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Reticências

4 abr

Se tem uma coisa que detesto em relacionamentos amorosos é aquela fase do limbo. Você não sabe mais o que vocês são, se param ou continuam, se ~a coisa~ vai pra frente, se o outro não quer mais… às vezes a pessoa some, dali a pouco reaparece, que diabo é isso?

Eu nesse sentido penso de um jeito meio negativo, porque sempre interpreto esse distanciamento como falta de interesse. Como que até outro dia, no meio de tantos compromissos, a pessoa tinha tempo pra te mandar um oi e dar uma satisfação por ter desaparecido o dia todo, e agora com os mesmos 300 afazeres nem lembra mais que você existe – e quando você pergunta, responde que estava ocupado? É o famoso “quem quer dá um jeito, quem não quer, arranja uma desculpa“.

Quando eu vejo que a casa começa a ruir, eu tendo a sair de dentro dela e jogo a chave fora para não mais voltar, antes que ela desabe em cima de mim. Eu vejo como uma forma de me proteger da dor de um fim que parece iminente. Mas também pode ser uma auto-sabotagem por medo. No fundo, os dois são o mesmo. Eu apenas não sei lidar. Como tentar consertar os alicerces sem se desesperar? Já tentei algumas vezes e parece que o remendo ficou pior, então eu apenas caí fora e deixei a casa desabar.

Eu não entendo qual a dificuldade em chegar e dizer: olha, não tô mais a fim. Sei que há pessoas que fazem escândalo, ameaçam,  stalkeiam e/ou perseguem… mas felizmente é uma minoria, o restante das pessoas é completamente normal e vai entender. Vamos ficar tristes? Sim. Chorar? Provavelmente. Mas sem maiores complicações, a vida segue.

Costumo ser bem objetiva e sincera quando acontece o inverso, porque não consigo simplesmente enrolar e sumir. Também nunca sei como falar, mas aquilo me incomoda tanto que uma hora sai. Fico com a impressão de que estou enganando o cara e o fazendo perder tempo enquanto ele poderia conhecer outra pessoa, ou estar curtindo com alguém que goste dele e que vai oferecer um “sentimento” (aspas porque não sei como chamar) que eu não correspondo. Não nasci com o dom de ser reticente, e nem de adivinhar o que significa o silêncio alheio. Se a pessoa não falar, eu não tenho como saber. Menos ainda para levar em frente algo que nem sei mais o que é e que me passa uma sensação de que já deu. Mesmo que doa, prefiro muito mais cravar um ponto final.

 

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Tinderela

13 mar

Ontem à noite resolvi finalmente deletar minha conta no Tinder, depois de meses sem nem abrir o aplicativo. Pode não ser definitivo, e nem é a maior das decisões da vida, mas depois de quase dois anos com meu perfil ativo, não me é mais necessário por enquanto.

Entrei no Tinder porque tinha acabado um “relacionamento” havia poucos meses e não tinha ideia de onde poderia começar a conhecer outros caras. Por indicação de várias pessoas, e porque táva na moda criar uma conta no app, pensei comigo mesma “por que não?”

Entre homens que davam match e puxavam papo de madrugada perguntando “e aí gatinha, onde você mora? O que está fazendo? Quero ir na sua casa, ou você vem na minha” e mandavam fotos seminus pelo whatsapp (sim, pra uma pessoa que ele havia conhecido há cinco minutos), e que pediam nudes também (que aliás nunca enviei e dáva block na hora),  encontrei alguns espécimes que foram além.

Pausa. Eu nunca fui adepta de encontrar uma pessoa aleatória somente para fazer sexo. Sempre achei essa ideia bizarra e dei vários cortes em quem insinuou que queria ~me comer~ em poucos minutos de conversa virtual. Na verdade, quando eu percebi que essa não era a minha vibe, diferente de 90% que usam o Tinder, fiz um favor ao mundo e escrevi no meu perfil “Não faço a mínima ideia de porque estou aqui”. E nada mais. Acredito que isso tenha afastado os mais sedentos por sexo casual.

tinder-moments.png

Saí com poucos caras, uns dez no máximo. Em dois anos, uma média baixíssima, considerando que muitos amigos meus saíam toda semana com gente que haviam conhecido no Tinder . Com uns três deles  não aconteceu nada de mais e viraram meus amigos. Outros dois queriam namorar sério. Também encontrei perfis de conhecidos, com os quais a ferramenta só “facilitou” as coisas. Faltava um empurrãozinho, que poderia ter surgido de outra forma. Então a finalidade pela qual eu estava ali não fazia mais tanto sentido, né?

Mas o que me motivou a abandonar o app (e minha conta ficou lá sem ser usada por meses até que a deletei) foi um cara que em dois encontros conseguiu me assustar e me fez sair correndo pras colinas. No primeiro encontro ele veio com um papo sobre uso de drogas alucinógenas. Ele também tinha uma garrafa de vinho no carro, e uma taça. Certamente estava nos planos dele me embebedar e me levar pra cama depois do jantar – tentativa frustrada, por sinal. No segundo rolou o seguinte diálogo:

– O que é isso no seu pé? – ele disse apontando pro meu tornozelo.

– Ah, é uma tornozeleira – respondi bem inocente

-Hum, assim fica mais fácil de identificar um cadáver.

-Mas se não quiserem me identificar é só arrancar – Bem ingênua eu respondi. E a coisa continuou:

-Pra que arrancar só a tornozeleira se dá pra cortar os pés da pessoa? – disse ele rindo – E dá também pra tirar a arcada dentária. Mas não é legal fazer essas coisas com a pessoa morta.

Eu fiquei no mínimo enojada. Na hora ignorei. Mas, não bastasse tudo isso, veio uma conversa sobre rituais satânicos envolvendo sêmen, menstruação e o sacrifício de um animal. Pra piorar um pouco o cenário, ele morava num bairro super afastado (e eu tinha enviado minha localização para uma amiga no caso de eu sumir por um tempo maior que o normal) e numa casa que tinha mais portas do que Hogwarts. Fiz ele abrir uma por uma pra eu saber o que ou quem tinha lá dentro. Ele disse que morava sozinho, mas nunca se sabe se vão sair três caras de um dos quartos e te estuprar. Ser mulher envolve ter medo desse tipo de coisa, infelizmente.

Depois que cheguei em casa inteira, me perguntei se estava me auto-sabotando com esse medo todo dele… porque eu costumo me auto-sabotar demais para não me envolver com alguém. Uma amiga depois de uns dias me disse, quando contei essa história: você sabe que sou a primeira pessoa a apontar na sua cara quando você se auto-sabota, mas dessa vez… FUJA!

Por alguns dias ele tentou me chamar pra sair novamente e eu fiquei enrolando. Será que eu devia jogar a real? “Então, te achei meio psicopata e acho melhor não nos vermos mais por questões de segurança”. Disse que éramos muito diferentes e que não ia rolar mais, apenas. Por questões de segurança. Pode ser que ele apenas não fosse sociável e não tivesse modos de conversar com uma pessoa, que não soubesse puxar assunto. Preferi não pagar pra ver. Esse foi meu último encontro tinderesco, depois achei que realmente poderia acontecer comigo uma daquelas histórias do Datena ou do Aqui, Agora.

Conversando com um amigo outro dia, ele me questionou há quanto tempo fazia que não conhecia alguém sem ser no Tinder. Sabe essas conversas filosóficas que te fazem parar pra pensar? Puxei o histórico na memória e reparei que não precisava mais dessa muleta pra conhecer gente. O Tinder talvez tenha sido útil numa época que eu precisava expandir meus horizontes, mas depois se tornou obsoleto. Nada melhor do que conhecer uma pessoa de maneira natural e deixar rolar. E isso pode acontecer em qualquer lugar.

 

 

 

Desce mais um

19 jul

Todo mundo tem alguma quedinha por profissionais de uma área específica: por advogados, policiais, médicos, engenheiros… eu tenho uma queda por barmen. Não sei qual é o meu problema com eles, juro que é algo inconsciente, não fico “caçando” e analisando todo cara que trabalha em bar pra saber se é ~pegável~. Não sei se aquela meia-luz do balcão dá um ar de mistério, se é porque eles parecem desencanados por trabalhar ~na noite~, ou porque são os fornecedores do álcool que alegra minha noite (HAHA)… nunca ganhei bebida de graça nem entrada VIP e também nem quero usurpar. Só quando se tratavam de amigos barmen (Alex, Junior e Fabiano, beijo pra vocês!).

O primeiro barman da minha vida fazia aula de dança comigo. Acho que foi assim que me conquistou. O desgraçado atirava pra todos os lados, fosse na dança ou no bar. Lembro que ele foi proibido pelo chefe de pegar mulherada dentro do bar, porque aquilo afetava a clientela do estabelecimento. Saí da vida dele como quem pede licença para ir ao banheiro e diz que já volta em dois minutos. Paguei a conta e não voltei mais.
A barman serves barrel-aged cocktails at the VOC bar in King's Cross, London

O próximo era de um bar que ainda frequento – que por sinal tem a melhor batata frita com queijo e flambada da face da Terra – mas nunca mais vi. Na mesma noite uma amiga pegou o telefone do colega dele de balcão. Ficou irada ao descobrir que o cara não estudava e adorava trabalhar como barman, “ai credo, ele não almeja nada na vida! Achei que ele trabalhava pra pagar a faculdade ou algo assim”. Miga, não projeta.

Dei meu telefone a ele, conversamos por alguns dias, até que conseguimos sair. Era um domingo à noite e ele foi me buscar de terno e gravata. Achei um pouco estranho, e a coisa só piorou quando descobri que ele foi me buscar para sairmos de taxi executivo. E ele estava de serviço. Tinha uma corrida marcada para dali meia hora. Moço, pode ficar com o troco, obrigada.

O seguinte era um príncipe, e a minha amiga da historinha anterior também acharia: estudante de Engenharia Química e tinha um sorriso lindo, os olhos brilhavam. Conheci num open bar, e ele não parava de me olhar enquanto preparava uns dez drinks. Uma pena que morava longe. Desce mais um Blue Lagoon aqui bem caprichado pra eu me afogar.

O “caso” mais recente era o único hetero em uma balada LGBT. Fui acompanhar um amigo, e de repente ele comentou que o barman era bonitinho. Nos perguntamos o que ele era, e eu logo descobri, porque o próprio me perguntou quando fui pedir um mojito. Conversamos, peguei o contato dele, mas nem precisava. Quando saí da balada, conectei meu 3G para chamar um táxi e lá tinha uma mensagem dele no facebook, deve ter visto meu nome no sistema de comanda. Não deu muita liga. Os horários não batiam e ele queria me ver tipo segunda-feira à noite. Pessoa noturna que é, tá sempre na pilha em horários que pra mim são aleatórios e quando eu gostaria de estar dormindo. Sorry, boy, quem sabe na próxima.

Sério

21 jan

Amanda tinha visto Gabriel no Tinder. Nem precisou olhar duas vezes para suas fotos e já foi logo dando like. Alguns segundos depois, surpresa: deu match. Trocaram algumas mensagens, partiram para o whats app. Conversaram por algumas semanas, até por mensagem de voz, não conseguiam se encontrar por causa dos horários desencontrados.

Numa segunda-feira, Amanda tinha acabado de sair do trabalho, recebe mensagem de Gabriel, perguntando o que estava fazendo e se queria sair. Dessa vez iria dar certo. Amanda se arrumou e foi encontrá-lo num barzinho que os dois conheciam.

Se encontraram na porta, entraram juntos, escolheram uma mesa. Amanda comentou que estava com fome e iria pedir algo para comer, ao que Gabriel respondeu que já tinha jantado em casa. Amanda ficou um pouco sem graça de comer sozinha, mas pediu uma porção de batatas fritas com polenta e mandioca. Pediram um chopp de trigo. Não tinha nada mais gostoso no mundo do que tomar um chopp numa segunda. Gabriel tomou um gole e ficou olhando sério para o copo.

– Isso é chopp de trigo? Achei que fosse melhor.

– Ah, bom, eu gosto bastante. – disse Amanda meio insegura.

– Ah, sério? – perguntou Gabriel em tom seco.

Amanda tentou quebrar o gelo, perguntou da vida acadêmica do garoto, das férias da faculdade. Ela mal começava um assunto, ele o matava. Quando seu copo estava vazio, o garçom já chegou até a mesa oferecendo mais dois.

– Não quero nada – disse Gabriel.

– Pode me trazer outro de trigo, por favor – pediu Amanda.

– Ah, sério? – disse Gabriel coçando o queixo.

Ele contava causos que eram quase engraçados. Como Amanda dava risada com facilidade, não fechava a cara quase nunca durante a conversa. Mas quando ela ia contar alguma situação, Gabriel só olhava para ela e respondia “sério?”.

Chegaram as fritas, Amanda estava morrendo de fome. Gabriel olhou a porção, que deveria ser para mais do que uma pessoa:

– Você vai comer tudo isso?

– Er… vou. – Disse, mais uma vez totalmente sem graça – Tem certeza que não quer me ajudar?

– Não, não, estou de boa.

Continuaram tentando estabelecer diálogo, mas pareciam não ter nada em comum. Ele não gostava de balada, ela adorava. Ela era eclética, ele só ouvia rock e odiava o resto. Ele surfava, fazia exercícios e era vegetariano. Ela gostava de dançar e adorava um churrasco.

– Você é de que religião? – Amanda ficou desconcertada. Ninguém nunca faz essa pergunta num primeiro encontro, nem no segundo, nem no terceiro…

– Sou católica…

– Ah, sério? Eu sou ateu.

Amanda nem respondeu, apenas fez um aceno de cabeça e tomou um pouco do seu chopp. Já estava se preparando para ouvir “e você votou em quem, Dilma ou Aécio?”. Mas ele não disse nada, apenas ficou batucando com os dedos na mesa e batendo o pé no chão. Ela nem terminou de comer, pediu para embalar sua porção para viagem. Teve vontade de pagar tudo sozinha, mas ele pagou o chopp que havia consumido e ainda encrencou com o moço do caixa, que não tinha entendido a divisão da conta.

– Então tá, dona Amanda. – Já na porta. –  A gente se fala.

– Uhum. Até mais. – respondeu ela. Virou as costas e se sentiu aliviada por se livrar de Gabriel. “A gente se fala, nada. Aff”, pensou. E acertou: nunca mais se falaram.

Reviravolta

10 maio

Era um sábado à noite, e Natália, como de praxe, saiu com duas amigas. O local: um barzinho onde a probabilidade de encontrar alguém conhecido era 100%. Às vezes tinha a impressão de que só existia uma casa noturna na cidade inteira, apesar de ser um lugar pequeno e por vezes frequentado pelo que ela chamava de “pessoas estranhas”. Nem sabia por que raios tinha topado o programa, mas não queria ficar em casa, estava animada para qualquer coisa. Produziu-se com um salto lindo, um batom vermelho e um sorriso no rosto, e lá foi.

bar

 

Estava bem feliz curtindo o som, cantando e dançando, com um copo de cerveja na mão, quando avista alguém conhecido, como já previra. Deu-lhe um sorriso, ele veio falar com ela. Loiro, olhos azuis, barba por fazer, mais de 1,80 de altura, o Pinto Amigo. Otávio a abraçou e soltou uma frase clássica:

– Quanto tempo!

– Ah, pois é… – respondeu, com uma risadinha amarela.

– Vou pegar bebida, depois volto aqui – se enfiou no meio da galera e olhando pra ela de novo – Você tá linda.

Ela sorriu de novo e lhe mostrou o copo, como num brinde com o ar. Virou de costas para ele, voltou-se para as amigas e fez uma careta, virando a cerveja na goela. Nem perguntaram quem era ou por que fizera aquela cara, pois sabiam. Apenas riram. Lá pelas 3 da manhã, o bar já um pouco mais vazio, Natália estava encostada no balcão bebendo, sua amiga estava ali perto beijando um cara que tinha acabado de conhecer e a outra havia ido ao banheiro.

Otávio a viu do outro lado do não-tão-grande salão e viu a oportunidade perfeita para chegar nela, como se precisasse disso. Mesmo assim, o alvo era fácil. Ele também portava um copo, chegou brindando. Conversa vai, conversa vem. A amiga não voltava nunca, e a outra não desgrudava do cara. Não se importava em ficar sozinha, mas detestava dar sopa pra otário e estava rezando pra amiga voltar logo. Ele estava de lado para o balcão, ela, de costas e com os cotovelos apoiados: não queria virar de frente para ele.

– Quer que eu te leve em casa? – perguntou Otávio com ar de quem já sabia que a resposta seria positiva.

– Não. – respondeu, seca.  E bebeu um gole da sua cerveja, olhando de canto de olho a cara dele.

– Que?! – Otávio exclamou com ar incrédulo.

– Não – repetiu Natália, dessa vez com o rosto totalmente voltado para Otávio.

Ele olhou pro seu copo vazio na mão, um pouco desconcertado: Como assim, “não”?

– Não quero que você me leve pra casa, estou com minhas amigas.

Ele, desdenhando, olhou em volta, apontou para a amiga de Natália, agora achatada contra a parede sendo quase engolida pelo desconhecido: “Está?”

Ela respirou fundo: – Volto sozinha de táxi, mas não quero voltar com você.

– Nossa, calma. Por que isso agora?

– Você não reparou que faz uns dois meses que eu não te chamo? Então, não tô mais a fim, só isso.

– Credo, que grossa. Tô achando que isso é falta… – debochou – posso dar um jeito se você quiser.

Natália olhou enfastiada para ele, pegou sua garrafa em cima do balcão e saiu de perto, ia se sentar sozinha numa mesa. Por sorte, a amiga a encontrou no meio do caminho.

– Nossa, que demora. – reclamou Natália

– Achei que era pra deixar vocês dois sozinhos. Quando vi você saindo, vim atrás.

– Não, tô de boa. Vamos sentar?

Sentaram-se e ficaram o resto do tempo bebendo e rindo. Natália nem viu se Otávio havia ido embora. Dali a pouco, a outra amiga se separou do cara, veio até elas, decidiram ir embora. No táxi, Natália abre o vidro e sente o ar da madrugada até leve por ter conseguido dizer não. Estava entalado havia um tempo, sempre que Otávio a procurava, ela dava uma desculpa e não conseguia dizer um NÃO definitivo. Essa foi sua libertação.

Chegou em casa, se enfiou nas cobertas, entrou no facebook e no whatsapp. Tinha uma mensagem dele, dizendo que a achou muito estranha essa noite e esperava que depois pudessem resolver, com uma carinha piscando. Ela só fechou o aplicativo, sem responder.

 

 

 

 

 

Gratidão – parte 2

11 out
gratidão

Clique na foto e leia a primeira parte dessa história

Chegou em casa moída, os pés latejando, às oito da manhã. Mas estava feliz. Até poucos dias atrás, achava que não ia poder nem conseguir se divertir tão cedo novamente. E apenas dormiu.  Foi acordada pelo telefone, um amigo chamando para ir ao shopping. Mais uma amiga iria também, os encontraria mais tarde. Curtiu um belo almoço com a família que não via há meses. E mesmo cansada foi ver os amigos.

Estava lá com os dois, andando pelas lojas, de repente o telefone toca. Olhou o visor. Um número estranho, DDD 11, de São Paulo. De primeira, achou estranho. Mas aí teve um estalo. Será que era ele? Não, não podia ser. Atendeu, ainda estranhando. Era ele mesmo. Ela não podia esconder a voz de alegria, tinha gostado do moço. E, meu Deus, como assim ele estava ligando pra ela? Não podia acreditar naquela sorte. E ele queria sair com ela! E estava dizendo que ia até onde ela estava. Mais inacreditável ainda. Claro, com a autoestima lá no chão, só conseguia pensar que era a mulher mais feia e desinteressante do mundo. Só acreditaria quando ele estivesse bem ali, na sua frente.

Algum tempo depois, o celular toca de novo: cheguei ao shopping, onde você está? Seu queixo caiu. Respondeu onde estava, loja x, já ansiosa. Um minuto depois, nova ligação. Ele estava na frente da tal loja, esperando por ela. Deixou os amigos no caixa pagando as compras e foi encontrar o garoto. Toda sem jeito, mas com um sorriso bobo no rosto, os olhos brilhando. Mas não tanto quanto os dele. No instante em que se encontraram, ele fez uma coisa totalmente surpreendente: meteu-lhe logo um beijo. Assim, sem se segurar mesmo e sem rodeios ou timidez. E por que se seguraria? Disse que já havia feito o bastante disso na noite anterior.

Os amigos saíram da loja, vieram falar com eles e saber, nada curiosos, quem era “o bofe”. Depois inventaram alguma coisa e saíram de fino para deixar os dois sozinhos. Sentaram para tomar um chopp, ficar juntinhos e se conhecerem um pouco mais. Ele já ponderava que a distância não era nada, tinha uma irmã cujo namorado morava em Joinville (SC também), e que eles namoravam havia bastante tempo… ela cética por estar ouvindo aquelas coisas. Se perguntava como  ele podia pensar num relacionamento a distância… nem se conheciam  direito! Mesmo assim, achou aquelas palavras bonitas. Podiam ser promessas feitas no calor do momento, mas pelo menos existia algum calor.  Se sentiu querida, desejada… ainda mais porque ele não parava de dizer que ela era linda. Era tudo o que precisava.

Mas diz o velho ditado que tudo que é bom dura pouco. Logo ela precisava ir embora. Seu pai viria buscá-la, ainda precisava visitar sua madrinha, e terminar de arrumar a mala para pegar um avião cedinho.  Quando se despediram, ele a ergueu do chão, abraçando-a, e se beijaram de um jeito de tirar o fôlego.

No outro dia, sobrevoava algum ponto do litoral entre SP e SC, ouvindo música no mp3.  Repassava todo o fim de semana na cabeça, sorrindo – mas com algumas lágrimas – novamente com cada detalhe que recordava. Engraçada a vida. Às vezes coisas muito boas podem surgir das piores coisas que te acontecem.  Se não tivesse levado aquele fora, não teria tido a oportunidade de conhecer alguém tão legal e que lhe colocou no eixo novamente, lhe mostrou seu devido valor. Não imaginava que o mundo ia lhe provar que ainda existiam caras legais. Podia voltar a ter esperança. Podiam nunca mais tornar a se ver, podiam nunca mais se falar, mas aquela pessoa já tinha marcado de alguma forma. Ela lhe era grata, muito, muitíssimo. Uma curta história, mas que lhe abriu a mente e o coração de novo.

Sangue frio

18 jun

Te ver e não te querer é improvável, é impossível…  

Eu não costumo sair com caras que são do meu círculo social, menos ainda aqueles que eu tenho de ver toda semana por causa de uma obrigação em comum. Não sei se é uma preferência minha ou porque esse tipo de situação acontece poucas vezes.

Uma vez eu fiquei com um que fazia um curso comigo. A gente se xavecou um tempo e ele parou de ir às aulas. Quando saímos fazia um mês que não o via, e ele apenas continuou a não frequentar as aulas. Logo, não houve encontros embaraçosos.

Desta vez o encontro era meio inevitável. Nosso encontro semanal foi absolutamente normal, como se nada tivesse acontecido – o que é péssimo, já que na realidade aconteceu algo entre a gente. Tentei ser natural, mas temo que as atitudes tenham parecido forçadas – porque de fato foram.  Alguma coisa mudou? Ainda não sei, de diferente apenas um abraço quando você veio me cumprimentar.

É ruim não saber como devo agir se você não dá nenhuma pista do que está pensando. Tenho que me segurar: para não falar nada, para não demonstrar nada, para não fazer nada. Fico sem saber o que fazer, porque não sei o que vai acontecer depois. Foi só uma noite mesmo?

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Site da Associação das letras, promovendo a divulgação da literatura em Joinville e região

Blog da Boitempo

Aqui você pode encontrar informações dos livros e eventos realizados pela editora Boitempo. E, principalmente, pode interagir e ajudar na construção da editora que ousou ter uma cara e conquistou seu espaço produzindo livros de qualidade

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