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Esperar, esperança

5 jul

Parece que foi ontem, mas já faz um mês que a gente resolveu terminar. Tem um lapso aí no meio e eu não sei bem ao certo onde estive ou o que fiz esse tempo todo. Eu fico prolongando a minha dor pensando em tudo que aconteceu. É o meu modo de tocar a vida depois de tudo, não quero perder o que a gente viveu, não quero esquecer algo que foi bom. Sei que não deveria alimentar esses sentimentos, mas ainda tenho a sensação de que não acabou. Talvez seja porque eu não quero que acabe.

Mas, na real, tenho a sensação de estar te perdendo pela segunda vez: a primeira quando a gente terminou, agora porque você está me esquecendo. O término aconteceu numa boa (o que eu não sei ainda se é bom ou ruim), mas já não nos falamos como antes. No começo, você vinha e minha cabeça ficava em parafuso: qual é a dele? Mas então eu fiz a besteira de te pedir para não falar mais comigo em nenhuma rede social, nem skype ou whatsapp, e agora não sei mais se você não vem por respeito ao meu pedido ou porque não quer manter contato.

Por mais que eu tente resistir à vontade de falar com você, eu sempre vou. Não posso te ver online sem imaginar o que você está fazendo do outro lado, e se está me esperand0 ir falar com você. E se você fica off, eu saio também, porque não faz mais sentido continuar ali – e ainda por cima eu encaro cada postagem sua no Facebook (as frases, as músicas…) como uma indireta, será que são?,  e as curto desesperadamente para te mostrar que eu entendi o recado. Antes você insistia tanto em dizer que entrava nos chats da vida só para conversar comigo, e porque estava com saudades… daí eu me pergunto por que raios a gente terminou se ainda nos gostamos.

Não sei o que vai acontecer, eu só fico esperando você tomar alguma atitude, me chamar para sair, por exemplo. A minha última esperança de que alguma aconteça reside num livro meu que está sob sua custódia. Preciso ir buscá-lo. Óbvio que é a desculpa perfeita para que eu possa ver você de novo. E eu sei que tenho o poder de te fazer me desejar quando me encontrar. Quero que tudo que você sentia (ou sente?) volte! Quero que a gente volte.

Parece que enquanto você tem posse de um objeto meu, ainda temos algum vínculo. Quando eu o recuperar, será que vou ter outra chance para te ver, ou vou ter que arrumar uma nova desculpa? A minha única certeza agora é o nosso horário marcado para eu ir buscar na sua casa o tal livro. Estrategicamente na sexta-feira, caso você resolva me levar para fazer outra coisa. Já contando com essa possibilidade, dispensei as festas e baladas com a galera. Planejei isso a semana toda, um frio na barriga imenso.

Tive de sondar a sua irmã para saber alguma coisa sobre você. Segundo ela, você pretende me levar ao cinema, para ver a continuação do meu filme preferido – que é o seu também. Tomara que você faça isso mesmo, estou ansiosa. Você solucionaria o meu problema de ir assisti-lo, porque não há outra hipótese a não ser ir com você. Meus amigos disseram que iriam comigo, mas eu não quero ir com eles. Não são eles que eu quero. Ao mesmo tempo não quero tirar conclusões precipitadas… e se você só quiser ser meu amigo?

Eu só espero que não apenas eu chegue lá, você me devolva o que é meu e me dê tchau, dizendo que vai sair com os amigos. Se isso acontecer, o que vai me restar? Volto para casa, jogo o livro num canto, me atiro na cama e choro até dormir, enquanto todos se divertem. Mas não vai dar errado, não pode dar errado.

 

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Assombração

8 maio

Eu entrava no seu perfil na rede social todos os dias. Ontem, justamente ontem, estava tão ocupada que nem me lembrei de o fazer. Não havia me dado conta disso, mas não tinha pensado em você um minuto do meu dia frio de outono. Finalmente eu tinha mudado o foco: da sua existência para a minha vida.

Estou tentando te esquecer, esquecer o mal que você me fez… Tenho medo de encontrá-lo por aí, desprevenida, na rua, na biblioteca, em algum bar. Será que ela vai estar com você, ou você estará sozinho? Será que você vai falar comigo ou vai fingir que não me conhece, como se eu não tivesse significado nada? Não quero pensar nisso, e nem pensava mais, mas sua aparição trouxe tudo isso à tona de novo, além dos meus próprios medos e neuras. Eu me pergunto o tempo todo se vou conseguir confiar em alguém outra vez. Tenho receio de que todos façam o que você me fez.

Sua nova foto do perfil simplesmente pulou na minha linha do tempo – e eu nem havia me preocupado em cancelar suas atualizações porque você nunca posta nada, mas é claro que agora  cancelei o recebimento delas. Eu fiquei em choque, foi como se um fantasma há muito esquecido (pouco mais do que 24 horas, o que já era bastante tempo para quem não te tirava do pensamento) aparecesse novamente para me atormentar.

Eu sempre acreditei ser mais difícil esquecer a pessoa se o contato é mantido, se ela está sempre ali pra reavivar o que você sentia, ou manter vivo algo que está nas últimas. Se você não vê, não tem notícias, para mim é como se a pessoa tivesse morrido. E o que se faz quando alguém morre? A gente supera, esquece, mesmo que demore. De uma forma ou de outra, é uma morte: de um relacionamento. Pode parecer exagero, mas eu, particularmente não consigo esquecer se a pessoa tá mostrando o tempo todo que ainda existe, e continua te dando esperanças, mesmo que não seja intenção dela, como ao publicar uma coisa e aquilo aparecer para você.

Parafraseando um sertanejo aí, “ainda estou me curando / vá embora da minha timeline porque se eu olhar pra você / tudo acaba voltando”.

Spice World

13 ago

Ontem voltamos 15 anos no tempo, no encerramento das Olimpíadas de Londres. Entre homenagens a John Lennon e Freddie Mercury, tocaram as bandas The Who, Pet Shop Boys e a nova Take That, as cantoras Jessie J e Annie Lennox, George Michael. Uma das apresentações mais aguardadas foi a das Spice Girls, que não cantavam juntas desde 2008. Antes disso, haviam se separado em 1998. Alguns de meus amigos(as) não acreditavam no que viam, e nem eu mesma. Elas foram parte da infância e da adolescência de milhões de pessoas, que não sabiam se iam viver para vê-las juntas novamente. Confira a apresentação histórica, que só os Jogos Olímpicos proporcionaram.

 

A vida é feita de escolhas

9 maio

Eu nem sei mais como aquela conversa estranha começou, só sei que o tempo todo eu pensava em colocar um ponto final. Terminar algo que nunca existiu. Mas que minha mente de garotinha teimava em acreditar na existência. Desde o começo eu sabia que ia dar errado, porque minha vida é um livro no qual todas as páginas parecem ser iguais. E eu até tenho medo de virá-las. Medo de que a história se repita. Pensei que com você poderia ser diferente. Não foi.

Você me disse que não tinha tempo. Tempo? Quando a gente quer estar com alguém, a gente arranja! Mas não fazia diferença, não é mesmo? Você sumia por uma semana, duas, um mês… e depois ressurgia me prometendo o mundo. Faz um favor pra mim? Dói dizer isso, mas não tem outro jeito. Não me procura mais, tá?

Deparei-me com sua indiferença como resposta. Antes, e mais ainda agora. Se você realmente se importasse não diria só e simplesmente “a escolha é sua”. Porque eu não tinha escolha. Aliás, tinha sim: continuar em algo que só me fazia mal ou parar por aqui. As duas opções eram ruins. Optei por uma em que meu sofrimento não fosse prolongado. E também, no máximo eu ia continuar a não ter alguém que nunca foi meu.

Lá no fundo eu desejava  que como por mágica você mudasse de atitude. E viesse atrás de mim. E mudasse o rumo dessa história que começa e termina sempre no mesmíssimo lugar. De onde eu não consigo encontrar uma brecha para sair e mudar tudo. Não foi exatamente um tiro no próprio pé, mas a vida é feita de escolhas. Mais um clichê na minha vida de repetições excessivas.

Epifania de Frango

25 mar

Ele não tem cara de empadão de frango. Mas no meio da minha janta numa sexta-feira à noite antes de ir a uma festa da faculdade, de repente, “não mais que de repente” diria Vinicius de Moraes, eu lembrei dele. Parei com o garfo no ar e fiquei olhando pro nada, meus movimentos se tornando mecânicos e estranhamente lentos. A mínima lembrança daquela pessoa que um dia fora querida me deixou entorpecida. Se eu dissesse que lembro como eram seus beijos estaria mentindo, mas ainda me lembro de seu olhar meio de lado, com um sorrisinho malicioso na boca.

Na época em que não demos certo eu o xingava de canalha e de todos os sinônimos possíveis para esse adjetivo. Mas hoje já não sei se era bem assim, e nem posso dizer se a culpa foi mesmo dele. Se é que existe um culpado. Olho para trás e não consigo mais sentir aquela raiva que me dominara inicialmente. Só tenho lembranças boas, ao mesmo tempo em que sinto um vazio. Pena não ter dado certo.

Ele mudou de estado, eu sei, mas ainda é estranho não o ver mais nas festas da faculdade. E se um dia eu o encontrasse de novo, inesperadamente, apesar de já estar esperando? Qual seria minha reação? E a dele? Deu tempo de repassar na mente toda a nossa história, o que foi e o que devia (e podia) ter sido. Quando me dei conta, estava já tomando o último gole de meu refrigerante.  Olho no relógio. Vou pra festa. E beber pra esquecer.

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