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Para atrair as borboletas

18 nov

Janaína gostava muito de cuidar de plantas e admirá-las. Tinha um grande jardim em sua casa e seu maior desejo era vê-lo todo florido, com plantas belas e verdinhas, atraindo beija-flores e borboletas. Sempre se chateava pois não conseguia fazer suas pequenas mudas florescerem: cada vez que um botão nascia, mal desbrochava e caía. As plantas não cresciam, estavam sempre murchas, com folhas amareladas.

Ela se perguntava se o problema era falta de água, ou falta de adubação, se era por causa do sol, ou, ainda, se não estaria fazendo a poda na lua adequada. Janaína via seus vizinhos com jardins lindos, onde havia ninhos de pássaros e flores das mais variadas. Não sabia o que estava fazendo de errado. Ficava cada vez mais desesperada e ansiosa quando alguma plantinha começava a crescer e não vingava.

Resolveu perguntar para a vizinha do lado o que ela fazia. Ela foi taxativa: muito adubo! Como era possível que Janaína não houvesse pensado nisso antes? Que solução simples. Comprou vários fertilizantes, em bastão, líquido e em pó, espalhou pelo jardim e pensou que era só esperar. Mas dali um tempo, algumas plantas ficaram com as folhas deformadas, outras ficaram parecendo queimadas, e umas tantas secaram.

Tentou também a técnica do vizinhojardim florido mulher que morava na casa da frente: deixar que a natureza se encarregasse de cuidar. Pensou que era uma boa ideia. Quem melhor do que a própria natureza para fazer suas plantas se desenvolverem? Mas foi uma época de estiagem, e suas plantas secavam cada vez mais, algumas até morreram de vez. Para ela não havia dado certo. O vizinho deveria ter algum segredo a mais, pois o jardim dele continuava verde, e o de Janaína estava seco!

Olhava com dó para seu jardim quase morto. Revoltou-se e pensou em dar uma mãozinha, aguando as plantas durante esse período sem chuvas. Com um regador na mão, aproximou-se de um arbusto do que deveriam ser prímulas, e que eram um punhado de hastes e folhas secas. Sentiu vontade de chorar. Foi regando aos poucos, pedindo àquela planta que crescesse, que ao menos ficasse verde, nem se importava mais em ter lindas flores, contanto que tudo estivesse verde.

Foi ajudando as plantas a se recuperarem aos poucos. Já não esperava muita coisa, desde que não ficassem amarelas nem morressem. Nem se deu conta de que algumas delas começavam a desabrochar sem grande esforço. E foram tantas que fizeram isso ao mesmo tempo, que Janaína quase nem acreditou. Quando notou, o jardim já atraía borboletas, abelhas, joaninhas, beija-flores, e até joões de barro escolheram suas árvores para fazer casa. Nem sabe dizer quando foi que as primeiras chegaram, pois talvez tenha demorado a perceber. Tampouco sabe o que fez de diferente para que tudo mudasse, mas apenas mudou, para coisas mais positivas e mais belas.

Porém, como qualquer jardim bem cuidado, não atraía apenas seres bonitos, meigos, benéficos. Vieram lesmas e taturanas, aranhas e sapos. O ambiente hospitaleiro traz todo tipo de aproveitador. Ainda assim, não podia ser ingrata com todos os animaizinhos por causa de uns poucos mais grotescos ou assustadores, era só afastar esses ou ignorá-los. Afinal, manter o jardim bem cuidado e atrair coisas bonitas e boas eram seus objetivos, não? Janaína telvez sempre soubesse como deveria fazer para que seu jardim florisse, apenas relutava em acreditar que haveria um método único, aplicável apenas a si própria. E talvez também não soubesse que só conseguiria cuidar dele quado  já estivesse suficientemente preparada para isso. E como aconteceu? “Não sei, só sei que foi assim”.

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O match – parte 1

21 ago

Gisele estava entediada em seu apartamento, onde morava sozinha havia mais de um ano. Era sábado à noite e chovia bastante. Seus amigos tinham chamado para uma baladinha, mas estava com preguiça de sair naquela chuva e resolveu ficar em casa mesmo. Apesar do tédio, não se sentia solitária, gostava de ficar sozinha em casa. Não como quando dividia apartamento com colegas da faculdade. Cada uma ficava trancada no seu quarto e era como se ela morasse sozinha, mesmo com o apê cheio de gente. Mal se viam, mal se falavam, aí sim, se sentia solitária.

mexendo smartphoneSe enfiou nas cobertas  com o smartphone na mão. Quase ninguém no facebook, fotos de festas no instagram… Resolveu entrar no Tinder.  Ui, credo… x. Hum, esse parece interessante… . Esse não… esse também não… esse é bonitinho … olha, um conhecido. Depois de alguns X e outros likes, apareceu um match. Rodrigo, 26 anos.

Oi gatinha” – ai, sério? Gatinha? Que coisa mais 1990…

Oi, tudo bem?”

“Tudo e contigo?”

“Tudo certo”

“O que está fazendo?”

“Estou embaixo das cobertas hahaha” 

“Hum que coisa boa… Mora onde?” – Hahaha vai pedir meu endereço pra vir transar.

No centro”

“Você mora com alguém?”

Não, sozinha

Hum… se quiser eu te faço uma visita

“Interessante…”

“Posso levar um vinho”

Gostei da proposta.

“Me passa teu endereço então” – É agora.

” Rua Getúlio Vargas, 530, bloco B 202″

“Em meia hora tô aí”

“Ok, te espero”

* * Continua * *

 

Contra a maré

14 ago

“- Você sonha com um belo futuro, mas um dia perceberá o quanto este mundo é corrupto e imundo. – Rainha Beryl, debochando da Princesa.
– Não! Eu acredito! – Sailor Moon, gritando.
– No amor? Na amizade? Na confiança entre as pessoas?
– Acredito. Acredito neste mundo que todas tentaram proteger.
– Tola! Não há nada em que acreditar neste mundo podre!
– Por favor, Cristal de Prata! Faça-me acreditar ainda mais no mundo em que todos acreditam!”

O diálogo é do último episódio de Sailor Moon Classic, entre a Rainha Beryl e a Princesa da Lua. As guerreiras morreram para salvá-la, e ela invoca a memória de suas amigas para que a ajudem e deem forças. Chorei que nem um bebê ao assistir novamente, depois de muitos anos. Por quê? Me identifico com a luta da Sailor Moon, pois também acredito em todos esses valores e sentimentos que hoje em dia parecem ser raridade. Amor, amizade, lealdade, bondade. As pessoas não os têm mais, nem os consideram, até riem daqueles românticos, como eu, que acreditam. Mas é engraçado como existem livros e filmes aos montes pregando esses sentimento, e quase ninguém parece notar. Será que elas se deixam tocar pela mensagem que está sendo passada ali?

O maior ponto fraco de alguns heróis de sagas (senão da maioria deles) é a lealdade aos amigos, amores e à família. Os inimigos, tendo conhecimento disso, sempre tentam atingir os heróis sequestrando ou atacando as pessoas que os heróis estimam, porque sabem que o amor é tamanho, que o herói VAI tentar resgatá-las. Harry Potter, Percy Jackson e Luke Skywalker são alguns nomes que posso citar. E o que dizer da lealdade do hobbit Samwise Gamgee, que foi até os confins de Mordor com seu amigo Frodo para ajudá-lo a destruir o Um Anel? Não fosse por Sam, talvez Frodo não tivesse concluído sua tarefa.

Me debulho de chorar diante de demonstrações de verdadeira amizade e de lealdade. Mas não só isso, carrego-as como lição de vida. Se eu precisasse ir com uma amiga até Mordor para ajudá-la a destruir um objeto, eu iria. Se eu precisasse lutar contra o mal para ajudar um amigo, eu o faria. Mas a maioria não. Por achar que não vale a pena. Por acreditar que o amigo não retribuiria, que o sacrifício não seria considerado, que o amor um dia iria trair. Sim, nem em amor verdadeiro as pessoas acreditam mais, acham que ele pode ser comprado.

Esses dias me deparei com uma postagem, em uma página do facebook onde as pessoas enviam perguntas anonimamente, em que a pessoa perguntava o que os outros preferiam: um amor verdadeiro ou dinheiro. Fiquei bastante chocada com o fato de 99% das respostas serem “dinheiro”. Depois, parando para refletir melhor, fiquei bastante triste, e não apenas chocada. Em pleno século XXI, você deve estar estranhando meu espanto. Mas afinal, o que eu esperava encontrar nas respostas? Ainda acredito na bondade das pessoas. Acredito no amor, por mais que zombem, por mais que a maioria diga que isso não existe e é coisa de contos de fadas. O mundo é sim um lugar bom. Nossos sonhos podem virar realidade. O amor existe e ser amado de verdade é possível. Príncipes e princesas estão por aí, andando no meio de nós. Basta acreditar, mesmo que falem o contrário.

A Lei do Desapego

6 fev

Ultimamente tenho notado o quanto as pessoas pregam o Desapego. Batem no peito e dizem com orgulho que não se apaixonam, não criam expectativas, não estão nem aí se a pessoa com quem se relacionam ficar com outra, conseguem se relacionar com duas ou três pessoas ao mesmo tempo, o tal do poliamor também tem se tornado mais frequente, e ouço diversas vezes por dia o termo “amor livre” … tenho amigos(as) que me dizem o tempo todo para não me apegar, para ser mais desencanada, como se esse comportamento fosse regra social e eu não pudesse fazer diferente, nem pudesse querer uma relação monogâmica, como se qualquer outra forma de amor não fosse livre.

Já tentei, e não consegui nem consigo ter relacionamentos abertos e praticar o desapego. Está na minha essência ser apegada – mas não possessiva, acho que existe um abismo de diferença entre essas duas coisas. Às vezes me sinto uma incompetente por não conseguir ser desapegada, preciso me respeitar mais e me aceitar mais. E seria legal também que as pessoas parassem de emitir suas opiniões como se fossem uma verdade universal. Em tempos de comportamento massificado, qual o problema em ser diferente? Em sentir diferente? Qual o problema em não querer objetificar as pessoas com quem me relaciono ou em querer estar com elas porque gosto delas e não somente porque me satisfazem?

Imagem Tenho percebido também que as pessoas relacionam apego à satisfação do próprio ego, egoísmo. Acho que os significados de algumas palavrinhas aqui andaram sendo distorcidas. Segundo o dicionário Houaiss, egoísmo é apego excessivo, ao passo que egocêntrico é alguém que não se importa com os interesses alheios. Apego significa ter estima, afeição por algo/alguém. Enquanto desapego é desinteresse, desamor, e desapegar é não ter envolvimento. Acredito que esses indivíduos ditos desapegados sejam os verdadeiros egocêntricos, porque não estão a fim de se doar ao outro, enquanto o apegado está.

Se antes eu sentia que havia uma pressão para namorarmos, casarmos e termos filhos – normalmente vinda de pessoas mais velhas ou de círculos sociais mais conservadores – , hoje a pressão é para sermos desapegados. Eu, particularmente, não me encaixo em nenhuma das duas categorias, estou perdida num meio-termo que ninguém parece entender ou respeitar. Um ex meu até disse que só porque sou feminista, eu deveria ser mais moderninha nessa questão de relacionamentos. Honestamente acho que uma coisa não implica a outra, mas às vezes penso que estou fora do meu tempo. Ou todos nós estamos, já que esta parece ser uma época de transição de valores, princípios, sensações. É melhor ter sentimentos ou não tê-los? É melhor se doar, se entregar ou ser uma pessoa fria? Cada um sabe o que é bom pra si mesmo. Eu prefiro sentir.

Essência x aparência

23 ago

 Taí uma coisa que a gente vê todo dia: galera compartilhando frases românticas no Facebook, e fora das redes sociais agindo como pegadores e pegadoras. O contrário também: pessoas postando frases de desapego, mas por dentro são super carentes.

Claro que você pode achar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas querendo ou não seus amigos e contatos (e isso incluis os/as pretendentes) pensam que o que você posta condiz com seus pensamentos e seu estado de espírito. E novamente querendo ou não, a gente vive num mundo de aparências, ainda mais nas redes superficiais sociais. Lá estão pessoas que conhecem a sua essência, mas também os bofinhos quem queria te conhecer melhor e acaba tendo uma visão errada da sua pessoa. A velha máxima de que as aparências enganam. Se você aparenta ser desapegada(o), vão te chamar de piriguete (ou de muleke-piranha) e ninguém vai te levar a sério.E o mesmo fora das redes, como diz o Chapolin aí do lado.

Você também não precisa se importar com o que os outros pensam de você, e discordar totalmente de mim. Mas se você se importa com a sua imagem, é bom ficar esperto(a) nesse ponto. Todos estão sempre te olhando… e te julgando.

Foto: Trollamento.com

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