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Gratidão – parte 2

11 out
gratidão

Clique na foto e leia a primeira parte dessa história

Chegou em casa moída, os pés latejando, às oito da manhã. Mas estava feliz. Até poucos dias atrás, achava que não ia poder nem conseguir se divertir tão cedo novamente. E apenas dormiu.  Foi acordada pelo telefone, um amigo chamando para ir ao shopping. Mais uma amiga iria também, os encontraria mais tarde. Curtiu um belo almoço com a família que não via há meses. E mesmo cansada foi ver os amigos.

Estava lá com os dois, andando pelas lojas, de repente o telefone toca. Olhou o visor. Um número estranho, DDD 11, de São Paulo. De primeira, achou estranho. Mas aí teve um estalo. Será que era ele? Não, não podia ser. Atendeu, ainda estranhando. Era ele mesmo. Ela não podia esconder a voz de alegria, tinha gostado do moço. E, meu Deus, como assim ele estava ligando pra ela? Não podia acreditar naquela sorte. E ele queria sair com ela! E estava dizendo que ia até onde ela estava. Mais inacreditável ainda. Claro, com a autoestima lá no chão, só conseguia pensar que era a mulher mais feia e desinteressante do mundo. Só acreditaria quando ele estivesse bem ali, na sua frente.

Algum tempo depois, o celular toca de novo: cheguei ao shopping, onde você está? Seu queixo caiu. Respondeu onde estava, loja x, já ansiosa. Um minuto depois, nova ligação. Ele estava na frente da tal loja, esperando por ela. Deixou os amigos no caixa pagando as compras e foi encontrar o garoto. Toda sem jeito, mas com um sorriso bobo no rosto, os olhos brilhando. Mas não tanto quanto os dele. No instante em que se encontraram, ele fez uma coisa totalmente surpreendente: meteu-lhe logo um beijo. Assim, sem se segurar mesmo e sem rodeios ou timidez. E por que se seguraria? Disse que já havia feito o bastante disso na noite anterior.

Os amigos saíram da loja, vieram falar com eles e saber, nada curiosos, quem era “o bofe”. Depois inventaram alguma coisa e saíram de fino para deixar os dois sozinhos. Sentaram para tomar um chopp, ficar juntinhos e se conhecerem um pouco mais. Ele já ponderava que a distância não era nada, tinha uma irmã cujo namorado morava em Joinville (SC também), e que eles namoravam havia bastante tempo… ela cética por estar ouvindo aquelas coisas. Se perguntava como  ele podia pensar num relacionamento a distância… nem se conheciam  direito! Mesmo assim, achou aquelas palavras bonitas. Podiam ser promessas feitas no calor do momento, mas pelo menos existia algum calor.  Se sentiu querida, desejada… ainda mais porque ele não parava de dizer que ela era linda. Era tudo o que precisava.

Mas diz o velho ditado que tudo que é bom dura pouco. Logo ela precisava ir embora. Seu pai viria buscá-la, ainda precisava visitar sua madrinha, e terminar de arrumar a mala para pegar um avião cedinho.  Quando se despediram, ele a ergueu do chão, abraçando-a, e se beijaram de um jeito de tirar o fôlego.

No outro dia, sobrevoava algum ponto do litoral entre SP e SC, ouvindo música no mp3.  Repassava todo o fim de semana na cabeça, sorrindo – mas com algumas lágrimas – novamente com cada detalhe que recordava. Engraçada a vida. Às vezes coisas muito boas podem surgir das piores coisas que te acontecem.  Se não tivesse levado aquele fora, não teria tido a oportunidade de conhecer alguém tão legal e que lhe colocou no eixo novamente, lhe mostrou seu devido valor. Não imaginava que o mundo ia lhe provar que ainda existiam caras legais. Podia voltar a ter esperança. Podiam nunca mais tornar a se ver, podiam nunca mais se falar, mas aquela pessoa já tinha marcado de alguma forma. Ela lhe era grata, muito, muitíssimo. Uma curta história, mas que lhe abriu a mente e o coração de novo.

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Quando você se importa

15 set

O gatinho viajou. A viagem já estava planejada havia dias, e eu sabia disso. Não foi a primeira vez que aconteceu, e não fiquei trancada em casa chorando as mágoas por isso nenhuma das vezes em que ele estava longe. Vou aproveitar e sair com os amigos, certo? Tenho muitas amigas que namoram e não saem de casa nem por decreto se o namorado viaja, porque eles não gostariam que elas saíssem. Sempre fui uma pessoa bastante festeira (e essas mesmas amigas costumam me repreender por isso), bastante solta, e não consigo partilhar desse pensamento delas. Ou, pelo menos, não conseguia até agora.

pensativa

Nunca me importei de sair cada um para um lado quando estava envolvida com caras que eu sabia que eram umas tranqueiras. Sabia que se eles não me chamavam para sair no final de semana era porque estavam planejando gandaiar com os amigos. Iam se divertir, encher a cara e pegar várias. Por que eu deveria ficar em casa? Peso na minha consciência em fazer o mesmo: ZERO.

Principalmente porque era o tipinho de chamar pra sair em dias aleatórios da semana em que ninguém sai: segunda, terça… mas nunca na sexta ou no sábado, dias de caçar, e não de ficar em casalzinho. Aliás, cada um ia pra um lugar e nem dizia aonde iria ou aonde tinha ido. Se acontecesse de irem ao mesmo local, legal, senão, foda-se.

Mas daí apareceu alguém diferente, que me fez até pensar sobre essa coisa de ser soltinha demais. No dia em que ele ia viajar tinha uma festa open bar, para a qual uma amiga havia me chamado. No começo fiquei na dúvida se ia ou não, afinal era um open bar. Meio pesado, e talvez até inapropriado para ir sozinha, mesmo querendo estar acompanhada, o que eu sabia que não ia ser possível. Comentei o fato com ele, ao que me respondeu: “vai, ué”. Exatamente como quem diz “aproveita que eu não vou estar aqui e se divirta com seus amigos”.

A gente sempre sabe onde o outro está, ou aonde foi. Não fiz nenhuma besteira (e nem ia fazer mesmo, longe de mim deixar tudo ir por água abaixo), então não tem motivo pra omitir a informação. Quero mais é que ele saiba para evitar surpresas desagradáveis. Se eu encontrasse algum amigo/a dele, e dissessem a ele depois que havia me visto, ele só responderia “eu sei que ela foi”. Respeito é essencial. E também acredito que dar satisfação seja importante para adquirir confiança.

Se ele estivesse na cidade eu convidaria para ir comigo, porque quero que ele me acompanhe, e acredito que ele fosse topar, como tem acontecido. E ele provavelmente chamaria alguns amigos também. O outro lado da moeda também é válido: quando eu não puder sair junto com ele e os amigos, quero mais é que ele vá.

Eu fui a essa tal festa open bar, como fui a outras festas também, só acho que essa ida teve um peso e um significado maiores. Eu me diverti, bebi, cantei, gritei, dancei. Mas parecia que faltava algo. Talvez seja por essa falta que as pessoas não saem quando estão desacompanhadas, conheço pouquíssimas que o fazem. Deve ser mais fácil dizer que o namorado/a não deixa, não gosta que saia sozinho/a, do que explicar que não tem vontade de sair sem ele/a junto. Só que aí os amigos ficam com raiva do namorado/a hahaha. Não sei se dá para a outra pessoa perceber, nesses pequenos detalhes, mas eu realmente me importo. 🙂

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