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Reviravolta

10 maio

Era um sábado à noite, e Natália, como de praxe, saiu com duas amigas. O local: um barzinho onde a probabilidade de encontrar alguém conhecido era 100%. Às vezes tinha a impressão de que só existia uma casa noturna na cidade inteira, apesar de ser um lugar pequeno e por vezes frequentado pelo que ela chamava de “pessoas estranhas”. Nem sabia por que raios tinha topado o programa, mas não queria ficar em casa, estava animada para qualquer coisa. Produziu-se com um salto lindo, um batom vermelho e um sorriso no rosto, e lá foi.

bar

 

Estava bem feliz curtindo o som, cantando e dançando, com um copo de cerveja na mão, quando avista alguém conhecido, como já previra. Deu-lhe um sorriso, ele veio falar com ela. Loiro, olhos azuis, barba por fazer, mais de 1,80 de altura, o Pinto Amigo. Otávio a abraçou e soltou uma frase clássica:

– Quanto tempo!

– Ah, pois é… – respondeu, com uma risadinha amarela.

– Vou pegar bebida, depois volto aqui – se enfiou no meio da galera e olhando pra ela de novo – Você tá linda.

Ela sorriu de novo e lhe mostrou o copo, como num brinde com o ar. Virou de costas para ele, voltou-se para as amigas e fez uma careta, virando a cerveja na goela. Nem perguntaram quem era ou por que fizera aquela cara, pois sabiam. Apenas riram. Lá pelas 3 da manhã, o bar já um pouco mais vazio, Natália estava encostada no balcão bebendo, sua amiga estava ali perto beijando um cara que tinha acabado de conhecer e a outra havia ido ao banheiro.

Otávio a viu do outro lado do não-tão-grande salão e viu a oportunidade perfeita para chegar nela, como se precisasse disso. Mesmo assim, o alvo era fácil. Ele também portava um copo, chegou brindando. Conversa vai, conversa vem. A amiga não voltava nunca, e a outra não desgrudava do cara. Não se importava em ficar sozinha, mas detestava dar sopa pra otário e estava rezando pra amiga voltar logo. Ele estava de lado para o balcão, ela, de costas e com os cotovelos apoiados: não queria virar de frente para ele.

– Quer que eu te leve em casa? – perguntou Otávio com ar de quem já sabia que a resposta seria positiva.

– Não. – respondeu, seca.  E bebeu um gole da sua cerveja, olhando de canto de olho a cara dele.

– Que?! – Otávio exclamou com ar incrédulo.

– Não – repetiu Natália, dessa vez com o rosto totalmente voltado para Otávio.

Ele olhou pro seu copo vazio na mão, um pouco desconcertado: Como assim, “não”?

– Não quero que você me leve pra casa, estou com minhas amigas.

Ele, desdenhando, olhou em volta, apontou para a amiga de Natália, agora achatada contra a parede sendo quase engolida pelo desconhecido: “Está?”

Ela respirou fundo: – Volto sozinha de táxi, mas não quero voltar com você.

– Nossa, calma. Por que isso agora?

– Você não reparou que faz uns dois meses que eu não te chamo? Então, não tô mais a fim, só isso.

– Credo, que grossa. Tô achando que isso é falta… – debochou – posso dar um jeito se você quiser.

Natália olhou enfastiada para ele, pegou sua garrafa em cima do balcão e saiu de perto, ia se sentar sozinha numa mesa. Por sorte, a amiga a encontrou no meio do caminho.

– Nossa, que demora. – reclamou Natália

– Achei que era pra deixar vocês dois sozinhos. Quando vi você saindo, vim atrás.

– Não, tô de boa. Vamos sentar?

Sentaram-se e ficaram o resto do tempo bebendo e rindo. Natália nem viu se Otávio havia ido embora. Dali a pouco, a outra amiga se separou do cara, veio até elas, decidiram ir embora. No táxi, Natália abre o vidro e sente o ar da madrugada até leve por ter conseguido dizer não. Estava entalado havia um tempo, sempre que Otávio a procurava, ela dava uma desculpa e não conseguia dizer um NÃO definitivo. Essa foi sua libertação.

Chegou em casa, se enfiou nas cobertas, entrou no facebook e no whatsapp. Tinha uma mensagem dele, dizendo que a achou muito estranha essa noite e esperava que depois pudessem resolver, com uma carinha piscando. Ela só fechou o aplicativo, sem responder.

 

 

 

 

 

Traída

9 jul

Carta*Observação: não quis dizer nesse texto que nenhum relacionamento a distância dá certo. Dão certo se as pessoas se respeitarem e se gostarem de verdade. Esse do texto é um caso isolado (hipotético, talvez). 

Me engana que eu (não) gosto

4 dez

Eu não sei acontece por aí, se é uma epidemia, sinais da modernidade, ou o que, mas uma opinião entre as minhas amigas (solteiras, claro porque as que namoram nem sabem o que é isso) é unânime: dá raiva quando os homens simplesmente somem. E eles vivem fazendo com a gente. Não acontece só comigo, nem só com você que tá lendo isso. É comigo, com você, com a Pâmela, a Thaís, a Stefany, a Larissa, a Luiza, a Fernanda, a Daniela, a Barbara, a Maria, a Nayara, a Cris, a Aline, a Laura…

Tudo parece lindo no começo, eles são super atenciosos e parecem arrumar tempo pra gente em meio a suas mil tarefas. De repente, tudo desanda. Eles perdem o interesse e, ao invés de avisarem que não querem mais ficar com você, não respondem mais mensagens, não falam mais com você, não telefonam mais. E quando você chama para sair, ou cobra deles, qualquer coisa, a resposta sempre é “estou sem tempo”. O resto da frase varia, o trabalho, a faculdade…

Sinceramente, essa não cola mais. A gente sabe que quando chega no ponto que o cara diz isso é porque quer “terminar” (não sei se esse seria a palavra certa, porque não se trata de um namoro, mas de um caso, rolo, whatever) mas não sabe como fazer. Então simplesmente some. Deixa a gente criando expectativas, esperando mandar mensagem, ligar… como tinha acontecido normalmente até aquele momento (e quando ele tinha tempo em meio às mesmas mil tarefas).

Eu realmente queria que aparecesse alguém com um mínimo de consideração que dissesse: olha, não quero mais sair com você. Se for dessa forma, a gente não corre mais atrás. Facilita a vida de todo mundo:  cada um vai pra um lado e tudo certo. Mulher de verdade entende que tá tomando um fora e não vai fazer drama. Pelo contrário, ela vai parar de chamar pra sair porque se dá valor e não vai correr atrás de alguém que não quer estar com ela. Claro que tem gente que faz estardalhaço, com choros e gritos, mas não tô falando dessas. A maioria, até onde eu sei, não faz essa cena.

E outra: a gente não tem bola de cristal pra adivinhar se vocês estão a fim de sair com a gente ou não. Então, se convidamos, parecemos loucas desesperadas e apegadas. Até podemos ter nos apegado, mas como vamos saber se o cara ainda quer alguma coisa SE ELE NÃO DIZ?

Então, esse post é um manifesto, por mim, por todas as minhas amigas e qualquer mulher que se tenha raiva dessa atitude (ou falta de atitude) masculina. Termino com um pedido:

HOMENS, PAREM DE TENTAR ENGANAR A GENTE E ASSUMAM QUE NÃO QUEREM MAIS!

Obrigada!

O que nós solteiras pensamos sobre relacionamentos

14 nov

Eu achava que só eu pensava dessa forma, até ver o seguinte texto de uma amiga no facebook (que ela gentilmente me permitiu postar aqui).

O ruim de ficar tanto tempo solteira é que você vê muitas coisas que não devia. Ou que todas deviam ver, não sei. E acredita cada vez menos em relacionamentos, lealdade, confiança. Tem vontade de ser solteira pra sempre, só pra não ter que passar por tudo aquilo que você já conhece de trás pra frente, ainda que ter alguém faça falta todo dia. Porque ter alguém também faz decepção, de sobra. E eu não tô afim. Vejo todos os dias os caras comprometidos, perdendo completamente a linha por aí.

Colocando a namorada no bolso, sem o mínimo de respeito ou consideração, pegando amiga, prima, mãe e depois se declarando nas redes sociais. E me dá náuseas, definitivamente, não é isso que eu quero pra mim. Não tô generalizando. Tô lamentando o que eu mais vejo na minha vida. Lamentando a morte gradativa da minha esperança de amor e coisas bonitas. Esses dias minha amiga ficou, pela milésima vez, com um carinha que namora. Eles tem tipo um rolo, o cara é galinha profissional, mas ele no facebook é encantadoramente apaixonado, figura clássica. Mais tarde, eu tava ficando com um garoto qualquer e ele recebeu uma sms que dizia “Eu te amo demais, mesmo você não acreditando. Espero pelo dia que vamos ficar juntos pra valer.”, ele leu, fechou e me beijou, sem esboçar nenhuma reação. Me deu um alívio enorme de estar ali por estar. E eu não consigo parar de pensar na história por trás daquela mensagem. E em como aquela menina devia tá se sentindo naquele momento, no quanto ela devia ter relutado pra escrever aquilo e se rendeu, num gesto de esperança, mais uma tentativa de fazer dar certo, de felicidade a dois. No quanto ela podia ser ou já foi eu. E, principalmente, no meu medo, de um dia, voltar a ser a menina que envia a sms. (Por Babi Fonseca)

Continuo a reflexão:

E há ainda outras coisas que a gente que é solteira vê. Por exemplo, namoros que não dão certo, casais que brigam todo santo dia, e insistem em continuar numa relação que todo mundo sabe que já não dá mais certo. Fico me perguntando que sentimento é esse. Já não é mais amor, e não existe mais carinho entre essas pessoas. Tenho várias amigas que namoram, e elas vivem reclamando de seus respectivos namorados. Por que continuar, então? Acho que é conveniência, só para não ter o trabalho de ter que chorar pelo fim da relação, e porque essas pessoas não sabem mais viver sem uma pessoa controlando elas 24h.

Sobre essa questão de homem canalha que fica com você e com outras ao mesmo tempo, porventura apaixonadas pelo tal cara, é mais do que comum. Acho uma falta de respeito enorme o cara ter namorada e sair atrás de outras também. O que aconteceu foi uma banalização dos relacionamentos. Hoje tudo tá muito fácil, as meninas “chegam chegando”, e como tá fácil desse jeito eles não querem abrir mão de todas que podem pegar por causa de uma. Às vezes chego à conclusão de que não existe amor, com uma leve esperança de encontrar alguém um dia que me mostre que estou redondamente enganada.

Cachorro, perigoso, safado, carinhoso…

29 out

… e pronto pra te dar amor, louco pra fazer amor. Que não é bem amor, né? Convenhamos. Mas cachorros e safados com certeza.

A cena típica: A garota conhece um cara, eles ficam, trocam telefone, facebook, etc. No dia seguinte, ele já adiciona e vem puxar papo. Lá pelas tantas ele solta a pérola: “gostei de te conhecer, você é … (insira elogios aqui) …  e linda”. Só esqueceu de continuar: mas daqui um mês vai perder a validade pra mim e eu vou desaparecer do mundo e te deixar sozinha sem que você saiba o motivo.

Esse sabe iludir uma. Ou acha que sabe. Ou sabe mesmo. E agora? Quando o cara começa com essa conversa, a gente até já sabe que é essa a dele: nada sério, só curtição. O problema é que mesmo sabendo a gente cai porque coração é um órgão burro pra caralho. Mesmo que a gente não esteja apaixonada, fica um baixo astral por fins de pseudo-relacionamentos. E aquela sensação de “pô, de novo?”.

Ele é pegador e vem todo carinhoso, é aí que mora o perigo. Dá sempre um medinho, depois de vários enroscos que não deram em nada, começar um novo. A gente sempre tem uma esperançazinha lá no fundo de que finalmente seja O CARA, e ao mesmo tempo medo de se decepcionar mais uma vez. Gato escaldado…  :/

Outro dia eu táva pensando no assunto, andei tendo conversas com amigas que têm/tiveram o mesmo problema e cheguei à conclusão de que essa indefinição nos relacionamentos hoje é pura falta de diálogo. Ninguém nunca pergunta pro outro “o que a gente é afinal?” ou “e aí, qual é a sua?”, coisas assim. A gente (mulher) tem medo de ser rotulada como ~pegajosa~ e espantar o moço pra sempre. Mas a gente nunca sabe se o cara também não pode, de repente, estar pensando a mesma coisa. E eles também nunca perguntam. Fica a eterna dúvida. Já tô nessa: se a pessoa quiser estar com você, não vai fugir.

Talvez nem seja essa a solução, mas mudar de tática de vez em quando… quem sabe.

Epifania de Frango

25 mar

Ele não tem cara de empadão de frango. Mas no meio da minha janta numa sexta-feira à noite antes de ir a uma festa da faculdade, de repente, “não mais que de repente” diria Vinicius de Moraes, eu lembrei dele. Parei com o garfo no ar e fiquei olhando pro nada, meus movimentos se tornando mecânicos e estranhamente lentos. A mínima lembrança daquela pessoa que um dia fora querida me deixou entorpecida. Se eu dissesse que lembro como eram seus beijos estaria mentindo, mas ainda me lembro de seu olhar meio de lado, com um sorrisinho malicioso na boca.

Na época em que não demos certo eu o xingava de canalha e de todos os sinônimos possíveis para esse adjetivo. Mas hoje já não sei se era bem assim, e nem posso dizer se a culpa foi mesmo dele. Se é que existe um culpado. Olho para trás e não consigo mais sentir aquela raiva que me dominara inicialmente. Só tenho lembranças boas, ao mesmo tempo em que sinto um vazio. Pena não ter dado certo.

Ele mudou de estado, eu sei, mas ainda é estranho não o ver mais nas festas da faculdade. E se um dia eu o encontrasse de novo, inesperadamente, apesar de já estar esperando? Qual seria minha reação? E a dele? Deu tempo de repassar na mente toda a nossa história, o que foi e o que devia (e podia) ter sido. Quando me dei conta, estava já tomando o último gole de meu refrigerante.  Olho no relógio. Vou pra festa. E beber pra esquecer.

Praga de Mulher

22 ago

Você me largou? Que pena. No auge da minha raiva eu te rogo uma praga, porque com mulher de ego ferido não se brinca. Ah, não acredita nessas coisas? Então tá…

Quando você estiver no bem-bom com qualquer outra que aceite ir pra cama com você (aquela mesma onde você se deitou comigo diversas vezes), eu espero que você broxe. E seja a pior broxada da sua vida.

Desejo que mesmo que outra faça com você tudo que eu fazia e você se entregue, ela não te dê o mesmo prazer que eu. O toque, as carícias e os beijos serão outros e você perceberá que falta alguma coisa, que só eu era capaz de te dar.

Que você ainda encontre vestígios da minha presença pelo seu quarto (fios de cabelo, marcas de unha na parede, objetos que eu possa ter deixado pra trás) e se recorde de tudo que aconteceu entre nós ali dentro. Que qualquer outra coisa que uma mulher te faça sentir ali não seja nem metade do que eu conseguia fazê-lo sentir.

Que você sinta o meu perfume que ficou no seu travesseiro e no seu edredom, e se lembre de mim na hora. Queria ver a sua cara de tacho quando, pensando em mim, você abrir os olhos e não se deparar comigo, mas sim com uma completa estranha que você nem verá no dia seguinte.

Aí você vai falhar, e a culpa dessa incompetência vai ser toda sua.

LÍNGUA E LITERATURA

PROFESSORA MARIA LÚCIA MARANGON

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