso de eu sumir por um tempo maior que o normal) e numa casa que tinha mais portas do que Hogwarts. Fiz ele abrir uma por uma pra eu saber o que ou quem tinha lá dentro. Ele disse que morava sozinho, mas nunca se sabe se vão sair três caras de um dos quartos e te estuprar. Ser mulher envolve ter medo desse tipo de coisa, infelizmente.

Depois que cheguei em casa inteira, me perguntei se estava me auto-sabotando com esse medo todo dele… porque eu costumo me auto-sabotar demais para não me envolver com alguém. Uma amiga depois de uns dias me disse, quando contei essa história: você sabe que sou a primeira pessoa a apontar na sua cara quando você se auto-sabota, mas dessa vez… FUJA!

Por alguns dias ele tentou me chamar pra sair novamente e eu fiquei enrolando. Será que eu devia jogar a real? “Então, te achei meio psicopata e acho melhor não nos vermos mais por questões de segurança”. Disse que éramos muito diferentes e que não ia rolar mais, apenas. Por questões de segurança. Pode ser que ele apenas não fosse sociável e não tivesse modos de conversar com uma pessoa, que não soubesse puxar assunto. Preferi não pagar pra ver. Esse foi meu último encontro tinderesco, depois achei que realmente poderia acontecer comigo uma daquelas histórias do Datena ou do Aqui, Agora.

Conversando com um amigo outro dia, ele me questionou há quanto tempo fazia que não conhecia alguém sem ser no Tinder. Sabe essas conversas filosóficas que te fazem parar pra pensar? Puxei o histórico na memória e reparei que não precisava mais dessa muleta pra conhecer gente. O Tinder talvez tenha sido útil numa época que eu precisava expandir meus horizontes, mas depois se tornou obsoleto. Nada melhor do que conhecer uma pessoa de maneira natural e deixar rolar. E isso pode acontecer em qualquer lugar.

 

 

 

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Timing

4 fev

Esses dias eu vi Boyhood e me chamou atenção (entre outras coisas do filme) um diálogo entre o Mason e o pai dele.

No fim das contas, é tudo uma questão de timing. Digo, veja sua mãe e eu. Eu virei o chato castrado que ela queria que eu fosse 15 ou 20 anos atrás. Não é que ela não tivesse motivos para se irritar, mas ela podia ter sido mais paciente e compreensiva. 

Não é irônico, pra não dizer revoltante, quando alguém que dizia não querer nada sério com você aparece em um relacionamento sério do nada dali dois meses? Ou depois de 15 anos aquela pessoa se tornou o que deveria ter sido muito antes?

As pessoas são incoerentes muitas vezes, mas talvez quando alguém entra na sua vida e te faz mudar certas convicções… é porque era daquilo que você precisava naquele momento. Nem antes, nem depois.

Fiquei pensando ainda mais nisso depois de ver 500 dias com ela… dá uma dor ver o Tom descobrir que a Summer ia se casar, mesmo ela tendo dito a vida toda que não queria um relacionamento. Rola uma identificação forte de ter passado por algo semelhante e saber qual a sensação, principalmente o famoso questionamento “por que não eu?”, “por que não comigo?”. É o timing.

500 days of summer - what always happens

É bem difícil encontrar alguém que esteja na mesma vibe que você e ao mesmo tempo. Acredito que tenha mais desencontros do que encontros nesse sentido. E não dá muito certo também “guardar” em banho-maria uma pessoa que te queria: enquanto você se resolve com seus grilos e curte a fase, esperando chegar no ponto que outro táva, a sua chance passou e a pessoa já está com outro que estava no mesmo momento. Acho que esperar por alguém a vida toda também não seja a solução. A sua vida vai passar do mesmo jeito, você vai ter deixado de viver e conhecer pessoas incríveis, e pode desperdiçar muito tempo da sua vida.

Conheço pessoas (e também já fui uma delas) que o tempo todo querem um relacionamento sério e passam a procurar quem também queira. O grande problema nisso é que a gente entra em mais barco furado do que encontra alguém que queira o mesmo. Quanto mais procuramos, menos achamos. A expectativa vira uma tortura, e parece que a cada término mal resolvido, menos forças a gente vai ter para continuar.

Para mim, o segredo é parar de procurar. A gente se cobra menos e acaba vivendo de uma forma mais leve. E se der certo, ótimo. Se não der, pelo menos aproveitamos aqueles instantes com a outra pessoa e não deixamos de viver nada. Um dia, é o outro que não está no mesmo momento emocional que você, no outro, é você quem não está. É o que sempre acontece. A vida. 

50 tons de wtf

16 jan

Resolvi perder  quase 2 horas da minha vida pra finalmente assistir o filme 50 tons de cinza. Melhor formar minha própria opinião, certo? No momento em que começo esse texto pausei o filme aos 39 minutos porque acendeu um alerta na minha cabeça e eu precisava expressar isso pro mundo. O enredo tem uma série de problemas. Ok, já aviso que não li o livro (que dizem ser tão ruim quanto, pois o filme foi bem fiel a ele) e depois do que vi certamente não lerei. Se você gostou do livro ou do filme, nem siga adiante na leitura do meu texto.

Imagino que a autora quisesse fazer um conto de fadas moderno, mas até Um Lugar Chamado Notting Hill é mais realista do que isso. A sinopse poderia se resumir em: “um bilionário sadomasoquista se apaixona por uma garota e passa a persegui-la e enviar presentes”.

O primeiro sinal vermelho surgiu quando Grey  demonstra ciúmes do fotógrafo e do colega de trabalho da Anastasia, sendo que ele a tinha conhecido… no dia anterior! Daí ele a convida pra um café, diz que não podem se envolver, e mais tarde ela bebassa na balada resolve ligar pra ele… tenho a impressão de que perdi algo entre esses dois minutos que passaram. O cara surge onde ela tá, já chega brigando com o José que tava dando em cima dela – opa! Outro alerta. O cara é ciumento e possessivo. Anastasia desmaia e o gênio resolve levar a garota inconsciente pra um hotel. Isso não é romântico, gente, é praticamente um sequestro.

“Se você fosse minha não conseguiria sentar por uma semana” WHAAAAAT??

Grey disse isso para a Anastasia, que ele tinha acabado de conhecer e que tinha acabado de acordar numa cama totalmente desconhecida. Até aí ele já deu demonstrações de ser ciumento, possessivo, controlador, e já admitiu que tem gostos peculiares. E ela SABE de tudo isso, mas a personagem é sonsa o suficiente pra levar a história adiante. Esse é outro problema, a personalidade dela é mal construída. Algumas vezes Ana quer mostrar que ele não manda nela, mas acaba deixando isso acontecer. Não faz sentido, ela oscila muito entre dona de si e submissa. Ela tem opinião própria ou não?!

O quarto vermelho

Antes do quarto ainda teve um “Eu não faço amor. Eu fodo. Forte”

Olha, amigo, do mundo que eu venho não se demonstra fetiches no primeiro encontro, justamente para não assustar o seu parceiro/a! Inclusive eu já fugi de gente que veio com papos tipo Christian Grey, e já fiz pessoas abrirem todas as portas do apartamento ou da casa pra mim, para checar o que tinha dentro. Graças a Deus nunca me deparei com um quarto desses, nem com cadáveres. Tudo bem você ir falando isso aos poucos, mas desse jeito foi muito ~a seco~

Anastasia se assusta no quarto vermelho, claro:

“E por que eu faria isso?” [deixá-lo usar os instrumentos]
“Para me satisfazer”
E depois ele diz: “Esse é o único tipo de relação que eu tenho”

Tradução: vai ser assim porque eu quero, e se não gostar, problema seu.  Tá nem aí para o bem-estar e prazer da parceira, que nem sabe do que gosta porque ela é virgem!

O papinho de se deixar controlar pra se sentir segura é totalmente sem noção. Aparecer DO NADA em lugares que ela está (e inclusive na casa dela) dá medo. Galera, perseguição é algo sério, e até a personagem passa um pouco a sensação de desconforto. Essa coisa de enviar presentinhos e presentões… cada vez mais o cara fecha o cerco em volta dela e a torna dependente dele.  Esse negócio de bater nela quando ela faz algo que o desagrada também pega muito mal. Ele disfarça agressão como se fosse prazer, mesmo dizendo que é uma punição. Até uma das cenas finais, onde ela finalmente reconhece que aquela relação é no mínimo estranha. Daí o que acontece? O AGRESSOR VAI LÁ PEDIR DESCULPAS, “ARREPENDIDO”.  Nesse momento ela tem que aprender a dizer NÃO pra ele, porque é uma pessoa que não tem limites.

Sei que muita gente também acha o mesmo que eu, mas ainda me lembro de uma conversa num salão de cabeleireiros uma vez, em que as mulheres comentavam sobre o livro: “nossa, mas esse Christian Grey sabe como tratar uma mulher” O QUÊ?? Chamar de submissa e tratar assim é tratar bem uma mulher??  Gente, isso é o mais puro machismo disfarçado de romantismo. Não julgo quem gosta de sadomasoquismo, mas o jeito que o tema foi tratado é bizarro. Como a personagem poderia saber se gosta se ela era virgem? Ele nem a respeitou, ficou insistindo e ela aceitou pra agradar. Se ela gostou, são outros quinhentos. Ela fez o que ele queria, e ele não precisou ceder nenhum pouco… ao invés disso ele deu um carro pra ela. Como se falta de carinho e respeito pudessem ser compensados com dinheiro e coisas caras.

Na encruzilhada

6 jan

Lívia desceu do ônibus com pressa, precisava comer alguma coisa antes da aula. Tinha trânsito àquela hora e não conseguiu sair mais cedo do trabalho. Estava parada na calçada, pensando num sanduíche do Subway, pronta para atravessa a rua, quando ele dobrou a esquina na calçada do outro lado, seguindo na direção que ela iria.

Ele estava de mãos dadas com uma garota, os dois sorrindo e falando muito. Não a viram. Lívia ficou parada alguns segundos, vendo os dois se distanciarem, não querendo ser percebida. Até esperou que atravessassem lá na frente, para ir ao prédio dele, e foi seguindo devagar para não ser vista.

Lívia fazia o mesmo percurso várias vezes por semana, e passava sempre muito próximo ao prédio dele. Evitava olhar para aquele lado, mas nunca mais o havia visto até aquele momento. Quando viu que seguiam pela avenida, ela se manteve na calçada em que estava, oposta.

Passaram reto pela portaria do prédio, continuaram andando mais duas quadras e entraram justamente no Subway. Além do azar de irem ao mesmo lugar em que ela queria ir, Lívia ficou indignada. Um dos motivos é que não fazia nem um mês que tinham terminado.  Claro, ele tem o direito de ficar com quem quiser agora que estava solteiro, mas ela ainda tinha alguma esperança, e essa foi a pedra definitiva de que ele já não queria mais nada. Será que ela sabe de mim? Ou será que eu é que não sabia dela? Canalha, deve ter enganado as duas.

Outro motivo, e que ela achava ainda pior, é que ele nunca saía de casa com Lívia: ela sempre ia na casa dele. Só haviam ido a um bar e uma vez ao cinema, lá no início do namoro. Na metade do relacionamento, ele ia até a casa dela de vez em quando. Mas já nos últimos meses era só filme na casa dele e pediam pizza. Nem até a padaria ele a levava. Deve ser por isso que durou tão pouco.

Lívia se sentia muitas vezes uma mulher-pantufa, ou uma mulher-pijama: que dentro de casa você usa e é confortável, mas na rua tem vergonha. Até tentava tirá-lo de casa, ir a um bar, convidava seus amigos… ele sempre furava. Aliás, nem sabia se ele também tinha amigos, pois nunca foram apresentados. Talvez ele já estivesse com ela… pensou enquanto ia para a aula. Seguiu em frente, e preferiu continuar com fome a encontrar os dois.

Desce mais um

19 jul

Todo mundo tem alguma quedinha por profissionais de uma área específica: por advogados, policiais, médicos, engenheiros… eu tenho uma queda por barmen. Não sei qual é o meu problema com eles, juro que é algo inconsciente, não fico “caçando” e analisando todo cara que trabalha em bar pra saber se é ~pegável~. Não sei se aquela meia-luz do balcão dá um ar de mistério, se é porque eles parecem desencanados por trabalhar ~na noite~, ou porque são os fornecedores do álcool que alegra minha noite (HAHA)… nunca ganhei bebida de graça nem entrada VIP e também nem quero usurpar. Só quando se tratavam de amigos barmen (Alex, Junior e Fabiano, beijo pra vocês!).

O primeiro barman da minha vida fazia aula de dança comigo. Acho que foi assim que me conquistou. O desgraçado atirava pra todos os lados, fosse na dança ou no bar. Lembro que ele foi proibido pelo chefe de pegar mulherada dentro do bar, porque aquilo afetava a clientela do estabelecimento. Saí da vida dele como quem pede licença para ir ao banheiro e diz que já volta em dois minutos. Paguei a conta e não voltei mais.
A barman serves barrel-aged cocktails at the VOC bar in King's Cross, London

O próximo era de um bar que ainda frequento – que por sinal tem a melhor batata frita com queijo e flambada da face da Terra – mas nunca mais vi. Na mesma noite uma amiga pegou o telefone do colega dele de balcão. Ficou irada ao descobrir que o cara não estudava e adorava trabalhar como barman, “ai credo, ele não almeja nada na vida! Achei que ele trabalhava pra pagar a faculdade ou algo assim”. Miga, não projeta.

Dei meu telefone a ele, conversamos por alguns dias, até que conseguimos sair. Era um domingo à noite e ele foi me buscar de terno e gravata. Achei um pouco estranho, e a coisa só piorou quando descobri que ele foi me buscar para sairmos de taxi executivo. E ele estava de serviço. Tinha uma corrida marcada para dali meia hora. Moço, pode ficar com o troco, obrigada.

O seguinte era um príncipe, e a minha amiga da historinha anterior também acharia: estudante de Engenharia Química e tinha um sorriso lindo, os olhos brilhavam. Conheci num open bar, e ele não parava de me olhar enquanto preparava uns dez drinks. Uma pena que morava longe. Desce mais um Blue Lagoon aqui bem caprichado pra eu me afogar.

O “caso” mais recente era o único hetero em uma balada LGBT. Fui acompanhar um amigo, e de repente ele comentou que o barman era bonitinho. Nos perguntamos o que ele era, e eu logo descobri, porque o próprio me perguntou quando fui pedir um mojito. Conversamos, peguei o contato dele, mas nem precisava. Quando saí da balada, conectei meu 3G para chamar um táxi e lá tinha uma mensagem dele no facebook, deve ter visto meu nome no sistema de comanda. Não deu muita liga. Os horários não batiam e ele queria me ver tipo segunda-feira à noite. Pessoa noturna que é, tá sempre na pilha em horários que pra mim são aleatórios e quando eu gostaria de estar dormindo. Sorry, boy, quem sabe na próxima.

Sério

21 jan

Amanda tinha visto Gabriel no Tinder. Nem precisou olhar duas vezes para suas fotos e já foi logo dando like. Alguns segundos depois, surpresa: deu match. Trocaram algumas mensagens, partiram para o whats app. Conversaram por algumas semanas, até por mensagem de voz, não conseguiam se encontrar por causa dos horários desencontrados.

Numa segunda-feira, Amanda tinha acabado de sair do trabalho, recebe mensagem de Gabriel, perguntando o que estava fazendo e se queria sair. Dessa vez iria dar certo. Amanda se arrumou e foi encontrá-lo num barzinho que os dois conheciam.

Se encontraram na porta, entraram juntos, escolheram uma mesa. Amanda comentou que estava com fome e iria pedir algo para comer, ao que Gabriel respondeu que já tinha jantado em casa. Amanda ficou um pouco sem graça de comer sozinha, mas pediu uma porção de batatas fritas com polenta e mandioca. Pediram um chopp de trigo. Não tinha nada mais gostoso no mundo do que tomar um chopp numa segunda. Gabriel tomou um gole e ficou olhando sério para o copo.

– Isso é chopp de trigo? Achei que fosse melhor.

– Ah, bom, eu gosto bastante. – disse Amanda meio insegura.

– Ah, sério? – perguntou Gabriel em tom seco.

Amanda tentou quebrar o gelo, perguntou da vida acadêmica do garoto, das férias da faculdade. Ela mal começava um assunto, ele o matava. Quando seu copo estava vazio, o garçom já chegou até a mesa oferecendo mais dois.

– Não quero nada – disse Gabriel.

– Pode me trazer outro de trigo, por favor – pediu Amanda.

– Ah, sério? – disse Gabriel coçando o queixo.

Ele contava causos que eram quase engraçados. Como Amanda dava risada com facilidade, não fechava a cara quase nunca durante a conversa. Mas quando ela ia contar alguma situação, Gabriel só olhava para ela e respondia “sério?”.

Chegaram as fritas, Amanda estava morrendo de fome. Gabriel olhou a porção, que deveria ser para mais do que uma pessoa:

– Você vai comer tudo isso?

– Er… vou. – Disse, mais uma vez totalmente sem graça – Tem certeza que não quer me ajudar?

– Não, não, estou de boa.

Continuaram tentando estabelecer diálogo, mas pareciam não ter nada em comum. Ele não gostava de balada, ela adorava. Ela era eclética, ele só ouvia rock e odiava o resto. Ele surfava, fazia exercícios e era vegetariano. Ela gostava de dançar e adorava um churrasco.

– Você é de que religião? – Amanda ficou desconcertada. Ninguém nunca faz essa pergunta num primeiro encontro, nem no segundo, nem no terceiro…

– Sou católica…

– Ah, sério? Eu sou ateu.

Amanda nem respondeu, apenas fez um aceno de cabeça e tomou um pouco do seu chopp. Já estava se preparando para ouvir “e você votou em quem, Dilma ou Aécio?”. Mas ele não disse nada, apenas ficou batucando com os dedos na mesa e batendo o pé no chão. Ela nem terminou de comer, pediu para embalar sua porção para viagem. Teve vontade de pagar tudo sozinha, mas ele pagou o chopp que havia consumido e ainda encrencou com o moço do caixa, que não tinha entendido a divisão da conta.

– Então tá, dona Amanda. – Já na porta. –  A gente se fala.

– Uhum. Até mais. – respondeu ela. Virou as costas e se sentiu aliviada por se livrar de Gabriel. “A gente se fala, nada. Aff”, pensou. E acertou: nunca mais se falaram.

Encontro ruim

7 jan

Jaqueline estava na fila do banheiro e uma garota ruiva, de olhos grandes, ficava encarando. “Conheço de algum lugar”. Poucos minutos depois, estava retocando o batom, a menina parou bem a seu lado, encarando novamente. Jaqueline pensou “só faltava essa”, quando a garota lhe deu um empogado “oi”.

– Oi Judi. – e com um sorriso amarelo de quase pânico – Quanto tempo…

– Não se preocupe, o Bruno não está aqui.

– Aaah, que bom. – respondeu mais aliviada em saber que se ex não estava no mesmo bar naquela noite.

– Por que vocês terminaram mesmo? – Desenterrou Judite.

– Ah, bem, você sabe… ele não gostava de mim de verdade e me fez terminar. – disse Jaqueline, com um sorriso triste.

– Eu torcia tanto por vocês. – falou Judi com um ar romântico. – Eu e o japa queríamos muito sair em casal com vocês.

– Legal da sua parte, mas nunca fomos necessariamente um casal.

– E eu ainda tentei insistir depois que terminaram, tentei fazer o Bruno te convidar pra sair com a gente.

– É, ele me chamou algumas vezes – retrucou Jaqueline, com desconforto.

– Você deveria ter ido! – Reclamou a outra, abismada – vocês poderiam ter se reconciliado.

Jaqueline riu e resolver soltar tudo:

– Eu perguntei o que ele queria, me seguindo por aí e me convidando para sair com vocês toda hora… sabe o que ele me disse, Judi? Que queria minha amizade. Como é possível ser amiga de um ex? – Aos poucos subia a raiva. – Ele me chamou de egoísta quando falei que não ia conseguir lidar com a situação se ele quisesse ficar com otura pessoa na minha frente. E adivinha o que aconteceu depois de um tempo?

– O que? – Perguntou Judite, arregalando ainda mais seus olhos gigantes.

– Ele está numa relação poliamorosa com a Drica e mais uma menina! Óbvio que não daríamos certo. Ele sabia que eu jamais entraria num relacionamento assim. – Já estava virando as costas, a outra ainda branca e meio sem reação, mas voltou: – Vai dizer que não sabia?

– Não… – resmungou Judite – quem é amigo dele mesmo é o japa, eu não fico sabendo desses detalhes íntimos.

– Pois é. Ainda bem que ele não está aqui. Seria uma decepção encontrar aquela coisa. – Jaqueline olhou pro chão. Suspirou. Reergueu-se. – Vou lá beber, depois dessa.

Maria e Barbara estavam esperando Jaqueline no balcão, para brindar com cervejas geladas. Ela precisava de uma bebida, ainda estava com raiva.

– Nossa, migs, o que rolou?

Jaqueline não respondeu, levantou seu copo e brindaram. Virou a caneca de chopp na goela e pediu  para as amigas não fazerem perguntas.

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