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Escravos do celular

10 fev

Ultimamente tenho me sentido muito dependente do meu celular (ou smartphone, como queiram). A cada dois minutos desbloqueio e olho para a tela, à procura de alguma notificação, principalmente de mensagem. E não é de crush não. É de qualquer pessoa. Mesmo que eu não tenha enviado mensagem para ninguém nos milhares de apps, estou lá pegando o celular e olhando pra ele.

Também me sinto a trouxona que responde mensagem logo. É que se eu vejo, é porque pude parar pra olhar o celular. E se eu posso olhar, posso responder. Percebi que ando ficando muito tempo online. Ultimamente só desligo a internet (dados móveis ou wi-fi) quando vou dormir, ou quando estou na rua, e isso tem sido pouco, tenho ficado cada vez menos offline.

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Eu, que em encontros com os amigos criticava quando pegavam o celular para olhar as mensagens e respondiam “aham” quando outras pessoas em volta estavam falando, tenho feito igual. Porque chega aquela hora escrota em que todo mundo na mesa pega o celular, e cada um fica no seu mundinho, esquecendo de quem tá ali do lado. Bom, deve estar acontecendo algo MUITO IMPORTANTE no mundo lá fora que eu não posso perder, então quero saber também. Mas o que tá acontecendo nem é tão importante assim, na verdade, e estamos perdendo momentos ao vivo porque priorizamos o virtual e estamos cada vez mais anti-sociais.

Não sei dizer em que momento essa ansiedade toda começou, acho que foi progressivo. Uns meses atrás eu já havia tirado as opções de visualização do whatsapp, mas parece que não adiantou nada. Pelo contrário, parece que piorou. Hoje resolvi desinstalar o messenger. E estou decidida a deixar meu celular morrer de vez e ficar sem isso por um tempo (ele já tá apresentando sinais de falência múltipla).

As pessoas também parecem estar levando “Pics or it didn’t happen” a sério de mais. A selfie é mais importante do que aproveitar o momento. Provar que foi a um evento ou fez uma viagem é mais importante do que viver essas coisas todas. Ver um show através da tela de um celular (ou, pior, de  um tablet, como já presenciei algumas vezes) pra gravar tudo é mais importante do que curtir o show em si.

Quando foi que a tecnologia começou a ser inconveniente e nos causar esses transtornos todos? Será que só eu tenho me incomodado com isso? 7 bilhões de pessoas no mundo, não devo ser a diferentona. Mas onde estão essas pessoas? Porque parece que todo mundo tá na mesma, apenas ainda não se deu conta.

Timing

4 fev

Esses dias eu vi Boyhood e me chamou atenção (entre outras coisas do filme) um diálogo entre o Mason e o pai dele.

No fim das contas, é tudo uma questão de timing. Digo, veja sua mãe e eu. Eu virei o chato castrado que ela queria que eu fosse 15 ou 20 anos atrás. Não é que ela não tivesse motivos para se irritar, mas ela podia ter sido mais paciente e compreensiva. 

Não é irônico, pra não dizer revoltante, quando alguém que dizia não querer nada sério com você aparece em um relacionamento sério do nada dali dois meses? Ou depois de 15 anos aquela pessoa se tornou o que deveria ter sido muito antes?

As pessoas são incoerentes muitas vezes, mas talvez quando alguém entra na sua vida e te faz mudar certas convicções… é porque era daquilo que você precisava naquele momento. Nem antes, nem depois.

Fiquei pensando ainda mais nisso depois de ver 500 dias com ela… dá uma dor ver o Tom descobrir que a Summer ia se casar, mesmo ela tendo dito a vida toda que não queria um relacionamento. Rola uma identificação forte de ter passado por algo semelhante e saber qual a sensação, principalmente o famoso questionamento “por que não eu?”, “por que não comigo?”. É o timing.

500 days of summer - what always happens

É bem difícil encontrar alguém que esteja na mesma vibe que você e ao mesmo tempo. Acredito que tenha mais desencontros do que encontros nesse sentido. E não dá muito certo também “guardar” em banho-maria uma pessoa que te queria: enquanto você se resolve com seus grilos e curte a fase, esperando chegar no ponto que outro táva, a sua chance passou e a pessoa já está com outro que estava no mesmo momento. Acho que esperar por alguém a vida toda também não seja a solução. A sua vida vai passar do mesmo jeito, você vai ter deixado de viver e conhecer pessoas incríveis, e pode desperdiçar muito tempo da sua vida.

Conheço pessoas (e também já fui uma delas) que o tempo todo querem um relacionamento sério e passam a procurar quem também queira. O grande problema nisso é que a gente entra em mais barco furado do que encontra alguém que queira o mesmo. Quanto mais procuramos, menos achamos. A expectativa vira uma tortura, e parece que a cada término mal resolvido, menos forças a gente vai ter para continuar.

Para mim, o segredo é parar de procurar. A gente se cobra menos e acaba vivendo de uma forma mais leve. E se der certo, ótimo. Se não der, pelo menos aproveitamos aqueles instantes com a outra pessoa e não deixamos de viver nada. Um dia, é o outro que não está no mesmo momento emocional que você, no outro, é você quem não está. É o que sempre acontece. A vida. 

Contra a maré

14 ago

“- Você sonha com um belo futuro, mas um dia perceberá o quanto este mundo é corrupto e imundo. – Rainha Beryl, debochando da Princesa.
– Não! Eu acredito! – Sailor Moon, gritando.
– No amor? Na amizade? Na confiança entre as pessoas?
– Acredito. Acredito neste mundo que todas tentaram proteger.
– Tola! Não há nada em que acreditar neste mundo podre!
– Por favor, Cristal de Prata! Faça-me acreditar ainda mais no mundo em que todos acreditam!”

O diálogo é do último episódio de Sailor Moon Classic, entre a Rainha Beryl e a Princesa da Lua. As guerreiras morreram para salvá-la, e ela invoca a memória de suas amigas para que a ajudem e deem forças. Chorei que nem um bebê ao assistir novamente, depois de muitos anos. Por quê? Me identifico com a luta da Sailor Moon, pois também acredito em todos esses valores e sentimentos que hoje em dia parecem ser raridade. Amor, amizade, lealdade, bondade. As pessoas não os têm mais, nem os consideram, até riem daqueles românticos, como eu, que acreditam. Mas é engraçado como existem livros e filmes aos montes pregando esses sentimento, e quase ninguém parece notar. Será que elas se deixam tocar pela mensagem que está sendo passada ali?

O maior ponto fraco de alguns heróis de sagas (senão da maioria deles) é a lealdade aos amigos, amores e à família. Os inimigos, tendo conhecimento disso, sempre tentam atingir os heróis sequestrando ou atacando as pessoas que os heróis estimam, porque sabem que o amor é tamanho, que o herói VAI tentar resgatá-las. Harry Potter, Percy Jackson e Luke Skywalker são alguns nomes que posso citar. E o que dizer da lealdade do hobbit Samwise Gamgee, que foi até os confins de Mordor com seu amigo Frodo para ajudá-lo a destruir o Um Anel? Não fosse por Sam, talvez Frodo não tivesse concluído sua tarefa.

Me debulho de chorar diante de demonstrações de verdadeira amizade e de lealdade. Mas não só isso, carrego-as como lição de vida. Se eu precisasse ir com uma amiga até Mordor para ajudá-la a destruir um objeto, eu iria. Se eu precisasse lutar contra o mal para ajudar um amigo, eu o faria. Mas a maioria não. Por achar que não vale a pena. Por acreditar que o amigo não retribuiria, que o sacrifício não seria considerado, que o amor um dia iria trair. Sim, nem em amor verdadeiro as pessoas acreditam mais, acham que ele pode ser comprado.

Esses dias me deparei com uma postagem, em uma página do facebook onde as pessoas enviam perguntas anonimamente, em que a pessoa perguntava o que os outros preferiam: um amor verdadeiro ou dinheiro. Fiquei bastante chocada com o fato de 99% das respostas serem “dinheiro”. Depois, parando para refletir melhor, fiquei bastante triste, e não apenas chocada. Em pleno século XXI, você deve estar estranhando meu espanto. Mas afinal, o que eu esperava encontrar nas respostas? Ainda acredito na bondade das pessoas. Acredito no amor, por mais que zombem, por mais que a maioria diga que isso não existe e é coisa de contos de fadas. O mundo é sim um lugar bom. Nossos sonhos podem virar realidade. O amor existe e ser amado de verdade é possível. Príncipes e princesas estão por aí, andando no meio de nós. Basta acreditar, mesmo que falem o contrário.

Desencanto

6 jul

Eu ainda me lembro o jeito com que você me pedia, assim como não quisesse nada, para que eu dormisse na sua casa porque ao meu lado você dormia feito um bebê. Com alguma fórmula mágica, eu conseguia jogar sua insônia para bem longe. Me dei conta de que havia algo errado com a gente quando você voltou a passar noites em claro, mesmo comigo ali, deitada.

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Foto: Paula Paricio

Eu ainda me lembro de como, ao acordarmos com o sol batendo na sua janela, você falava no meu ouvido “desgraçada” quando estávamos de conchinha e eu empinava minha bunda na sua região pélvica. Sexo matinal era uma delícia – e também o melhor despertador -, e não nos importávamos de chegar atrasados em nossos trabalhos. O problema estava em quando deixamos de fazer isso.

Eu ainda me lembro de quando a gente cozinhava juntos. Ninguém ligava para as panelas sujas, a cebola queimada ou a fumaça de alguma fritura invadindo o apartamento. A gente sempre se divertia e ria juntos. Mas as horas preparando o jantar foram substituídas por lanches rápidos e improvisados.

Aos poucos o carinho foi morrendo, fazer amor tornou-se só sexo, e o próprio sexo entrou no modo automático. Antes a gente queria e dava um jeito, depois passamos a dar desculpas. O que antes era uma parceria em ir juntos a todos os lugares virou ausência e falta de convite um ao outro. As conversas diárias e alegres se transformaram em falta de diálogo, e a seguir em silêncio. Então veio a primeira briga, e com ela o desrespeito. Acabou.

“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente”

(Soneto de Separação – Vinicius de Moraes)

 

 

Encontro arranjado

27 jun

“Tenho um amigo do meu namorado para te apresentar.”

Minha amiga disse isso como se eu fosse uma encalhada que não tem competência para arrumar um homem por conta própria e precisasse de um empurrão dos amigos para não ficar solitária. Afinal de contas, todas as nossas amigas da turma estão namorando, o que praticamente torna inviável eu sair com eles, ficaria de vela. Com um namoradinho do lado, poderíamos sair de casal, que empolgante!

A princípio achei a ideia legal, conhecer alguém novo. Mas depois repensei. E me revoltei. Por que raios a sociedade  pensa que, para ser feliz, a pessoa tem necessariamente de ter alguém do lado? Infelizmente, esse povo enxerga as pessoas solteiras como coitadinhas que estão sempre sozinhas.

Conheço pessoas que trocam de namorado como se trocassem de roupa, porque simplesmente não conseguem ficar sozinhas em companhia de si mesmos. Mal terminam – e terminam mal – um relacionamento e já engatam outro com pessoas que acabaram de conhecer. Como se chama esse fenômeno? Carência? Cobrança social? Medo de ficar sozinho(a)? Ou não suportam a própria existência e precisam voltar o foco de suas vidas para o outro?

Revolta à parte, minha amiga ainda disse que “ele é legal e está procurando uma namorada”. E o que a fez pensar que eu era uma candidata ou a pessoa certa para ele? Isso quem define é ele. Ou o cara é tão desesperado que vai querer casar com a primeira garota que aparecer na frente dele? E o que a faz pensar que ele é a pessoa certa pra mim? Da mesma forma que o cara, quem decide isso sou eu. Tem que ver se eu vou gostar dele, não dá pra contar com isso como certeza. E também não tô me atirando no colo do primeiro que me dá bola.

A situação é totalmente forçada e desconfortável. Ninguém vai agir naturalmente, tudo vai ser meio mecânico, os movimentos calculados, as atitudes controladas… para tentar impressionar a outra pessoa. E quem vai gostar de alguém que não se porta naturalmente? E o casal de amigos que vai arranjar o encontro? Vão ficar o tempo todo na expectativa de que a gente se beije, vão criar circunstâncias para deixar nós dois sozinhos, forçando ainda mais a barra. E se não tivermos assunto? E se não rolar química? Se um não sentir atração pelo outro? É constrangedor, e parece que as pessoas não pensam em todas essas coisas quando querem fazer papel de Cupido. E não entendem que relacionamento não se procura, ele simplesmente acontece.  

Spotted

20 jun

Você vê alguém, se sente atraído, mas não tem coragem para “chegar” na pessoa (ou não é  o lugar apropriado para isso), ou tem um amor platônico por alguém que não conhece mas que vê todos os dias. As páginas Spotted no Facebook resolvem esse problema: você manda um recadinho e tenta encontrar a pessoa. Vai que ela se identifica na postagem, ou é marcada por algum amigo, você adiciona e…? Nunca se sabe.

Hoje mesmo comentei com uma colega sobre essas páginas, e que eu acompanhava a da minha universidade. Ela achou inútil, uma grande falta do que fazer, me mandou sair do Facebook. Fiquei indignada. Em primeiro lugar, cada um lê o que quer, acompanha na internet aquilo que bem entender e ninguém tem nada a ver com isso. Em segundo ugar, ela nem sabe porque eu acompanho a página, se é por diversão, por carência, porque sou romântica e gosto de ver as pessoas mandando recadinhos fofos umas para as outras (porque entre cantadas ridículas há recados românticos e declarações também), ou porque sou administradora da fan page (haha).

Essas páginas surgiram nas universidades norte-americanas, viraram febre e se espalharam pelo mundo ajudando as pessoas (tímidas ou não) a se aproximarem de alguém que estejam a fim. Eu sei que o mundo, a vida, o amor estão lá fora, talvez longe das redes sociais e da telas dos computadores, tablets, smartphones. Mas… imagine a cena bizarra de uma garota que vê um cara que achou lindo no Restaurante Universitário na hora do almoço. Ela se senta na frente de ele e solta: “oi, gato, te achei sexy comendo arroz e feijão e decidi trocar uma ideia com você pra te conhecer melhor”. Ou então, avista alguém andando pelo campus e segue essa pessoa até alcançá-la para pedir seu telefone.  Ninguém faz isso, ou faz? Agora, através das spotteds, esses encontros não parecem tão absurdos assim, e ainda evitam cenas estranhas.

Clique nas imagens para ver as descrições (criativas!) de algumas páginas Spotted de universidades brasileiras, e uma cantada romântica. 

Assombração

8 maio

Eu entrava no seu perfil na rede social todos os dias. Ontem, justamente ontem, estava tão ocupada que nem me lembrei de o fazer. Não havia me dado conta disso, mas não tinha pensado em você um minuto do meu dia frio de outono. Finalmente eu tinha mudado o foco: da sua existência para a minha vida.

Estou tentando te esquecer, esquecer o mal que você me fez… Tenho medo de encontrá-lo por aí, desprevenida, na rua, na biblioteca, em algum bar. Será que ela vai estar com você, ou você estará sozinho? Será que você vai falar comigo ou vai fingir que não me conhece, como se eu não tivesse significado nada? Não quero pensar nisso, e nem pensava mais, mas sua aparição trouxe tudo isso à tona de novo, além dos meus próprios medos e neuras. Eu me pergunto o tempo todo se vou conseguir confiar em alguém outra vez. Tenho receio de que todos façam o que você me fez.

Sua nova foto do perfil simplesmente pulou na minha linha do tempo – e eu nem havia me preocupado em cancelar suas atualizações porque você nunca posta nada, mas é claro que agora  cancelei o recebimento delas. Eu fiquei em choque, foi como se um fantasma há muito esquecido (pouco mais do que 24 horas, o que já era bastante tempo para quem não te tirava do pensamento) aparecesse novamente para me atormentar.

Eu sempre acreditei ser mais difícil esquecer a pessoa se o contato é mantido, se ela está sempre ali pra reavivar o que você sentia, ou manter vivo algo que está nas últimas. Se você não vê, não tem notícias, para mim é como se a pessoa tivesse morrido. E o que se faz quando alguém morre? A gente supera, esquece, mesmo que demore. De uma forma ou de outra, é uma morte: de um relacionamento. Pode parecer exagero, mas eu, particularmente não consigo esquecer se a pessoa tá mostrando o tempo todo que ainda existe, e continua te dando esperanças, mesmo que não seja intenção dela, como ao publicar uma coisa e aquilo aparecer para você.

Parafraseando um sertanejo aí, “ainda estou me curando / vá embora da minha timeline porque se eu olhar pra você / tudo acaba voltando”.

LÍNGUA E LITERATURA

PROFESSORA MARIA LÚCIA MARANGON

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Arsenal de Ideias

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