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Timing

4 fev

Esses dias eu vi Boyhood e me chamou atenção (entre outras coisas do filme) um diálogo entre o Mason e o pai dele.

No fim das contas, é tudo uma questão de timing. Digo, veja sua mãe e eu. Eu virei o chato castrado que ela queria que eu fosse 15 ou 20 anos atrás. Não é que ela não tivesse motivos para se irritar, mas ela podia ter sido mais paciente e compreensiva. 

Não é irônico, pra não dizer revoltante, quando alguém que dizia não querer nada sério com você aparece em um relacionamento sério do nada dali dois meses? Ou depois de 15 anos aquela pessoa se tornou o que deveria ter sido muito antes?

As pessoas são incoerentes muitas vezes, mas talvez quando alguém entra na sua vida e te faz mudar certas convicções… é porque era daquilo que você precisava naquele momento. Nem antes, nem depois.

Fiquei pensando ainda mais nisso depois de ver 500 dias com ela… dá uma dor ver o Tom descobrir que a Summer ia se casar, mesmo ela tendo dito a vida toda que não queria um relacionamento. Rola uma identificação forte de ter passado por algo semelhante e saber qual a sensação, principalmente o famoso questionamento “por que não eu?”, “por que não comigo?”. É o timing.

500 days of summer - what always happens

É bem difícil encontrar alguém que esteja na mesma vibe que você e ao mesmo tempo. Acredito que tenha mais desencontros do que encontros nesse sentido. E não dá muito certo também “guardar” em banho-maria uma pessoa que te queria: enquanto você se resolve com seus grilos e curte a fase, esperando chegar no ponto que outro táva, a sua chance passou e a pessoa já está com outro que estava no mesmo momento. Acho que esperar por alguém a vida toda também não seja a solução. A sua vida vai passar do mesmo jeito, você vai ter deixado de viver e conhecer pessoas incríveis, e pode desperdiçar muito tempo da sua vida.

Conheço pessoas (e também já fui uma delas) que o tempo todo querem um relacionamento sério e passam a procurar quem também queira. O grande problema nisso é que a gente entra em mais barco furado do que encontra alguém que queira o mesmo. Quanto mais procuramos, menos achamos. A expectativa vira uma tortura, e parece que a cada término mal resolvido, menos forças a gente vai ter para continuar.

Para mim, o segredo é parar de procurar. A gente se cobra menos e acaba vivendo de uma forma mais leve. E se der certo, ótimo. Se não der, pelo menos aproveitamos aqueles instantes com a outra pessoa e não deixamos de viver nada. Um dia, é o outro que não está no mesmo momento emocional que você, no outro, é você quem não está. É o que sempre acontece. A vida. 

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Para atrair as borboletas

18 nov

Janaína gostava muito de cuidar de plantas e admirá-las. Tinha um grande jardim em sua casa e seu maior desejo era vê-lo todo florido, com plantas belas e verdinhas, atraindo beija-flores e borboletas. Sempre se chateava pois não conseguia fazer suas pequenas mudas florescerem: cada vez que um botão nascia, mal desbrochava e caía. As plantas não cresciam, estavam sempre murchas, com folhas amareladas.

Ela se perguntava se o problema era falta de água, ou falta de adubação, se era por causa do sol, ou, ainda, se não estaria fazendo a poda na lua adequada. Janaína via seus vizinhos com jardins lindos, onde havia ninhos de pássaros e flores das mais variadas. Não sabia o que estava fazendo de errado. Ficava cada vez mais desesperada e ansiosa quando alguma plantinha começava a crescer e não vingava.

Resolveu perguntar para a vizinha do lado o que ela fazia. Ela foi taxativa: muito adubo! Como era possível que Janaína não houvesse pensado nisso antes? Que solução simples. Comprou vários fertilizantes, em bastão, líquido e em pó, espalhou pelo jardim e pensou que era só esperar. Mas dali um tempo, algumas plantas ficaram com as folhas deformadas, outras ficaram parecendo queimadas, e umas tantas secaram.

Tentou também a técnica do vizinhojardim florido mulher que morava na casa da frente: deixar que a natureza se encarregasse de cuidar. Pensou que era uma boa ideia. Quem melhor do que a própria natureza para fazer suas plantas se desenvolverem? Mas foi uma época de estiagem, e suas plantas secavam cada vez mais, algumas até morreram de vez. Para ela não havia dado certo. O vizinho deveria ter algum segredo a mais, pois o jardim dele continuava verde, e o de Janaína estava seco!

Olhava com dó para seu jardim quase morto. Revoltou-se e pensou em dar uma mãozinha, aguando as plantas durante esse período sem chuvas. Com um regador na mão, aproximou-se de um arbusto do que deveriam ser prímulas, e que eram um punhado de hastes e folhas secas. Sentiu vontade de chorar. Foi regando aos poucos, pedindo àquela planta que crescesse, que ao menos ficasse verde, nem se importava mais em ter lindas flores, contanto que tudo estivesse verde.

Foi ajudando as plantas a se recuperarem aos poucos. Já não esperava muita coisa, desde que não ficassem amarelas nem morressem. Nem se deu conta de que algumas delas começavam a desabrochar sem grande esforço. E foram tantas que fizeram isso ao mesmo tempo, que Janaína quase nem acreditou. Quando notou, o jardim já atraía borboletas, abelhas, joaninhas, beija-flores, e até joões de barro escolheram suas árvores para fazer casa. Nem sabe dizer quando foi que as primeiras chegaram, pois talvez tenha demorado a perceber. Tampouco sabe o que fez de diferente para que tudo mudasse, mas apenas mudou, para coisas mais positivas e mais belas.

Porém, como qualquer jardim bem cuidado, não atraía apenas seres bonitos, meigos, benéficos. Vieram lesmas e taturanas, aranhas e sapos. O ambiente hospitaleiro traz todo tipo de aproveitador. Ainda assim, não podia ser ingrata com todos os animaizinhos por causa de uns poucos mais grotescos ou assustadores, era só afastar esses ou ignorá-los. Afinal, manter o jardim bem cuidado e atrair coisas bonitas e boas eram seus objetivos, não? Janaína telvez sempre soubesse como deveria fazer para que seu jardim florisse, apenas relutava em acreditar que haveria um método único, aplicável apenas a si própria. E talvez também não soubesse que só conseguiria cuidar dele quado  já estivesse suficientemente preparada para isso. E como aconteceu? “Não sei, só sei que foi assim”.

O match – parte 2

28 ago
mexendo smartphone

Leia a primeira parte clicando na foto

Meia hora depois, Rodrigo, debaixo de chuva, desce do carro com uma garrafa na mão. Não tinha sequer um guarda-chuva consigo. Ainda bem que tinha conseguido estacionar bem em frente à portaria do prédio da garota, logo do outro lado da rua.

Saiu correndo embaixo da chuva e ainda pisou na correnteza que estava se formando na guia. Ensopou os pés e a barra da calça. “Merda!” Se abrigou embaixo do toldo na portaria, pegou o celular no bolso, para ver qual era o apartamento. Um pouco apressado e ansioso, digitou.

– Pronto – uma voz feminina atendeu.

– Oi Gisele, aqui é… – Rodrigo diz empolgado

– Gisele? Aqui não tem nenhuma Gisele – interrompeu a voz.

– Desculpe, interfonei errado. – disse um tanto decepcionado, pois achara linda aquela voz que havia atendido.

Digitou de novo, dessa vez com mais cuidado: B 202.

– Pronto? – a mesma voz.

– Ah… eu interfonei há pouco… Aí é o B 202?

– Sim… – respondeu, intrigada.

– Desculpe, eu estou procurando a Gisele. Foi engano. – desligou.

Não era possível. A moça estava brincando com ele, fingindo que não era a Gisele… interfonou de novo.

– Moço, eu já te disse que aqui não tem nenhuma Gisele. – disse a voz um pouco irritada, sem nem esperar que Rodrigo falasse qualquer coisa.

– Escuta aqui, cara – uma voz masculina raivosa – pare de interfonar aqui essa hora da noite! Aqui não tem Gisele porra nenhuma.

– Já sei… Peço desculpas. Devem ter me mandado o endereço errado.

– Vá se foder! – Desligam com violência.

Rodrigo, desanimado, volta pro carro. Nem se importa com a chuva. A vontade era de jogar a garrafa  no chão e amaldiçoar a tal de Gisele. A garota, com a brincadeirinha, havia arruinado sua noite.

* * Continua * *

 

 

 

 

 

Esperar, esperança

5 jul

Parece que foi ontem, mas já faz um mês que a gente resolveu terminar. Tem um lapso aí no meio e eu não sei bem ao certo onde estive ou o que fiz esse tempo todo. Eu fico prolongando a minha dor pensando em tudo que aconteceu. É o meu modo de tocar a vida depois de tudo, não quero perder o que a gente viveu, não quero esquecer algo que foi bom. Sei que não deveria alimentar esses sentimentos, mas ainda tenho a sensação de que não acabou. Talvez seja porque eu não quero que acabe.

Mas, na real, tenho a sensação de estar te perdendo pela segunda vez: a primeira quando a gente terminou, agora porque você está me esquecendo. O término aconteceu numa boa (o que eu não sei ainda se é bom ou ruim), mas já não nos falamos como antes. No começo, você vinha e minha cabeça ficava em parafuso: qual é a dele? Mas então eu fiz a besteira de te pedir para não falar mais comigo em nenhuma rede social, nem skype ou whatsapp, e agora não sei mais se você não vem por respeito ao meu pedido ou porque não quer manter contato.

Por mais que eu tente resistir à vontade de falar com você, eu sempre vou. Não posso te ver online sem imaginar o que você está fazendo do outro lado, e se está me esperand0 ir falar com você. E se você fica off, eu saio também, porque não faz mais sentido continuar ali – e ainda por cima eu encaro cada postagem sua no Facebook (as frases, as músicas…) como uma indireta, será que são?,  e as curto desesperadamente para te mostrar que eu entendi o recado. Antes você insistia tanto em dizer que entrava nos chats da vida só para conversar comigo, e porque estava com saudades… daí eu me pergunto por que raios a gente terminou se ainda nos gostamos.

Não sei o que vai acontecer, eu só fico esperando você tomar alguma atitude, me chamar para sair, por exemplo. A minha última esperança de que alguma aconteça reside num livro meu que está sob sua custódia. Preciso ir buscá-lo. Óbvio que é a desculpa perfeita para que eu possa ver você de novo. E eu sei que tenho o poder de te fazer me desejar quando me encontrar. Quero que tudo que você sentia (ou sente?) volte! Quero que a gente volte.

Parece que enquanto você tem posse de um objeto meu, ainda temos algum vínculo. Quando eu o recuperar, será que vou ter outra chance para te ver, ou vou ter que arrumar uma nova desculpa? A minha única certeza agora é o nosso horário marcado para eu ir buscar na sua casa o tal livro. Estrategicamente na sexta-feira, caso você resolva me levar para fazer outra coisa. Já contando com essa possibilidade, dispensei as festas e baladas com a galera. Planejei isso a semana toda, um frio na barriga imenso.

Tive de sondar a sua irmã para saber alguma coisa sobre você. Segundo ela, você pretende me levar ao cinema, para ver a continuação do meu filme preferido – que é o seu também. Tomara que você faça isso mesmo, estou ansiosa. Você solucionaria o meu problema de ir assisti-lo, porque não há outra hipótese a não ser ir com você. Meus amigos disseram que iriam comigo, mas eu não quero ir com eles. Não são eles que eu quero. Ao mesmo tempo não quero tirar conclusões precipitadas… e se você só quiser ser meu amigo?

Eu só espero que não apenas eu chegue lá, você me devolva o que é meu e me dê tchau, dizendo que vai sair com os amigos. Se isso acontecer, o que vai me restar? Volto para casa, jogo o livro num canto, me atiro na cama e choro até dormir, enquanto todos se divertem. Mas não vai dar errado, não pode dar errado.

 

Sangue frio

18 jun

Te ver e não te querer é improvável, é impossível…  

Eu não costumo sair com caras que são do meu círculo social, menos ainda aqueles que eu tenho de ver toda semana por causa de uma obrigação em comum. Não sei se é uma preferência minha ou porque esse tipo de situação acontece poucas vezes.

Uma vez eu fiquei com um que fazia um curso comigo. A gente se xavecou um tempo e ele parou de ir às aulas. Quando saímos fazia um mês que não o via, e ele apenas continuou a não frequentar as aulas. Logo, não houve encontros embaraçosos.

Desta vez o encontro era meio inevitável. Nosso encontro semanal foi absolutamente normal, como se nada tivesse acontecido – o que é péssimo, já que na realidade aconteceu algo entre a gente. Tentei ser natural, mas temo que as atitudes tenham parecido forçadas – porque de fato foram.  Alguma coisa mudou? Ainda não sei, de diferente apenas um abraço quando você veio me cumprimentar.

É ruim não saber como devo agir se você não dá nenhuma pista do que está pensando. Tenho que me segurar: para não falar nada, para não demonstrar nada, para não fazer nada. Fico sem saber o que fazer, porque não sei o que vai acontecer depois. Foi só uma noite mesmo?

Eu quero

29 jan

“Quero um garoto que vá tirar o cabelo dos meus olhos, e depois me beijar. Que vá segurar a minha mão na fila do shopping e fazer todas as meninas ficarem com inveja. Um menino que vai cantar para mim em momentos aleatórios. Que vá me deixar dormir em seu peito. Eu quero um cara que vá dizer à sua família e amigos tudo sobre mim. Que traga-me sopa ou suco de laranja quando estou doente. Eu quero um garoto que seja mais pateta do que romântico, mas saiba as coisas certas a se dizer na hora certa. Eu quero um menino que vá me ligar milhares de vezes por dia, mas logo em seguida me peça desculpas por ligar tanto e não importe quantas vezes eu lhe disser que está tudo bem, continue ligando. Um rapaz que vá me deixar fofocar para ele e apenas sorrir e concordar com tudo o que eu digo. Um menino que me beije um milhão de vezes. Que vá apostar beijos comigo. Que tire sarro de mim só para me fazer rir. Que vá me levar ao parque, que coloque suas mãos em volta da minha cintura e me abraçe o tempo todo. Eu quero um menino que, à noite, vá dançar de pijama comigo. Um menino que tire fotos em cabines comigo. Um menino que sente comigo no chão da cozinha enquanto comemos sanduíches. Quem vai me beijar na chuva. Eu quero um garoto que tente me ensinar a tocar violão, mesmo que acabemos rindo um do outro. Eu quero um garoto que vá passar os dedos pelo meu cabelo, compartilhar seus pirulitos comigo, e conviver com todos os meus amigos. Alguém que nunca tenha medo de dizer eu te amo na frente dos outros e alguém que discuta comigo sobre coisas tolas só para fazermos as pazes. Alguém que vai me beijar à meia-noite de ano novo e que vá fazer caretas engraçadas para mim quando estou no telefone. Eu quero um garoto que vá contar estrelas comigo. Eu quero um menino que fique em casa comigo numa noite de sexta-feira apenas para me ajudar a fazer o jantar e assistir a filmes juntos sob o mesmo cobertor.Eu quero um menino que me olhe no olho e me diga uma coisa séria, que também seja engraçado e me faça prometer não rir… Mas principalmente eu quero um menino que seja o meu melhor amigo e estará sempre lá por mim. aaanw *-*”

Amém!

Texto da minha amiga Pamela Barbosa, no Tumblr Welcome to my Life

Um amor para 2013

1 jan

Mais um ano começa, um novo ciclo na vida, e as esperanças se renovam. Esperança de fazer tudo diferente, começando com as promessas de Ano Novo, esperança de que algo mude, de que aquela coisa que te incomoda se dissipe, que as tristezas e mágoas vão embora…

A gente sempre faz simpatias pra conseguir realizar naquele ano um desejo que não depende somente de nós mesmos, mas de sorte, conjunção cósmica, vontade de Deus, destino. Confesso que fiz simpatia pra tentar atrair amor. Tem gente que tem sorte e u namorado simplesmente cai do céu. Quem sabe algum deus fique com dó de mim e acabe por atender meu singelo pedido?

E não peço nada de mais. Só quero alguém de quem eu goste, por quem eu sinta borboletas no estômago, aquela ansiedade antes de um encontro, e não só atração física porque só pegação uma hora cansa. Uma pessoa que sinta o mesmo por mim e não me tenha somente como um objeto ou passatempo, que não tenha vergonha de me assumir e esteja disposto a abrir mão das outras para ficar comigo. Alguém que realmente queira estar comigo, e que não esteja comigo só quando não tem mais ninguém disponível. Uma pessoa que não despareça do nada para aparecer depois de meses querendo sair novamente, alguém que não me machuque e que passe essa segurança.

Quero uma pessoa que me segure quando eu me jogar nessa paixão, para eu não cair e quebrar a cara. Ou que, quando eu me jogar, me ensine a voar para que eu não caia.

Com o ano novo renasce a esperança de encontrar, a expectativa retorna e fica a pergunta: será que é esse ano? Eu sei que tudo tem a hora certa para acontecer. Além disso, acredito também na mística de que se você desejar alguma coisa e mentalizá-la, aquilo tem o poder de se materializar e vem até você. Por isso, eu espero.

Imagem

associacaodasletras.wordpress.com/

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