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A Lei do Desapego

6 fev

Ultimamente tenho notado o quanto as pessoas pregam o Desapego. Batem no peito e dizem com orgulho que não se apaixonam, não criam expectativas, não estão nem aí se a pessoa com quem se relacionam ficar com outra, conseguem se relacionar com duas ou três pessoas ao mesmo tempo, o tal do poliamor também tem se tornado mais frequente, e ouço diversas vezes por dia o termo “amor livre” … tenho amigos(as) que me dizem o tempo todo para não me apegar, para ser mais desencanada, como se esse comportamento fosse regra social e eu não pudesse fazer diferente, nem pudesse querer uma relação monogâmica, como se qualquer outra forma de amor não fosse livre.

Já tentei, e não consegui nem consigo ter relacionamentos abertos e praticar o desapego. Está na minha essência ser apegada – mas não possessiva, acho que existe um abismo de diferença entre essas duas coisas. Às vezes me sinto uma incompetente por não conseguir ser desapegada, preciso me respeitar mais e me aceitar mais. E seria legal também que as pessoas parassem de emitir suas opiniões como se fossem uma verdade universal. Em tempos de comportamento massificado, qual o problema em ser diferente? Em sentir diferente? Qual o problema em não querer objetificar as pessoas com quem me relaciono ou em querer estar com elas porque gosto delas e não somente porque me satisfazem?

Imagem Tenho percebido também que as pessoas relacionam apego à satisfação do próprio ego, egoísmo. Acho que os significados de algumas palavrinhas aqui andaram sendo distorcidas. Segundo o dicionário Houaiss, egoísmo é apego excessivo, ao passo que egocêntrico é alguém que não se importa com os interesses alheios. Apego significa ter estima, afeição por algo/alguém. Enquanto desapego é desinteresse, desamor, e desapegar é não ter envolvimento. Acredito que esses indivíduos ditos desapegados sejam os verdadeiros egocêntricos, porque não estão a fim de se doar ao outro, enquanto o apegado está.

Se antes eu sentia que havia uma pressão para namorarmos, casarmos e termos filhos – normalmente vinda de pessoas mais velhas ou de círculos sociais mais conservadores – , hoje a pressão é para sermos desapegados. Eu, particularmente, não me encaixo em nenhuma das duas categorias, estou perdida num meio-termo que ninguém parece entender ou respeitar. Um ex meu até disse que só porque sou feminista, eu deveria ser mais moderninha nessa questão de relacionamentos. Honestamente acho que uma coisa não implica a outra, mas às vezes penso que estou fora do meu tempo. Ou todos nós estamos, já que esta parece ser uma época de transição de valores, princípios, sensações. É melhor ter sentimentos ou não tê-los? É melhor se doar, se entregar ou ser uma pessoa fria? Cada um sabe o que é bom pra si mesmo. Eu prefiro sentir.

Quando você se importa

15 set

O gatinho viajou. A viagem já estava planejada havia dias, e eu sabia disso. Não foi a primeira vez que aconteceu, e não fiquei trancada em casa chorando as mágoas por isso nenhuma das vezes em que ele estava longe. Vou aproveitar e sair com os amigos, certo? Tenho muitas amigas que namoram e não saem de casa nem por decreto se o namorado viaja, porque eles não gostariam que elas saíssem. Sempre fui uma pessoa bastante festeira (e essas mesmas amigas costumam me repreender por isso), bastante solta, e não consigo partilhar desse pensamento delas. Ou, pelo menos, não conseguia até agora.

pensativa

Nunca me importei de sair cada um para um lado quando estava envolvida com caras que eu sabia que eram umas tranqueiras. Sabia que se eles não me chamavam para sair no final de semana era porque estavam planejando gandaiar com os amigos. Iam se divertir, encher a cara e pegar várias. Por que eu deveria ficar em casa? Peso na minha consciência em fazer o mesmo: ZERO.

Principalmente porque era o tipinho de chamar pra sair em dias aleatórios da semana em que ninguém sai: segunda, terça… mas nunca na sexta ou no sábado, dias de caçar, e não de ficar em casalzinho. Aliás, cada um ia pra um lugar e nem dizia aonde iria ou aonde tinha ido. Se acontecesse de irem ao mesmo local, legal, senão, foda-se.

Mas daí apareceu alguém diferente, que me fez até pensar sobre essa coisa de ser soltinha demais. No dia em que ele ia viajar tinha uma festa open bar, para a qual uma amiga havia me chamado. No começo fiquei na dúvida se ia ou não, afinal era um open bar. Meio pesado, e talvez até inapropriado para ir sozinha, mesmo querendo estar acompanhada, o que eu sabia que não ia ser possível. Comentei o fato com ele, ao que me respondeu: “vai, ué”. Exatamente como quem diz “aproveita que eu não vou estar aqui e se divirta com seus amigos”.

A gente sempre sabe onde o outro está, ou aonde foi. Não fiz nenhuma besteira (e nem ia fazer mesmo, longe de mim deixar tudo ir por água abaixo), então não tem motivo pra omitir a informação. Quero mais é que ele saiba para evitar surpresas desagradáveis. Se eu encontrasse algum amigo/a dele, e dissessem a ele depois que havia me visto, ele só responderia “eu sei que ela foi”. Respeito é essencial. E também acredito que dar satisfação seja importante para adquirir confiança.

Se ele estivesse na cidade eu convidaria para ir comigo, porque quero que ele me acompanhe, e acredito que ele fosse topar, como tem acontecido. E ele provavelmente chamaria alguns amigos também. O outro lado da moeda também é válido: quando eu não puder sair junto com ele e os amigos, quero mais é que ele vá.

Eu fui a essa tal festa open bar, como fui a outras festas também, só acho que essa ida teve um peso e um significado maiores. Eu me diverti, bebi, cantei, gritei, dancei. Mas parecia que faltava algo. Talvez seja por essa falta que as pessoas não saem quando estão desacompanhadas, conheço pouquíssimas que o fazem. Deve ser mais fácil dizer que o namorado/a não deixa, não gosta que saia sozinho/a, do que explicar que não tem vontade de sair sem ele/a junto. Só que aí os amigos ficam com raiva do namorado/a hahaha. Não sei se dá para a outra pessoa perceber, nesses pequenos detalhes, mas eu realmente me importo. 🙂

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