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Desce mais um

19 jul

Todo mundo tem alguma quedinha por profissionais de uma área específica: por advogados, policiais, médicos, engenheiros… eu tenho uma queda por barmen. Não sei qual é o meu problema com eles, juro que é algo inconsciente, não fico “caçando” e analisando todo cara que trabalha em bar pra saber se é ~pegável~. Não sei se aquela meia-luz do balcão dá um ar de mistério, se é porque eles parecem desencanados por trabalhar ~na noite~, ou porque são os fornecedores do álcool que alegra minha noite (HAHA)… nunca ganhei bebida de graça nem entrada VIP e também nem quero usurpar. Só quando se tratavam de amigos barmen (Alex, Junior e Fabiano, beijo pra vocês!).

O primeiro barman da minha vida fazia aula de dança comigo. Acho que foi assim que me conquistou. O desgraçado atirava pra todos os lados, fosse na dança ou no bar. Lembro que ele foi proibido pelo chefe de pegar mulherada dentro do bar, porque aquilo afetava a clientela do estabelecimento. Saí da vida dele como quem pede licença para ir ao banheiro e diz que já volta em dois minutos. Paguei a conta e não voltei mais.
A barman serves barrel-aged cocktails at the VOC bar in King's Cross, London

O próximo era de um bar que ainda frequento – que por sinal tem a melhor batata frita com queijo e flambada da face da Terra – mas nunca mais vi. Na mesma noite uma amiga pegou o telefone do colega dele de balcão. Ficou irada ao descobrir que o cara não estudava e adorava trabalhar como barman, “ai credo, ele não almeja nada na vida! Achei que ele trabalhava pra pagar a faculdade ou algo assim”. Miga, não projeta.

Dei meu telefone a ele, conversamos por alguns dias, até que conseguimos sair. Era um domingo à noite e ele foi me buscar de terno e gravata. Achei um pouco estranho, e a coisa só piorou quando descobri que ele foi me buscar para sairmos de taxi executivo. E ele estava de serviço. Tinha uma corrida marcada para dali meia hora. Moço, pode ficar com o troco, obrigada.

O seguinte era um príncipe, e a minha amiga da historinha anterior também acharia: estudante de Engenharia Química e tinha um sorriso lindo, os olhos brilhavam. Conheci num open bar, e ele não parava de me olhar enquanto preparava uns dez drinks. Uma pena que morava longe. Desce mais um Blue Lagoon aqui bem caprichado pra eu me afogar.

O “caso” mais recente era o único hetero em uma balada LGBT. Fui acompanhar um amigo, e de repente ele comentou que o barman era bonitinho. Nos perguntamos o que ele era, e eu logo descobri, porque o próprio me perguntou quando fui pedir um mojito. Conversamos, peguei o contato dele, mas nem precisava. Quando saí da balada, conectei meu 3G para chamar um táxi e lá tinha uma mensagem dele no facebook, deve ter visto meu nome no sistema de comanda. Não deu muita liga. Os horários não batiam e ele queria me ver tipo segunda-feira à noite. Pessoa noturna que é, tá sempre na pilha em horários que pra mim são aleatórios e quando eu gostaria de estar dormindo. Sorry, boy, quem sabe na próxima.

Quando você se importa

15 set

O gatinho viajou. A viagem já estava planejada havia dias, e eu sabia disso. Não foi a primeira vez que aconteceu, e não fiquei trancada em casa chorando as mágoas por isso nenhuma das vezes em que ele estava longe. Vou aproveitar e sair com os amigos, certo? Tenho muitas amigas que namoram e não saem de casa nem por decreto se o namorado viaja, porque eles não gostariam que elas saíssem. Sempre fui uma pessoa bastante festeira (e essas mesmas amigas costumam me repreender por isso), bastante solta, e não consigo partilhar desse pensamento delas. Ou, pelo menos, não conseguia até agora.

pensativa

Nunca me importei de sair cada um para um lado quando estava envolvida com caras que eu sabia que eram umas tranqueiras. Sabia que se eles não me chamavam para sair no final de semana era porque estavam planejando gandaiar com os amigos. Iam se divertir, encher a cara e pegar várias. Por que eu deveria ficar em casa? Peso na minha consciência em fazer o mesmo: ZERO.

Principalmente porque era o tipinho de chamar pra sair em dias aleatórios da semana em que ninguém sai: segunda, terça… mas nunca na sexta ou no sábado, dias de caçar, e não de ficar em casalzinho. Aliás, cada um ia pra um lugar e nem dizia aonde iria ou aonde tinha ido. Se acontecesse de irem ao mesmo local, legal, senão, foda-se.

Mas daí apareceu alguém diferente, que me fez até pensar sobre essa coisa de ser soltinha demais. No dia em que ele ia viajar tinha uma festa open bar, para a qual uma amiga havia me chamado. No começo fiquei na dúvida se ia ou não, afinal era um open bar. Meio pesado, e talvez até inapropriado para ir sozinha, mesmo querendo estar acompanhada, o que eu sabia que não ia ser possível. Comentei o fato com ele, ao que me respondeu: “vai, ué”. Exatamente como quem diz “aproveita que eu não vou estar aqui e se divirta com seus amigos”.

A gente sempre sabe onde o outro está, ou aonde foi. Não fiz nenhuma besteira (e nem ia fazer mesmo, longe de mim deixar tudo ir por água abaixo), então não tem motivo pra omitir a informação. Quero mais é que ele saiba para evitar surpresas desagradáveis. Se eu encontrasse algum amigo/a dele, e dissessem a ele depois que havia me visto, ele só responderia “eu sei que ela foi”. Respeito é essencial. E também acredito que dar satisfação seja importante para adquirir confiança.

Se ele estivesse na cidade eu convidaria para ir comigo, porque quero que ele me acompanhe, e acredito que ele fosse topar, como tem acontecido. E ele provavelmente chamaria alguns amigos também. O outro lado da moeda também é válido: quando eu não puder sair junto com ele e os amigos, quero mais é que ele vá.

Eu fui a essa tal festa open bar, como fui a outras festas também, só acho que essa ida teve um peso e um significado maiores. Eu me diverti, bebi, cantei, gritei, dancei. Mas parecia que faltava algo. Talvez seja por essa falta que as pessoas não saem quando estão desacompanhadas, conheço pouquíssimas que o fazem. Deve ser mais fácil dizer que o namorado/a não deixa, não gosta que saia sozinho/a, do que explicar que não tem vontade de sair sem ele/a junto. Só que aí os amigos ficam com raiva do namorado/a hahaha. Não sei se dá para a outra pessoa perceber, nesses pequenos detalhes, mas eu realmente me importo. 🙂

A mais simples

9 ago

– Amiga, se arruma logo que o Renan vai passar aqui pra buscar a gente em meia hora.

– Meia hora?! Como assim? Aonde a gente vai?

– É uma baladinha chique.

Saí correndo pra me arrumar. Nem deu tempo de fazer as unhas. No cabelo, uma chapinha rápida, e prendi metade dele bem alto para poupar tempo, penteado bem básico. Uma maquiagem, também rápida. Coloquei brincos enormes de strass (os mais lindos que tenho ou já tive até hoje) e meu melhor vestido, um tomara que caia preto, de renda. Meu único par de sapatos de salto que combinava com a roupa (pretinho básico de bico fino) ainda tinha resquícios de alguma festa anterior e eu não tinha tido tempo de limpar. Não estava no seu melhor estado (nem no pior também), mas no escuro quem ia ver?

The old Double Seven, crédito: On The Inside

The old Double Seven, crédito: On The Inside

Cheguei no lugar com minha amiga e nunca me senti tão mal. Primeiro que era um aniversário de alguém que eu não conhecia, mas minha amiga me levou porque ela estava hospedada na minha casa – e também porque conhecia pouca gente: uma parte era a turma do ex-namorado dela que tinha chamado a gente, a outra só Deus sabe. Segundo que um amigo do ex dela, com o qual eu já tinha ficado e tinha sido péssimo, estava lá. E por último, mas o que mais pesou: eu estava com a minha melhor roupa e estava me sentindo um lixo, mal vestida e feia. Eu já tinha ido a outras baladinhas chiques e me senti bem, normal, mas naquela eu me senti horrível. As meninas, muito mais bem vestidas do que eu, com sapatos lindos e maxi colares maravilhosos,  me olhavam de alto a baixo, como me avaliando, com aquele ar nojentinho de desprezo.

Eu sentada no sofazinho chique do lounge, com um copo de vodka, gelo e alguma coisa na mão, só reparava nos sapatos impecáveis, e olhava para o meu pretinho velho de guerra, pensando que precisava de um novo (aliás vou ter que confessar que depois desse episódio comprei trocentos sapatos novos e sandálias, antes nem ligava tanto). Mas uma outra pessoa olhava para mim, e não era por causa do calçado ou do look mais simples.

Loiro, alto, de olhos azuis: ele mesmo, o amigo do ex da amiga. Fazia mais de um ano que a gente nem conversava, não tinha rolado uma química legal e tudo ficou por isso mesmo. Na primeira interação, houve uma troca de farpas, daí ele saiu de fininho, como um cão arrependido com as orelhas caídas e o rabo entre as patas, e voltou pra turma dele. Mas toda hora ele voltava, passava por mim e parava pra puxar papo, daí a gente conversava numa boa, e tudo bem. Minha amiga até achou estranho ele vir falar comigo, tão orgulhoso que é “e com tantas gurias se jogando em cima dele”. Até me assustei quando ela disse isso, mas comecei a reparar e os olhares se tornaram meio ameaçadores “como pode ele estar atrás dessa ridícula?”.

Lá pelas tantas, vou ao banheiro. Nada demais, se o carinha não tivesse resolvido ir atrás de mim. Os toiletes masculino e feminino eram no mesmo corredor, meio escondido do resto do lounge. Foi atrás e ainda ficou me esperando na saída. Me parou e puxou conversa, e só saiu quando uma garota de vestido amarelo, que estava na turma, passou e ficou olhando feio pra gente. Ele deu um migué, foi ao banheiro, e eu voltei pra balada. Um pouco mais tarde, essa mesma garota, já bastante bêbada, o agarrava pelo pescoço chorando, e ele bem sério desviando o rosto. E olhava pra mim. Fingi que não era comigo, disfarcei, fiquei longe. Pensou se a moça percebe e arma um barraco?

Dentro do mesmo camarote, outra garota, mas de um outro grupinho, também tentou investir. Ficou um tempão conversando com ele no sofá, pendurada no pescoço dele também. E nada. Depois de um tempo ele se levantou e largou a menina sozinha. Adivinha o que ele fez? Veio direto falar comigo. Se eu ficasse com ele, era encrenca na certa, eu ia apanhar e não seria de uma só. Mas não, eu táva de boa e tinha noção do perigo.  Fiquei na minha. Claro, o ambiente era totalmente desfavorável.

Qual a moral da história? Que não adianta se produzir que nem um pavão que não necessariamente o cara vai olhar pra você? Principalmente se você tinha a intenção de chamar a atenção dele; arrume-se para você, para se sentir bem, e não para os outros (olha eu sendo contraditória!).  Ou que não adianta se jogar no pescoço do cara que ele vai dar bola justamente pr’aquela que não tá dando bola pra ele porque é um alvo difícil? Ou tudo isso junto? Fomos embora, e eu com sensação de alívio por sair sem levar uma porrada de alguma guria ciumenta.

O machão da balada

12 jan

Local: uma balada gay. Não totalmente gay, mas predominantemente. A música é boa, a companhia dos amigos é boa. Tudo lindo.

O que você espera de um lugar desses?  Gays, lésbicas e heteros que não sejam homofóbicos, certo?

Daí passa um cara lindérrimo. Ele me olha, dança comigo, me puxa. Nos apresentamos, ele não era da cidade, só passando férias com os amigos, e por aí vai a conversa. Tudo absolutamente normal. Daí ele solta a pérola:

—Que festa estranha, não?

—Estranha por quê?

—Ah, os caras dançando que nem loucas e se pegando…

—Nossa, que preconceito é esse?!?

Acho que ele não gostou muito de eu ter jogado isso na cara dele. Olhou o celular e disse que ia ao banheiro. Ufa! Menos um babaca na minha lista.

Algumas considerações sobre a cena

1. Tudo bem que ~caras de balada~ são idiotas mesmo, mas não precisava ser otário a ponto de ser homofóbico e ainda expressar isso em voz alta, né?

2. Não sei se eu ficaria com ele depois daquilo, mesmo ele sendo gato pra caramba. Eu já achava ele idiota mesmo, só por ser um ~cara de balada~, depois piorou. Ele podia ter ficado quieto. E mais: o que adianta o cara ser lindo se ele REALMENTE É um idiota?

3. O que o cara táva fazendo numa balada gay se ele “não gosta de gays”? Não curte o ambiente, cai fora! Muito simples.

4. O mínimo que você faz quando viaja é procurar informações sobre a vida noturna do local. Todo mundo em Florianópolis sabe que @ Jivago é uma boite gay! Se você tem essas informações antes, evita encrencas.

5. Vai ver ele táva com medo que pegassem na bunda dele ou dessem uma encoxada nele e ele gostar da coisa.

Um dia escrevo um post mais específico sobre amigos gays  😉

Periodicidade ou coincidência?

25 nov

Agenda telefônica masculina é sempre um mistério pra mulherada. A gente nunca faz ideia de quando vai ser a nossa vez de novo, enquanto mulher não tem dessas de escolher com qual cara quer sair no próximo sábado (até porque normalmente são os caras que chamam a gente pra sair, e não o contrário, a gente convida se é rolo, enrosco, ficante, mas não assim casualmente).

Um certo cara me chama pra sair duas vezes por ano: sempre no começo e no final. Tenho a teoria de que toda semana ele sai (ou tenta sair) com uma mulher diferente da sua lista de telefones femininos. A lista roda duas vezes por ano, e nesse rodízio ele chega no meu nome.

Comecei a reparar na periodicidade das ligações no começo de 2012. Conheci o cara em um mês de março, depois só tornamos a sair em novembro. Antes do carnaval (comecinho de março, again…) me ligou de novo, e depois de meses sem dar sinal de vida, telefonou numa sexta à noite de novembro (ahá!).

Eu fiquei olhando aquele nome no visor do celular e pensei “deve estar ligando pra pessoa errada”. Não, era comigo mesmo a encrenca. Queria saber de uma festa, na qual eu não ia, mas sabia que tinha. Eu ia com uma amiga ver um show num Bar x, já tínhamos comprado ingresso. No meio da noite, surpresa! O indivíduo aparece no mesmo bar, e até me paga umas cervejas. Depois fui ver, tinha me ligado várias vezes e mandado torpedos avisando que ia para lá, e mais tarde dizendo que já estava no bar.  Estranho esse interesse repentino… acho que chegou no meu nome outra vez.

Senhor dos anéis

30 set


Anéis
Uma vez numa balada, eu e uma amiga nos sentamos para descansar (a velha teimosia de usar salto alto na balada e morrer de dor nos pés), e chegou um cara. Eu já tinha reparado que ele e os amigos dele estavam olhando muito – e a gente era presa fácil ali, sentadas – sentou do nosso lado e puxou assunto. Ele logo reparou que eu usava um anel, e me perguntou se eu sempre usava anel naquele dedo, ao que afirmei que sim. Então começou a discursar sobre o significado do uso de anéis em cada dedo da mão e as características de personalidade de quem os usa, de acordo com os deuses da mitologia grega que regem cada dedo.

Polegar: é o dedo de Poseidon, deus dos mares. Como era o único que não vivia no monte Olimpo, suas principais características eram a independência, a vida em liberdade e o livre-arbítrio, não sendo Maria-vai-com-as-outras e não seguindo modismos. Faz todo sentido se pensarmos que o “dedão” é separado dos outros quatro. Uma amiga minha sempre dizia que dava azar usar anel nesse dedo (tanto que parei de usar). A única coisa que li sobre isso é que por ser o dedo da individualidade, não é recomendado usar anel nele para que nenhum fator externo influencie sua vontade.

Indicador: é o dedo regido por Zeus, que é o pai dos deuses, e por isso representa liderança, poder, boa oratória e o gosto por negociar. Quem escolhe esse dedo para usar um anel se adapta a qualquer situação.

Dedo médio: representa Dionísio, o deus do vinho e da festa. As pessoas que utilizam o anel nesse dedo também gostam da liberdade, são festeiras, gostam de diversão e não se importam com que dizem a respeito delas. Essa falta de preocupação, quando exagerada, pode representar pessoas inconsequentes e que acarretam problemas. O dedo mediano significa falta de energia e cansaço, principalmente quando frequenta lugares movimentados.

Anelar: é o dedo do amor, regido por Afrodite, e representa uma pessoa romântica e muito ligada aos seus sentimentos ou as coisas do coração (diz-se que tem uma veia que chega até o coração, e por isso casais usam suas alianças nesse dedo). Representa pessoas dependentes de relacionamentos interpessoais. São seres generosos e que procuram constantemente a beleza em sua vida. Usar o anel no anular significa que a pessoa é bondosa e se preocupa com problemas alheios. É também defensora do amor e da família e tem ótima capacidade de expressão.

Mindinho: é regido por Ares, deus da Guerra, e por isso indica que a pessoa tem pouca paciência e entra facilmente em confusões ou brigas, tem comportamento autodestrutivo, conflituoso e explosivo. Quem usa anel no dedo mínimo demonstra que a sexualidade é muito importante nas suas vidas, já que o dedo está ligado ao chakra sexual. Essas pessoas são sensuais, atraentes e sedutoras.

O papo intrigou a mim e minha amiga, pois o tal estava descrevendo a gente com precisão. Para nossa surpresa, ele não estava xavecando nenhuma de nós duas, estava servindo de Cupido para os dois amigos que durante toda a conversa se mantiveram afastados. Eles começaram a tirar sarro do cara, chamando-o de “O Astro” (na época, estava passando na tevê a minissérie cujo protagonista era Rodrigo Lombardi).

Não sei se ele realmente gostava de astrologia (oi?) ou se havia feito um curso de Pick Up Artist, para aprender táticas de sedução para pegar mulher.

LÍNGUA E LITERATURA

PROFESSORA MARIA LÚCIA MARANGON

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