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O tamanho do meu guarda-roupa

20 mar

No final do ano passado resolvi desafiar a mim mesma e tentar não repetir roupa até que todo meu estoque de blusinhas acabasse. Infelizmente não sou blogueira de moda e não tive a ideia de registrar o look do dia em cada um desses 76 dias.

Comecei meu autodesafio no dia 1º de janeiro, e tentava colocar as blusinhas, saias e vestidos já usados por baixo da pilha de roupas depois que eu os lavava e recolhia do varal. Meu desafio meio que acabou no dia 16 de março.

Digo “meio” porque as que se esgotaram foram as roupas de verão. Ainda tá fazendo calor onde moro, então resta uma gaveta inteira de blusas meia estação e de mangas compridas. Devo ter usado umas três delas apenas em dias que a temperatura caiu um pouco. Além disso, ainda sobraram dois vestidos e uma saia “de festa” que não tive ocasião para usar e umas três blusinhas pra sair, que não consigo usar no dia-a-dia (em dúvida sobre uso do hífen nesse caso haha). Também não entraram ainda nessa contagem as calças (que usei poucas) e os casacos, obviamente. Talvez renda mais um desafio quando chegar o inverno… vou pensar nisso.

Por que fiz isso? Comecei a reparar que eu escolhia sempre a mesma meia dúzia de blusinhas para trabalhar ou sair, e que arrumando o guarda-roupa eu encontrava blusas e vestidos dos quais nem lembrava mais, mas que eram lindos e deveriam ser mostrados ao mundo. Tenho várias peças que comprei há dois, três anos e usei uma vez na vida. Apesar de serem “velhas”, estão super bem conservadas porque usei pouco. Tive uma fase bem consumista quando morava a duas quadras do shopping. Fora as passadinhas no centro da cidade quando eu tinha aulas perto das principais ruas comerciais…

Na época em que eu morava em república ou dividia apartamento com outras meninas, a gente vivia fazendo troca de roupas em limpezas periódicas. Isso era bem saudável porque tirava do meu armário justamente aquelas peças que eu com certeza não iria usar mais. Agora elas estão se acumulando numa sacola num canto aqui de casa. Não sou estilosa e essas roupas não são de marca, então não compensa tentar vender no Enjoei.com, por exemplo (aliás, eu tentei algumas vezes e o site recusou todas as minhas ofertas). Brechós também pagam uma miséria pelas peças. Doar? Talvez, mas não sei se uma blusa lilás tomara-que-caia teria alguma utilidade para uma pessoa carente.

Eu confesso que não tinha muita noção do tamanho do meu armário e achei que esgotaria as roupas todas bem antes do que realmente aconteceu. Mais de 80 combinações de roupa não é brincadeira. Somando as que ainda sobraram, deve dar mais de 100. Isso seria quase meio ano! Considero um absurdo e espero ficar um bom tempo sem comprar roupas.

O match – parte 1

21 ago

Gisele estava entediada em seu apartamento, onde morava sozinha havia mais de um ano. Era sábado à noite e chovia bastante. Seus amigos tinham chamado para uma baladinha, mas estava com preguiça de sair naquela chuva e resolveu ficar em casa mesmo. Apesar do tédio, não se sentia solitária, gostava de ficar sozinha em casa. Não como quando dividia apartamento com colegas da faculdade. Cada uma ficava trancada no seu quarto e era como se ela morasse sozinha, mesmo com o apê cheio de gente. Mal se viam, mal se falavam, aí sim, se sentia solitária.

mexendo smartphoneSe enfiou nas cobertas  com o smartphone na mão. Quase ninguém no facebook, fotos de festas no instagram… Resolveu entrar no Tinder.  Ui, credo… x. Hum, esse parece interessante… . Esse não… esse também não… esse é bonitinho … olha, um conhecido. Depois de alguns X e outros likes, apareceu um match. Rodrigo, 26 anos.

Oi gatinha” – ai, sério? Gatinha? Que coisa mais 1990…

Oi, tudo bem?”

“Tudo e contigo?”

“Tudo certo”

“O que está fazendo?”

“Estou embaixo das cobertas hahaha” 

“Hum que coisa boa… Mora onde?” – Hahaha vai pedir meu endereço pra vir transar.

No centro”

“Você mora com alguém?”

Não, sozinha

Hum… se quiser eu te faço uma visita

“Interessante…”

“Posso levar um vinho”

Gostei da proposta.

“Me passa teu endereço então” – É agora.

” Rua Getúlio Vargas, 530, bloco B 202″

“Em meia hora tô aí”

“Ok, te espero”

* * Continua * *

 

A mais simples

9 ago

– Amiga, se arruma logo que o Renan vai passar aqui pra buscar a gente em meia hora.

– Meia hora?! Como assim? Aonde a gente vai?

– É uma baladinha chique.

Saí correndo pra me arrumar. Nem deu tempo de fazer as unhas. No cabelo, uma chapinha rápida, e prendi metade dele bem alto para poupar tempo, penteado bem básico. Uma maquiagem, também rápida. Coloquei brincos enormes de strass (os mais lindos que tenho ou já tive até hoje) e meu melhor vestido, um tomara que caia preto, de renda. Meu único par de sapatos de salto que combinava com a roupa (pretinho básico de bico fino) ainda tinha resquícios de alguma festa anterior e eu não tinha tido tempo de limpar. Não estava no seu melhor estado (nem no pior também), mas no escuro quem ia ver?

The old Double Seven, crédito: On The Inside

The old Double Seven, crédito: On The Inside

Cheguei no lugar com minha amiga e nunca me senti tão mal. Primeiro que era um aniversário de alguém que eu não conhecia, mas minha amiga me levou porque ela estava hospedada na minha casa – e também porque conhecia pouca gente: uma parte era a turma do ex-namorado dela que tinha chamado a gente, a outra só Deus sabe. Segundo que um amigo do ex dela, com o qual eu já tinha ficado e tinha sido péssimo, estava lá. E por último, mas o que mais pesou: eu estava com a minha melhor roupa e estava me sentindo um lixo, mal vestida e feia. Eu já tinha ido a outras baladinhas chiques e me senti bem, normal, mas naquela eu me senti horrível. As meninas, muito mais bem vestidas do que eu, com sapatos lindos e maxi colares maravilhosos,  me olhavam de alto a baixo, como me avaliando, com aquele ar nojentinho de desprezo.

Eu sentada no sofazinho chique do lounge, com um copo de vodka, gelo e alguma coisa na mão, só reparava nos sapatos impecáveis, e olhava para o meu pretinho velho de guerra, pensando que precisava de um novo (aliás vou ter que confessar que depois desse episódio comprei trocentos sapatos novos e sandálias, antes nem ligava tanto). Mas uma outra pessoa olhava para mim, e não era por causa do calçado ou do look mais simples.

Loiro, alto, de olhos azuis: ele mesmo, o amigo do ex da amiga. Fazia mais de um ano que a gente nem conversava, não tinha rolado uma química legal e tudo ficou por isso mesmo. Na primeira interação, houve uma troca de farpas, daí ele saiu de fininho, como um cão arrependido com as orelhas caídas e o rabo entre as patas, e voltou pra turma dele. Mas toda hora ele voltava, passava por mim e parava pra puxar papo, daí a gente conversava numa boa, e tudo bem. Minha amiga até achou estranho ele vir falar comigo, tão orgulhoso que é “e com tantas gurias se jogando em cima dele”. Até me assustei quando ela disse isso, mas comecei a reparar e os olhares se tornaram meio ameaçadores “como pode ele estar atrás dessa ridícula?”.

Lá pelas tantas, vou ao banheiro. Nada demais, se o carinha não tivesse resolvido ir atrás de mim. Os toiletes masculino e feminino eram no mesmo corredor, meio escondido do resto do lounge. Foi atrás e ainda ficou me esperando na saída. Me parou e puxou conversa, e só saiu quando uma garota de vestido amarelo, que estava na turma, passou e ficou olhando feio pra gente. Ele deu um migué, foi ao banheiro, e eu voltei pra balada. Um pouco mais tarde, essa mesma garota, já bastante bêbada, o agarrava pelo pescoço chorando, e ele bem sério desviando o rosto. E olhava pra mim. Fingi que não era comigo, disfarcei, fiquei longe. Pensou se a moça percebe e arma um barraco?

Dentro do mesmo camarote, outra garota, mas de um outro grupinho, também tentou investir. Ficou um tempão conversando com ele no sofá, pendurada no pescoço dele também. E nada. Depois de um tempo ele se levantou e largou a menina sozinha. Adivinha o que ele fez? Veio direto falar comigo. Se eu ficasse com ele, era encrenca na certa, eu ia apanhar e não seria de uma só. Mas não, eu táva de boa e tinha noção do perigo.  Fiquei na minha. Claro, o ambiente era totalmente desfavorável.

Qual a moral da história? Que não adianta se produzir que nem um pavão que não necessariamente o cara vai olhar pra você? Principalmente se você tinha a intenção de chamar a atenção dele; arrume-se para você, para se sentir bem, e não para os outros (olha eu sendo contraditória!).  Ou que não adianta se jogar no pescoço do cara que ele vai dar bola justamente pr’aquela que não tá dando bola pra ele porque é um alvo difícil? Ou tudo isso junto? Fomos embora, e eu com sensação de alívio por sair sem levar uma porrada de alguma guria ciumenta.

O machão da balada

12 jan

Local: uma balada gay. Não totalmente gay, mas predominantemente. A música é boa, a companhia dos amigos é boa. Tudo lindo.

O que você espera de um lugar desses?  Gays, lésbicas e heteros que não sejam homofóbicos, certo?

Daí passa um cara lindérrimo. Ele me olha, dança comigo, me puxa. Nos apresentamos, ele não era da cidade, só passando férias com os amigos, e por aí vai a conversa. Tudo absolutamente normal. Daí ele solta a pérola:

—Que festa estranha, não?

—Estranha por quê?

—Ah, os caras dançando que nem loucas e se pegando…

—Nossa, que preconceito é esse?!?

Acho que ele não gostou muito de eu ter jogado isso na cara dele. Olhou o celular e disse que ia ao banheiro. Ufa! Menos um babaca na minha lista.

Algumas considerações sobre a cena

1. Tudo bem que ~caras de balada~ são idiotas mesmo, mas não precisava ser otário a ponto de ser homofóbico e ainda expressar isso em voz alta, né?

2. Não sei se eu ficaria com ele depois daquilo, mesmo ele sendo gato pra caramba. Eu já achava ele idiota mesmo, só por ser um ~cara de balada~, depois piorou. Ele podia ter ficado quieto. E mais: o que adianta o cara ser lindo se ele REALMENTE É um idiota?

3. O que o cara táva fazendo numa balada gay se ele “não gosta de gays”? Não curte o ambiente, cai fora! Muito simples.

4. O mínimo que você faz quando viaja é procurar informações sobre a vida noturna do local. Todo mundo em Florianópolis sabe que @ Jivago é uma boite gay! Se você tem essas informações antes, evita encrencas.

5. Vai ver ele táva com medo que pegassem na bunda dele ou dessem uma encoxada nele e ele gostar da coisa.

Um dia escrevo um post mais específico sobre amigos gays  😉

Essência x aparência

23 ago

 Taí uma coisa que a gente vê todo dia: galera compartilhando frases românticas no Facebook, e fora das redes sociais agindo como pegadores e pegadoras. O contrário também: pessoas postando frases de desapego, mas por dentro são super carentes.

Claro que você pode achar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas querendo ou não seus amigos e contatos (e isso incluis os/as pretendentes) pensam que o que você posta condiz com seus pensamentos e seu estado de espírito. E novamente querendo ou não, a gente vive num mundo de aparências, ainda mais nas redes superficiais sociais. Lá estão pessoas que conhecem a sua essência, mas também os bofinhos quem queria te conhecer melhor e acaba tendo uma visão errada da sua pessoa. A velha máxima de que as aparências enganam. Se você aparenta ser desapegada(o), vão te chamar de piriguete (ou de muleke-piranha) e ninguém vai te levar a sério.E o mesmo fora das redes, como diz o Chapolin aí do lado.

Você também não precisa se importar com o que os outros pensam de você, e discordar totalmente de mim. Mas se você se importa com a sua imagem, é bom ficar esperto(a) nesse ponto. Todos estão sempre te olhando… e te julgando.

Foto: Trollamento.com

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